Diz aí :-)

Gravatar Sensacional e triste. Triste ver que crescemos tanto e injustamente.

Haviam 3 pilares (na minha concepção da coisa) para tanto:

Inflação - Aparentemente resolvida
Justiça - Confio na Diana Palmer para resolver a questão.
E corrupção.

Por que será que nada me tira da cabeça que de cada $100 que se pegava emprestado, ou se gerava de riqueza, neste país; $50 iam para os bolsos de espertinhos uns $30 ficavam por conta do desperdício e só vintinho viravam algum tipo de patrimônio..... E MESMO ASSIM CRESCEU-SE 100X !!!!!


Gravatar Diana Palmer: positivo e operante fazendo a sua parte


Gravatar Concordo com o Sdorsi. Por um lado, é muito bom ler (e li no Estadão e na Folha de hoje sobre a pesquisa do IBGE) - que muita coisa se transformou no Brasil. Por outro lado, a indecente concentração de renda continua, quase imutável.
Uma geração inteira, a que nasceu na "década perdida"de 80, não encontra trabalho ao chegar ao mercado mas mesmo assim o país cresceu 100 vezes!
Já imaginaram se a desigualdade fosse menor e se houvessem mesmo oportunidades para todos?
Uma reflexão: o Celso Furtado, que foi homenageado pelo IBGE no lançamento do livro, disse que apesar de tudo, o Brasil não tem vontade de mudar. O que acham disso?


Gravatar Imagina se o Brasil fosse um país de oportunidades, sem corrupção... meu deus, seria o paraíso na terra!

Alba, o povo votou no Lula e isso é querer mudança. Mas de qualquer forma, não sei se falta vontade ou se o povo tem medo, principalmente a classe mérdia.

Mas... é como ouvi ontem: jacaré que fica parado vira bolsa de madame!


Gravatar Alba,
qual Brasil não tem vontade de mudar?
O Brasil-cidadão ou o Brasil-Coorporação?

Acho que o Brasil-cidadão gostaria de mudar, mas durante as décadas de afogamento cultural e educacional, não sabe por onde ou se pode começar a fazer alguma coisa. Tem medo do Brasil-Coorporação (esse sim, não tem mesmo vontade de mudar), que ainda discrimina, pune e judia.

Sem impunidade e com os direitos garantidos no papel e na cultura sendo exercidos, mudaria muita coisa.

Se o Gugu(urgh!) quando vai fazer depoimento na polícia fala que é amigo pessoal do governador pra tentar se livrar, é sinal de que o apadrinhamento, o debaixo dos panos, as regalias, corrupção e ladroagem ainda são convenientes para o "Brasil que manda" e interfere na vida de cada indivíduo.

Nos acostumamos à acreditar que tudo um dia vai mudar. De vez em quando eles prendem um, outro, só pra acalmar nossos ânimos. Mas inconscientemente (ou conscientemente mesmo), sentimos que se nós não nos virarmos com a nossa própria vida, cotidiano e micro-universo, iremos sucumbir. E não iremos mesmo?

Ficamos torcendo para aparecer um mártir e chamar a atenção do mundo para os nossos problemas tentando resolvê-los por nós. Torcemos pra mais um Chico Mendes e aí vem um Bush cuja música de cabeceira é "Tô nem aí".
Torcemos e admiramos os que têm voz lá dentro e coragem para usá-la, mas não vamos lá dar a mão. Culpa nossa? Não, de jeito nenhum. Culpa da lobotomia cultural que sofremos, da necessidade de matar dois leões por um centímetro de sonho, e um Tiranossauro Rex por mês para manter a mente livre e continuar sonhando.

Não é pessimismo, é realismo. Basta ver a concentração de riquezas no relatório do IBGE, a desigualdade, a conveniência exposta nessas duas décadas.

Por isso, eu acho, nos unimos, nos procuramos. Precisamos trocar idéias, perceber que há mais pessoas querendo o mesmo para o Brasil e não desanimar de vez com relação à administração do país abençoado por Deus e bonito por natureza, cada ano mais descascado.


Gravatar Gugurgh

Taw anda tão falante, bom isso !

Minha percepção, é que Tancredo eram as diretas já, Collor (caçador de Marajás) era mais à esquerda, assim como o PSDB tinheum posicionamento mais social.

Eu não votei no Lula, por coerência de não querer o PT que romperia contratos, fecharia o pais, des-privatizaria e queria imposto de renda de 50%. Por coerência não podia acreditar na campanha light contra o que sempre pregaram. Mas torci e achava certa esta vitória.

