Diz aí :-)

Gravatar Muito bom este tema, porque estou precisando ser convencido ao desarmamento.

Minha tendência é contra a proibição, por um zilhão de motivos:

Odeio estas medidads do tipo, vamos penalizar os que andam na lei, já que não controlamos os fora da lei.

É assim com os impostos, onde quem paga, paga muito mais pelos que sonegam.

É assim com tudo !

Agora pouco, uma discussão quente aqui em SP era sobre o aumento do rodízio de carros. Chegava-se até a falar em um 2o.dia de carro na garagem.

Francamente, se hoje mal 75% dos carros respeitam o rodízio, se 1/3 da frota é ilegal e não paga IPVA, nem multas. Chega a ser ridículo falar aos que cumprem as leis em ficar quase a metade dos dias úteis, sem poder utilizar seu carro.


Gravatar sou filiada de carteirinha à ala pacifista radical dos contra as armas, quaisquer que sejam. fosse eu presidente, baixava logo um decreto pra proibir a fabricação até de armas de brinquedo, mesmo as que esguicham água. ou mandava fazer com que todas atirassem flores e bonbons.

no entanto, no caso do desarmamento, sou contra. está gastando um dinheirão com uma campanha tapa-buraco inútil quando a verba pode ser investida no combate à violência real.


Gravatar alba, o artigo do fiuza no nominimo é esclarecedor da minha opinião. eu quase sempre discordo dele (mesmo sendo ele um excelente escritor e de boa lábia), mas dessa vez tive que concordar. aliás, pouquíssimas pessoas que eu conheço vão votar pelo NÃO e ficam abismadas que eu vou.

vocês vão votar pelo SIM ou pelo NÃO?

Oly


Gravatar que tal esse título tudo a ver (modéstia à parte)pro tema?

O TIRO QUE VAI SAIR PELA CULATRA!:LOL:

Oly


Gravatar Oly e Sdorsi,

Como disse no post, pra mim a questão do desarmamaneto estava dada. Como a Oly, sou radicalmente contra as armas, ainda mais numa sociedade violenta como a nossa, cheia de mortes por motivos fúteis, em que não custa alguém puxar o trabuco por conta de uma briga de trânsito.

Mas não só a campanha me incomoda pelo gasto de milhões no que parece mais uma maquiagem da realidade, como todo o resto desse glorioso governo não autoriza ter esperanças de um esforço sério para de fato, não digo resolver, mas pelo menos, minimizar o problema.

Sem investimento pesado em segurança, contratação e treinamento de policiais, salário digno e coisa e loisa, quem garante que o desarmamamento não vai apenas estimular o tráfico de armas e reforçar o crime?


Gravatar Essa acima sou eu, tsc, tsc..

Oly, como título, tá ótimo! Aliás, também compartilho a opinião sobre o artigo do Fiuza. Ele é muitas vezes irritante, até porque escreve muito bem, mas no caso, me parece bem lúcido, viu?


Gravatar Sdorsi,

Às vezes, eu também acho que no final, a gente acaba pagando pelos sonegadores de tudo e de várias formas..


Gravatar alba, pelo mesmo motivo sou a favor da liberalização das drogas. proibir não leva a nenhum resultado positivo, muito pelo contrário. o buraco é beeeem mais embaixo.

o investimento pesado em segurança tem que vir junto com investimento pesado em educação, senão continua sendo tapa-buraco, não acha?


Gravatar Pois é, educação continua sendo só tema de discurso pré eleitoral. É aquela velha história. Se eu ganhasse 10 centavos por cada discurso que já li, tava com a vida ganha.

Mas voltando ao governo,como acreditar num que NÂO GASTA nem as verbas do orçamento de Saúde? Matéria de ontem na Folha: "Ministério da Saúde gasta apenas 5,59% do orçamento de 2005"
Não é lindo?


Gravatar Na época da lei seca, o que se ganhou com a proibição da bebida alcóolica? O contrabando, a máfia, a violência. Da mesma forma vai acontecer com a proibição das armas, só vai criar mais um mercado clandestino e muito mais perigoso. E não acredito que as armas para defesa doméstica sirvam como lema para "desarmamento". Os crimes com elas cometidos são nada perto da violência urbana, dos bandidos armados com armas de guerra, fuzis e metralhadoras.


