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Você pode até dizer que eu tô por fora
Ou então que eu tô inventando,
Mas é você que ama o passado e que não vê,
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem.



Sdorsi |
09.19.03 - 1:57 pm | #
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Brincadeirinhas a parte, a jornada de trabalho que já foi de umas 80 horas semanais, já atingiu 36-38 horas na Europa, no Japão e, por lei, é de 35 horas na França.
Ou seja, cada vez mais haverá espaço para o ócio e produtos inócuos são subprodutos do ócio.
sei lá, mil coisas.....
Sdorsi |
09.19.03 - 1:58 pm | #
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A "plastificação dos costumes" tem tudo a ver com o modelo que "adotamos" como o nosso, que é o norte-americano.
Por mais resistentes nacionalistas que nos sintamos, tudo ao redor gira em torno do consumo exacerbado, do imedatismo, do lucro à qualquer preço (sem trocadalhos do carilho)
Aí vêm as escovas que rodam sozinhas, as geladeiras - que já não são nenhuma Brastemp(nem ela mesmo é), feitas pra durar no máximo 4 anos, como as TVs, os fogões e qualquer eletrodoméstico que antes duravam a vida toda. Nossas mães trocavam para combinar com a nova cozinha, ou porque queriam um modelo novo, mais moderno. Nunca porque precisavam, porque o eletrodoméstico tinha estragado. É o consumismo tomando conta das nossas necessidades, criando necessidades.
E, na minha modesta, vale o mesmo para as artes:
Sou do tempo que música de rádio era Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano, Zé Ramalho,Alcione, Beth Carvalho, Cartola, Beatles e Rolling Stones. Todos misturados com a música "da moda", as baladinhas e os ritimos gostosos de ouvir - e necessários - mas que não duravam muito. Havia espaço para todos.
Hoje, existe a "música de trabalho", traduzindo: música pra vender CD, e ai do artista que cantar aquela música gostosa do primeiro álbum... não, não pode! Tem que enfiar na cabeça do público a música de trabalho do novo CD, pra vender, pra vender logo!
Filme ficava em cartas meses, naquelas salas enooormes, com cortina vermelha que abria mostrando a tela, iniciando o "espetáculo".
Hoje, se você não correr pro shopping, em uma semana o filme foi trocado por outro. Mas, tudo bem. 3 dias depois tem outro mercado: fitas e DVDs em locadora.
Isso me faz lembrar que conseguir uma foto do filme preferido era um tesouro! Hoje temos tudo à mão, na internet, nos programas, na tecnologia.
Ganhamos muito com o progresso, muito mesmo. Mas perdemos na "qualidade humana" eu acho. Não seria ma-ra-vi-lho-so ter toda essa tecnologia à nossa disposição e a mesma qualidade das relações humanas de tempos atrás?
Faz tempo que ando torcendo o nariz para os produtos de plástico, Oly.
taw |
09.19.03 - 7:32 pm | #
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Faço das palavras da Taw as minhas próprias! Casa perfeitamente com o que penso.
Maravilha que hoje existam fraldas descartáveis, internet, câmeras digitais e até mesmo porcarias. Estou com a tecnologia e o progresso e não abro. Mas não se pode dar o mesmo peso às porcarias e às coisas de valor verdadeiro, como se tem feito por aí, porque senão caímos num vazio cultural e, consequentemente, existencial.
Antigamente as mulheres tinham mais filhos do que têm hoje e lavavam dezenas de fraldas diariamente. Não tinham microondas nem carrinhos tão fortes como os que se encontram hoje no mercado. Passeavam nos paralelepípedos e pedras portuguesas com carrinhos que entortavam as rodinhas mesmo e escaldavam tudo em panelas no fogão. E ninguém reclamava.
Claro que é muito melhor que as coisas sejam mais fáceis. Mas hoje, mesmo com toda a facilidade tecnológica que existe, as mulheres não têm mais tanta disposição pros filhos e ainda vivem reclamando da trabalheira que dá...
Olivia |
Homepage |
09.19.03 - 9:19 pm | #
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Outra coisa: antigamente os pivetes não te roubavam porque eles TINHAM QUE TER o tenis Nike que viram na propaganda da TV. Isso é o máximo de destruição que a lavagem cerebral que recebemos com relação aos produtos da moda pode fazer com um ser humano. A pessoa se sente um lixo se não "possui" o que precisa possuir para ser "alguém". E aí pára de pensar na sociedade para pensar apenas em si mesmo.
Os valores mudaram muito...
Olivia |
Homepage |
09.19.03 - 9:20 pm | #
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Sdorsi: de onde você tirou essas informações sobre a redução de jornada de trabalho x ócio? Estou interessada em saber mais...
Será que existem pesquisas que mostram o que mudou, para bem ou para mal, na vida dessas pessoas que reduziram jornada de trabalho?
Olivia |
Homepage |
09.19.03 - 9:24 pm | #
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Da minha cabeça....
Há muito que o segmento de mercado de maior potencial é o entretenimento, justamente porque cada vez mais há mais gente com renda E ociosa. Por isto surgem parques de tudo quanto é tipo, filmes de tudo quanto é tipo, música de tudo quanto é tipo.
É que nem carro. Antigamente um carro durava 10 ou mais anos, mas era um bem absurdamente caro e para poucos. Hoje, quem tem renda troca de carro de 2 em dois anos e os usados vão passando para as camadas mais baixas.
Aí você tenta ir pro litoral num feriado e passa 7 horas num engarrafamento para percorrer 200 kms....olha para o lado e vê um mar de Kombis e Gol's de 25 anos de uso.