Torci, porque achava que era a única chance de se fazer as reformas (iniciais) que tem de ser feitas.
Estava certo, porque justamente vejo-o como a posição à esquerda seguinte ao PSDB.

Por isso acho que o conservadorismo e status quo não tem muita sobrevida. Já fui otimista para um Brasil Legal paranós, passou, ms acredito bem para os nossos filhos (para quem tem a sorte de os ter).


Gravatar Sabemos de algumas pessoas lá no topo (e cá embaixo também) que são o ó e não confiaríamos nem nossos inimigos, se os tivéssemos, a elas. São demagogos, oportunistas, corruptos e amorais.

Por outro lado, tenho conhecido algumas pessoas importantes e seríssimas no cenário de formulação de políticas públicas que estão em posição de mudar muita coisa e estão dispostas e trabalhando com afinco, mesmo sabendo que é preciso diplomacia, cautela, paciência, muito debate com a sociedade, etc. Fato é que tem muita coisa mudando por conta de pessoas sérias, estudiosas e atentas, que finalmente estão tendo a oportunidade de fazer alguma coisa. Muito animador.

Fico dividida ao ver as duas faces da moeda. Quem vai ganhar, não sei, mas espero que seja o bem. Acho que faço a minha parte também.

Exceto hoje que joguei no jacaré. Alguém sabe que bicho deu hoje?


Gravatar Bom, pessoal, como não expliquei exatamente o que o Celso furtado disse, aí vai a transcrição da Folha de ontem:
"Sociedade não quer mudar, diz Celso Furtado
DA SUCURSAL DO RIO

O economista Celso Furtado, 83, homenageado ontem pelo IBGE, no lançamento da publicação "Estatísticas do Século XX", disse que o Brasil já aceita diagnosticar seus problemas, mas a sociedade parece não ter vontade de mudar.
"Os problemas estão todos expostos. Ninguém tem dúvida de que é preciso desconcentrar a renda, mas ninguém faz isso. O problema é muito mais de um imobilismo crônico de uma sociedade que não tem vontade de mudar. Aceitam a problemática, o diagnóstico, respeitam, elogiam, homenageiam, mas depois...", afirmou Furtado, provocando risos na platéia, pois ele acabara de receber uma comenda do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Para o economista -ministro do Planejamento do governo João Goulart (1961-1964) e autor do clássico "Formação Econômica do Brasil"-, o Brasil tentou ocultar seus problemas no passado.
Segundo Furtado, das mudanças apontadas no século, algumas foram positivas, outras negativas.
"O Brasil não conseguiu ainda uma fórmula de evitar a concentração de renda. Os meios para resolver o problema e encontrar soluções são limitados", declarou Furtado, que, no mês passado, foi lançado por especialistas brasileiros como candidato ao Prêmio Nobel de Economia.
Na avaliação do ministro do Planejamento, Guido Mantega, que também esteve ontem na cerimônia, o desafio para o Brasil no século 21 é crescer com distribuição de renda.
"Nos 100 anos do século passado, o Brasil cresceu 80 e ficou patinando durante 20. No século 21, espero que cresça pelo menos 80 com taxas elevadas, mas o país não conseguirá alcançar as nações desenvolvidas se não resolver a distribuição de renda", afirmou o ministro.
A cerimônia no Rio de Janeiro foi marcada por um protesto: funcionários aproveitaram a presença de Mantega e colocaram uma faixa cobrando aumento salarial. "Estatísticas do século 20, salários do século 19", dizia a faixa.


Gravatar Eu até acho que o Celso Furtado tá meio desanimado, afinal está com 83 anos e também já foi ministro do Jango, tem acompanhado esse processo há muito tempo..
Eu, na verdade, não penso que as pessoas estejam conformadas. Estão acuadas com o encarecimento de bens essenciais, com a dificuldade de manter o padrão de vida - desalentadas com uma economia que já não cresce há anos e que vai levar outro tanto pra deslanchar quando isso começar a ocorrer - porque "espetáculo do crescimento" só observo, francamente, nos discursos oficiais.
Por outro lado, acredito que haja pessoas sérias, pensando alternativas possíveis. Só gostaria de me sentir menos decepcionada e triste com coisas e declarações deste governo, embora, em sã consciência, não tenha me iludido com o PT, que já vinha mudando há muito tempo antes da eleição presidencial...