Gravatar Essa campanha tá com cara de camuflagem, pra embaçar o verdadeiro problema, que é do governo, dos altos escalões. Sem contar que parece coisa de conspiração para enfraquecer a população e fabricar corpos dóceis. Mais dóceis do que os brasileiros já são.
No entanto, ODEIO armas, não as compreendo e como a Oly, preferia que saíssem flores delas. Mas ainda assim, voto contra o desarmamento. Não me parece a coisa certa na hora certa.

Vou ler o Fiúza...


Gravatar Eu voto Não.
Como a Oly e Alba,e provavelmente quase todos aqui, sou absolutamente contra as armas.
Meu "não" não simboliza "sim" às armas e a violência como estão tentando nos sensibilizar no discurso pseudo-pacifista-utópico da campanha.
Do jeito que estão colocando as coisas, quem vota "não" está à favor dos assassinatos de freiras e trabalhadores nas florestas e cidades.
É isso que me deixa doida!

O buraco nem é mais embaixo! É ali, no centro, do lado, na nossa cara e estão tentando dizer que não é.

E, quer saber? É terrível a sensação de que estão menosprezando nossa inteligência...


Gravatar Em tempo:
Os dois lados da campanha estão errados.
Tanto a retranca do sim, quando a do não.


Gravatar a campanha está fora de hora e fora de foco...


Gravatar Meu maior argumento para o NÂO ao desarmamento, é justamnete saber que jamais defendo quem compra uma arma pela inficiência da polícia.

Não sou a favor da Lei de Hamurabi.
O que não sei exatamente, são os que precisam de armas: Aí vai desde o proprietário de terra, longe da civilidade até o cidadão que "acha" que protegerá sua família e/ou patrimônio, possuindo uma.

Se os inimigos a têm, eles tem direito de ter.

Afora isto, mesmo dizendo que isto não é argumento, não quero dar mais esta ARMA à incopetencia do governo, ou seja: "Já que não conseguimos combater o crime satisfatoriamente, vamos fingir que as armas não existem".

Sou a favor do armamento. MAs sou totalmente contra o PORTE da arma. Como alguém vai comprar esta arma e levar ao seu PATRIMÔNIO problema dele e corre mesmo o risco de tê-la confiscada. E ESTA LEI JÁ EXISTE !


Gravatar Sabe o que me lembra essa campanha do desarmamento? A campanha contra as queimadas, que continuam alegremente, todos os anos, porque é mais rápido e aparentemente mais eficiente queimar do que usar outro método para limpar o solo para o cultivo.

Pois bem, há agricultores que fazem isso porque são ignorantes ou não dispõem de outros meios. Mas há os grandes proprietários que TAMBÉM fazem isso porque não estão nem aí com a conservação do solo.

Solução? Vamos jogar a culpa em todos indiscriminadamente. Afinal, se a culpa é de todos, é de ninguém. E assim balança a carruagem...


Gravatar Estou cansada da covardia e da incompetência e principalmente desse expediente chinfrim de socializar os prejuízos!


Gravatar isso é pular etapas, não é? os governantes brasileiros têm visão curta, enxergam somente o tanto que dura um mandato.

gentem, e que tal a mais nova pérola de humildade improvisada do lula?

Oly


Gravatar Alguém pode me explicar a transposição do Rio São Francisco?
Assim, tecnicamente (pero no mucho).
Procurei e não achei (pero no mucho)


Gravatar Hoje à noite, eu te conto, Tawzinha. Já rendeu o maior debate com meus alunos. A propósito, dê um pulo no seguinte site: www.umavidapelavida.com.br . É sobre o bispo que está em greve. Comentários depois...


Gravatar Eu gostei da comparação que o Fiuza fez com a campanha dos cigarros. Os maços vem com fotos pungentes e verdadeiras e ter que vê-las todos os dias vai minando pouco a pouco o desejo da pessoa, vai infiltrando uma nova forma de raciocínio a respeito do assunto.