Sdorsi |
09.19.03 - 9:53 pm | #
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Taí uma discussão que pode se encaminhar em várias direções. Por um lado, há mesmo pessoas com mais tempo livre, porque a jornada de trabalho diminuiu. Aliás, li no Estadão esta semana que seria votada uma lei diminuindo a jornada oficial de 44 para 40 horas.
Claro, tem a ver com as novas tecnologias que diminuiram o tempo necessário para algumas tarefas e também diminuíram a necessidade de mão de obra. Lembrem do mundo de desempregados no país e esses, contra a vontade, têm tempo até demais!
Mas não é porque está desempregado que o sujeito deixa de estar exposto aos muito agressivos apelos do consumo
e aí é que aparecem pivetes dizendo que têm que ter o tênis Nike ou adultos infelizes porque não ter tal ou qual coisa é ser discriminado..
E com tudo isso, é meio natural a sensação de que a maioria das pessoas parece reagir a estímulos, que nem cãozinho de Pavlov, sem espaço pra reflexão ou mesmo pra se organizar, olhar pros lados e se situar num mundo em que é cada vez mais fácil esquecer os velhos valores.
Alba |
09.20.03 - 12:10 am | #
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No caso do Brasil, que já teve a jornada reduzida de 48 pra 44 horas e agora quer reduzir pra 40, é uma questão de tentar reduzir o desemprego, fazendo partilha de trabalho - a mesma função é exercida por dois trabalhadores que repartem o trabalho e as horas. Todos ganham menos mas todos têm trabalho. Assim, ao mesmo tempo que se criam horas ociosas e rendimentos menores, evita-se o desemprego de trabalhadores que poderiam ser demitidos e gera-se novos empregos para trabalhadores desempregados.
É isso ou estou enganada?
Não sei se 4 horas a menos é significativo para a geração de empregos... também não sei se os encargos trabalhistas de contratação, que são bem altos e muitas vezes inibidores, impedem que essa diminuição da jornada tenha efeitos positivos no mercado de trabalho.
Mas como foi que começamos a discutir jornada de trabalho? hahahahaha Ahhhh, foi o lance do ócio... 
Olivia |
Homepage |
09.20.03 - 12:41 am | #
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Mas a jornada de trabalho reduzida é sempre contra o desemprego(por isso o exemplo dos carros, acima).
Oly: Obrigado pelo emal.
Sdorsi |
09.20.03 - 1:45 am | #
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Permitam-me discordar. Um dos "lemas" da minha vida é : "tudo na vida é passageiro, menos o motorista e o cobrador". Assim, para mim o melhor da vida é hoje; quando tinha 18 o melhor da vida era ali; quando tinha 25 idem; não acredito quando pessoas mais velhas me dizem: no meu tempo tudo era muito melhor ( no meu tempo amarravam cachorros com linguiça). Como diz a Marina ( não resisti e voltei pra novela) : "a fila anda".E, olhem, não estou sozinha nisso: minha avó que vai fazer 80 anos no dia 02/10 sempre dizia e diz hoje: "o melhor da minha vida é agora".
E tem também a música: "o melhor lugar do mundo é aqui e agora".
E não é porque atualmente esteja mais feliz; mesmo quando me sentia infeliz nunca quis voltar a um passado feliz. E olha só Oly: não tem mais Elis, mas tem a Maria Rita. Se não vimos o cometa Halley (ou ele passou?) vimos Marte pertinho da Terra. É assim: "pra frente que atrás vem gente".
p.s: to achando que o presidente me contaminou com as frases feitas 
Diana Palmer |
09.20.03 - 1:57 am | #
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Mas eu não falei que queria voltar atrás e viver no passado e sim melhorar o presente... Ter saudades não quer dizer que a pessoa não gosta de viver no presente. A memória é uma forma de aprendizado. Se não tivesséssemos conhecido algo bom um dia, talvez não soubéssemos discernir o joio do trigo e não tentaríamos melhorar nada no nosso presente.
Olivia |
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09.20.03 - 9:45 am | #
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Diana: o post de frases feitas já passou há meses! A fila já andou 
E vem cá, que alarme falso foi aquele de que a Marta e o namorado estavam separados? Só se fala nesse casamento! 
Olivia |
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09.20.03 - 9:50 am | #
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Di, Admiro pessoas que pensam como você. Meu marido é assim,o que o torna um tanto quanto mais dinâmico do que eu em certas coisas.
Eu, apesar de também acreditar piamente que o melhor lugar do mundo é aqui e agora, gosto de sentir saudades do que foi bom. Como também gosto de ouvir e contar histórias, sabe? Aquela coisa de relembrar passagens, casos e "causos".
Eu sou um pouco saudosista, adoro ver fotos antigas da família, admirar as roupas, os penteados, a paisagem que mudou; ver como era a Av. Paulista na época dos casarões e charretes. Sem tristeza nem lamentações, sem querer voltar.
É bom olhar pra trás às vezes pra seguir em frente.
Como a Oly, sou adepta incondicional da tecnologia, adoro todos os botõezinhos que os novos aparelhos puderem oferecer, e não vivo sem as facilidades de hoje.
Mas assumo que saber o que houve "antes" muda um pouco o que eu penso depois.
Procê ter uma idéia, fiz a minha mãe contar a história da vida dela e gravei um CD pra que minha filha e quem mais vier possa ouvir quando quiser.
Acho que sou uma misturinha: uma espiadinha lá, uma encarada cá, o velho renovado, o novo maturado... 
E, como faz tempo que não faço nenhuma citação:
"como um poema novo, vecchio de tanto amor, amar"
taw |
09.20.03 - 10:02 pm | #
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Commenting by HaloScan
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