Gravatar Entendi, Alba. É como dizem por aí: o encefalograma da distribuição de renda no Brasil é o de um morto: não muda.

Mas acho que estamos vivendo uma nova era no Brasil. Mesmo com toda a corrupção, o problema saiu do armário e já se fala sobre ele abertamente e se estuda a fundo a melhor solução. Isso já é muito comparado ao nada que tínhamos antes, não?

Talvez nossos netinhos... quem sabe?


Gravatar Espero que esteja certa, Oly. Espero mesmo! Sempre é melhor quando os escândalos vêm à tona. Diminui a margem de manobra dos corruptos. MAs entendo perfeitamente o desânimo de quem vive na esperança há mais tempo.
;(


Gravatar Eu, eterno otimista, continuo enxergando a coisa pelo lado bom.

Me lembro quando o Sarney assumiu, meu pai e muito empresário preocupado com a Nova República.

Somos uma democracia nova e estamos no terceiro presidente eleito pelo voto (e como disse acima, cada vez mais a esquerda).

Este grande desenvolvimento do pais se deu sobre um pais extremamente agrário (e monocultor)para um pais industrial e sobre duas grandes ditaduras.

Passamos 10 anos para vencer a inflação (o maior concentrador de riqueza que há) e outros 10 (tomara) para vencer os juros extorcivos e credibilidade internacional.

Só para voces terem uma idéia, em 1990, um título brasileiro lá fora era negociado por 25% do seu valor, tal a "certeza" de que um credor iria receber aquela dívida.


Gravatar Bom, o Brasil mudou. Só que não deixou o endereço...

Abrax do Chuv


Gravatar Chuv
amei!


Gravatar Gente, quem me conhece sabe que sou otimista por natureza. Como diz a Alba, meu lado Pollyana procura o lado bom em tudo.

Não estou jogando a toalha, mas não quero mais a Pollyana vendo tudo embaçado.
Sou uma crente: creio que tudo pode mudar, sim; que tem gente boa batalhando, gente séria trabalhando. Nunca vou deixar de acreditar, senão minha alma fica pequena e nada vai valer a pena.

Mesmo assim,eu acho, essas mudanças todas estão mais para sinal dos tempos do que para conquista... foi preciso abrir, mostrar... o mundo está assim. O Brasil não poderia fingir de morto.
Diferente dos países que vivem em situação miserável, o nosso carrega o estigma de "potência do futuro", "chefe da américa latina" etc. etc....

Tanto que a ditadura militar (Alba, plís, me corrija se eu estiver babando ostra) começou e terminou quando "eles" quiseram. a despeito de tanta luta e inconformismo da população. Perdemos tantas jóias! Tantas pessoas!

Será que por "iniciativa própria" teríamos evoluído para o hoje?

Será que as pessoas sérias e batalhadoras de hoje estão podendo lutar pela justiça e por um Brasil melhor porque "eles" estão deixando?


Gravatar puxa gente....e eu pensando que era a única adepta da teoria da conspiração....


Gravatar Di: teoria da conspiração??

Conta tudo!



Gravatar não posso taw... "eles" estão me vigiando


Gravatar Saiu hoje o atlas de desenvolvimento humano no brasil, coordenado pelo pnud.
Números interessantes:

Maior índice de desenvolvimento humano (qto mais perto de 1, melhor):
São Caetano do Sul (SP) - 0,919
Águas de São Pedro (SP) - 0,908
Niterói (RJ) - 0,886
Florianópolis (SC) - 0,875
Santos (SP) - 0,871

Menor índice de desenvolvimento humano:
Manari (PE) - 0,467
Jordão (AC) - 0,475
Guaribas (PI) - 0,479
Traipu (AL) - 0,479
Centro do Guilherme (MA) - 0,484

Maior renda per capita (em R$):
Águas de São Pedro (SP) - 954,65
São Caetano do Sul (SP) - 834,00
Niterói (RJ) - 809,18
Santana de Parnaíba (SP) - 762,05
Santos (SP) - 729,62

Menor renda per capita:
Centro do Guilherme (MA) - 28,38
Manari (PE) - 30,43
Belágua (MA) - 31,93
Jordão (AC) - 34,53
Santo Amaro do Maranhão (MA) - 35,13

E uma que me impressionou: O Guarujá é o município que tem o 5o. maior número de habitantes em favelas: 32,76% da população!

Cansei vocês com tantas estatísticas?



Gravatar No mais, joguei no jacaré e deu borboleta.

Detalhe: a patricinha de beverly hills aqui pergunta pro bicheiro: dá pra ver o resultado na internet?

Aquela que está fazendo curso intensivo de loirice


Oly


Gravatar Quem diria, São Caetano... aqui pertinho.

Di: deixa "eles" pra lá.

O sonho acabou, mas ainda tem pão doce!


Gravatar Quem diria, Niterói, é só cruzar a ponte... Aliás, o IDH dentro das cidades, de bairro pra bairro é uma barbaridade ainda maior do que o dos municípios. Aqui no Rio, por exemplo, se você está na Gávea e atravessa a rua, chega na Rocinha e perde 20 anos de expectativa de vida! E pior, não é porque foi atropelado não!

Pano rápido:
"No Brasil quem deve não teme"
Millôr, claro.

Ou, como dizia outro gênio, meu pai:
"Quem não deve não TEM".



Gravatar Oly, teu pai era ótimo! Adorei o que não deve, não TEM!

Por outro lado, Taw, acho que você, como eu e como a Oly e o Sdorsi estamos no número Brasileiro, profissão esperança mesmo. Claro que muita coisa mudou pra melhor, mas o rastro do que faltou mudar ainda pesa e muito.

Estou falante à beça, então me desculpem pela extensão, mas vou contar uns casinhos da minha experiência em sala de aula.

Em primeiro lugar, quero compartilhar meu pasmo com vocês: outro dia faltou um professor de última hora e a diretora veio me perguntar o que eu achava de mostrar pros meninos o filme o Pianista. Falei que achava ótimo, até porque no 2o. Colegial combinava com meu programa. Pois bem. Falei um pouquinho do filme antes de começar e fui dar minhas aulas em outras salas.

Quando deu o sinal do fim das aulas, os meninos estavam todos pendurados no filme, que é longo e fiquei com eles, mesmo depois do horário. Qual não foiu minha surpresa, quando uma menina me perguntou: o que é judeü?
Outro me perguntou se a Segunda Guerra era uma coisa separada do holocausto. Enfim...
(continua)


Gravatar Daí começaram as minhas preocupações. Que raio de escola é essa que não ensina fatos recentes, que eu dava por mais que sabidos?

Que sociedade é essa que, conforme o PNUD, citado pela Oly, têm maior mobilidade social e portanto, menor desigualdade social, nos municípios onde os números da educação melhoraram?

O que questiono é que tipo de educação, afinal. Trabalho numa escola de classe média, mas o índice de alienação e até de compreensão de leitura poderia ser africano pelas coisas que ouvi. Havia aqueles, que por exemplo, não sabiam que protestantes são cristãos, tanto quanto os católicos.

Então, pra encerrar, fico chocada quando leio no Estadão de hoje que Lula declara que a resolução dos problemas passa pelo uso da "criatividade" - sem necessitar de dinheiro. Ora, se o necessário é a criatividade, pra que governo?

Sei, estou sendo reducionista. Mas reparem, ele foi antes de mim, tá?


Gravatar Taw, querida. Quem sou eu pra corrigir alguém..Mas a ditadura só acabou porque estava exausta, muita gente querendo mudança e, principalmente, porque o financiamento ficou escasso.Daí a década perdida de 80.

A corrupcão continua? Claro, é só ler os jornais. Mas ainda tem imprensa livre. Por mais comprometida que seja, como a Arrrrgh Veja, ainda é uma alento...


Gravatar Alba, sinceramente, absurdo é pouco. É surreal. Faz tempo que fico pasma com a moçada de hoje. Faço de um tudo para passar o máximo de interesse para minhas sobrinhas adolescentes.
Da última vez que dormiram aqui, assistiram "Frida", e aí me encheram de perguntas e ficaram surpresas por entender finalmente o que a Adriana Calcanhoto queria dizer com "cores de Frida Khalo".
Aí vem a segunda-feira e elas têm apenas uma vaga idéia de tudo.
Menos mal.
Melhor uma vaga idéia do que idéia nenhuma.

Se eu disser que dois primos também adolescentes não souberam me explicar a diferença entre polenta e purulenta alguém acredita?
Pois...


Gravatar Pois é, Taw. A gente precisa fazer alguma coisa, acho. Eu levo os meninos ao cinema sempre que posso e faço mais umas coisinhas. Mas é pouco, muito pouco..

Por outro lado, lembrei doq eu queria falar ao mencionar duas coisas a comentar (sorry, tô ficando senil)No livro "Estatísticas do século 20" menciona-se a transformação do papel da mulher. A Folha publicou uma matéria que achei ótima a respeito. Daí, vou transcrever e espero que tenham paciência pra ler, pq achei legal..


Gravatar Desde Eva, 93, até Andréa, 28
CYNARA MENEZES
FREE LANCE PARA A FOLHA

A dona-de-casa Maria Thereza dos Santos Lima, 74, lembra como se fosse hoje do dia em que entrou numa loja de São Paulo para comprar a primeira calça comprida, um modelo de lã azul-marinho. "Foi nos anos 50, eu já tinha quatro anos de casada", conta, impressionada com o escândalo que isso ainda causava. "Minha sogra dizia: "Mulher que usa calça comprida não presta"."
Sua mãe, Eva Ribeiro dos Santos, 93, sente algo parecido agora. "As mulheres usam calça até para ir à missa", espanta-se. Igualzinho a Maria Thereza com a filha, Roseana de Lima, 47, durante os anos 70, no auge da minissaia: "Era um pedacinho de tecido de um palmo só!".
Com a moda como paradigma, tudo mudou na vida das mulheres brasileiras durante o século 20: passaram a votar, a estudar e a ter uma carreira própria, a controlar o número de filhos no Brasil.
Na família Lima foi assim: a matriarca Eva pariu nove e ainda criou os três do marido viúvo; sua filha Maria Thereza teve cinco; Roseana deu à luz três crianças; e Andréa de Lima Lucato, 28, casada há quatro anos, ainda não teve nenhum, resistindo aos apelos de Roseana para fazer Eva virar logo tataravó.
Como no Brasil, na escolaridade a curva é inversa. Enquanto a bisa só lê e escreve, sua filha Maria Thereza concluiu o primeiro grau, Roseana chegou a cursar educação física (que abandonou por causa das crianças) e Andréa faz faculdade de história.
Filha de lavradores, Eva não trabalhou fora. "Antes as mulheres não davam um passo sem o marido. Hoje são muito mais espertas, mandam nos homens", provoca.
Roseana, aos 18, acabou casando grávida. "Lá em casa, sexo não era assunto proibido: não era assunto", conta. Na época de Maria Thereza era pior. Quando as radionovelas transmitiam as passagens românticas, chegava a sair da sala por vergonha do pai. E revela: "Nunca beijei em público".
Já Andréa podia, aos 16, até dormir na casa do namorado. Com o marido, experimenta uma relação bem diferente da que tinha a bisavó com o seu. "Saio sozinha para dançar, trabalho à noite e isso não é um problema."
Um aspecto une as gerações: necessário, o divórcio não é algo a ser comemorado. "No meu tempo, fosse o marido ruim ou bom, tinha que aguentar para sempre. Mas hoje tem gente que, por qualquer razão, separa", lamenta dona Eva. A bisneta concorda. "A liberdade de se separar é boa, mas as pessoas passaram a não ter disposição de vencer os desafios dentro do casamento."
A tal independência também tem suas desvantagens. Roseana, a primeira mulher da família a se divorciar, admite: "Jamais viveria sendo submissa a um homem por ser dependente dele, mas às vezes bate a falta de um colinho...".


Gravatar Isso, achei muito legal! Pelo menos aí, progredimos, né?


Gravatar Oba, adoro quando vou dormir cedo e vejo de manhã que o pessoal se animou a conversar! Também acordei falante.

Alba, você foi direto investigar e comparar o mesmo número que eu quando li a pesquisa do Pnud (e já sabia que a resposta seria SIM): será que os maiores IDHs, as melhores rendas per capita e maiores mobilidades sociais tem a ver com educação? Claro que tem e as estatísticas, apesar de algumas vezes safadas, não mentem...

(quem quiser ver a pesquisa toda, está em html, por ordem decrescente ou alfabética de municípios, em www.pnud.org.br)

Outra coisa, sobre os improvisos do Lula e essa história de criatividade. Realmente, é muito bom ser criativo e ajuda em tudo. Agora, ele não pode ficar dando seu próprio exemplo para o país inteiro porque sabemos que ele é uma excessão e que acaba desestimulando a educação. Um dos grandes erros que se vê por aí em programas e bolsas de auxílio à educação é que pega-se UM menino genial da favela e dá-se uma oportunidade para ele. Depois fazem um escarcéu dizendo "olha que legal, o cara veio de uma favela e subiu na vida, é só querer, se a pessoa se esforça, chega lá, foi 'inserido' na sociedade". Mas não é por aí. É como o próprio Lula que é apenas UM metalúrgico que chegou à presidência. São excessões. O resto continua lá, muito provavelmente no mesmo lugar.

Não sei se estou sendo clara. O que acontece é que não existem programas que dêem oportunidades iguais de ensino e desenvolvimento a todos os jovens carentes. Não se pode pegar um garoto genial e tirá-lo da comunidade onde vive porque ele é genial.

O que falta são programas de incentivo à educação para todos, programas que façam com que esses jovens de comunidades de baixa renda ingressem na universidade, pagando uma contrapartida social e voltem para suas comunidades para melhorá-las e tornarem-nas mais ricas em capital humano, o que seria a pedra fundamental para o desenvolvimento local. Se não for isso, não há saneamento básico que faça com que a comunidade melhore. Tem que vir junto com a educação.

Ufa, falei muito


Gravatar Taw e Alba: sobre o que os jovens sabem ou não, outro dia minha sobrinha de 8 anos veio dormir aqui em casa e queria ouvir música. Eu perguntei qual ela queria ouvir e ela disse "Tem Chico Buarque?". Fiquei comovida! Depois minha irmã disse que faz questão de colocar músicas boas em casa pra ela crescer sabendo e conhecendo o que é bom.

Mas quanto a isso, Alba, apesar da mulher ter conquistado muito espaço em todos os campos, ela também tem passado muito tempo fora por conta do trabalho e as crianças ficam entregues à programação da televisão que, sabemos, não é das mais educativas...


Gravatar Excessão ou exceção? Ai ai ai... A rota falando na educação esfarrapada


Gravatar Oly, eu concordo com você a respeito do garoto da favela que é um gênio e tal e dá certo na vida. Faltam programas para os não gênios, que apesar de não sê-lo, continuam sendo gente, que merece coisa melhor que ser vendedor de drops em cruzamentos ou pedinte ou ainda olheiro de traficante.

Apesar dos números da educação terem melhorado, ainda falta muito pra educação em todos os níveis ser decente. Tá bom que os jovens pouco lêem, apenas cultuam imagens e que é difícil brigar contra isso. Têm um mundo de informação disponível e nunca foram tão ignorantes. E aí, não é só problema dos coitadinhos da periferia. É em toda parte, inclusive as grandes escolas de elite, que classificam o seu público por nível: tem a turma fraca, média e forte.Adivinhem se a turma "fraca" não é igualzinha às turmas de periferia?


Gravatar Absurdo é não saber ler e escrever...se è verdade aquilo de as pessoas ficarem 4-5 anos na escola e não saberem escrever, i quit !!!!

Sério que fora a nossa lingua e matemática, o reto eu acho super relativo.

O que muda na vida de alguém de outro país, achar que a capital do Brasil é Buenos Aires ? No quiznet/Fabrica, tantas vezes eu chutei a capital da eslovênia...

A lingua para compreender e se comunicar e a matemática para somar as calorias...isto basta para uma vida.

Acho as pessoas de hoje, menos cultas sobre o passado, mas muito mais atualizados do que eu, na minha adolescencia.

A velocidade da informação mudou o mundo..

(tô longe)


Gravatar Que conversa boa essa!

Alba: como é mesmo o nome daquele exame internacional? PISA?

Bom, nesse exame o Brasil ficou péssimo. E o pior de tudo é que ficou muito ruim até nas escolas particulares. Parece que o nível dos estudantes das escolas particulares se igualava aos piores níveis de outros países...

Ou seja, o cara pode até aprender a ler, mas ainda não sabe pensar no que lê e compreender a leitura... isso não é problema do cara somente, é da capacitação dos professores, não?


Gravatar Contar calorias, essa foi boa


Gravatar É mesmo, Oly. Tem um monte de gente dando aulas sem ter vocação pra isso, fora os que estão desestimulados, mal pagos, sem recursos e tudo mais.

Sdorsi, concordo que não é fundamental saber a capital nem da Argentina, nem da Eslovênia. Mas saber o que um texto quer dizer é fundamental! Aí é que está o problema, até por conta das escolas viciadas em decoreba. Se o estudante não aprende a pensar, nada caminha, inclusive a matemática e o português..




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