Gravatar Brankinha,

No quesito fotos nos maços de cigarro,eu que sou fumante, sou obrigada a discordar. Nem olho aquelas coisas horrorosas! Aliás, minha irmã que também é fumante, pensa em comprar uma cigarreira...

A questão do cerco ao cigarro, acho, é uma discussão diferente. Pode ter valor para esclarecer futuros fumantes, mas não acredito que influencia os fumantes. Pode até incomodar, irritar, mas não os faz deixar de fumar.

Aliás, é uma campanha de saúde pública a que tenho reservas, como a "criminalização" do fumante. Mas me parece que a questão das armas toca um universo diferente e bem mais amplo.

A violência já atinge níveis assustadores. Faltam empregos, oportunidades, educação, tanta coisa!
(cont)


Gravatar Aí, não se trata apenas de esclarecer, como no caso do cigarro. É preciso investir em segurança, em educação, como foi dito acima e principalmente, é necessário trabalhar para que o país cresça e comece a dar horizonte aos seus habitantes. Quando a novela da vez fala dos milhares de brasileiros imigrantes é porque muita coisa vai mal e há muito tempo, não acha?


Gravatar Taw:
Resumindo bem resumidinho, é o seguinte: o projeto de transposição prevê o escoamento de 1% da vazão do São Francisco para os estados que o rio não atravessa, como Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, na zona do semi-árido.

A favor: o governo argumenta que dará segurança hídrica ao sertanejo pobre e que não há risco de assoreamento do rio porque a água utilizada será pouca e estão cuidando de revitalizar as matas galerias, evitar a ocupação predatória, etc..


Gravatar Contra: os estudiosos argumentam que o rio já é usado para muitos propósitos: abastecimento, energia elétrica nos trechos de planalto, navegação, nos de planície e ainda para a irrigação de frutas entre Juazeiro e Petrolina. Já começa a sofrer assoreamento em alguns trechos e o projeto será o fim do Velho chico.
Além disso, o projeto é caro demais e pode ser substitído por alternativas mais racionais e econômicas.
Mas a principal objeção é que este projeto, ao invés de proteger o sertanejo pobre, irá reforçar ainda mais a indústria da seca.
Respondido?


Gravatar Entendi direitinho, sim, Alba. 'Brigada.

Então, tá vendo? A casa caída, e o governo juntando esforços pra aprovar um projeto eleitoreiro e fazendo um referendo insípido. E ainda prendem (séculos e many many provas depois) os Maluf. É pouco pra desviar a atenção, né?

Se juntasse os zilhões que serão gastos na transposição, mais os milhões do referendo, dava pra redistribuir a verba e pagar melhor os professores e aí sim, mudar - ainda que a longuíssimo prazo - esse país.

(tá, tô Pollyana hoje)


Gravatar Taw!

Pollyana mas engraçada, Tawzinha! Pois é, parece que tudo não passa de conversa fiada pra esconder o cheiro da pizza da impunidade do mensalão assando..

A propósito, aí vai uma notícia de hoje, na Folha de São Paulo:

Nem greve de fome de bispo faz governo cessar liberação de recursos para o projeto de transposição

Primeira fase do empreendimento deve acabar em 2006; analistas temem impacto socioeconômico

Obra no São Francisco já consome R$ 12 mi e abre polêmica no país
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Quando o bispo de Barra (BA), Luiz Flávio Cappio, interrompeu a greve de fome em troca da reabertura do debate do projeto de transposição das águas do rio São Francisco, o Tesouro Nacional registrava que a obra já havia consumido neste ano seis vezes o dinheiro público dos recursos gastos na recuperação e revitalização da bacia. Foram mais de R$ 12 milhões para a transposição contra pouco menos de R$ 2 milhões para obras de revitalização e recuperação do São Francisco.
Contratado para gerenciar a transposição das águas, o consórcio Logos-Concremat já embolsou mais de R$ 8 milhões, por exemplo. A liberação de verbas para a transposição não foi interrompida no período de dez dias de jejum do bispo, acusam dados do Tesouro Nacional pesquisados pelo gabinete do deputado distrital Augusto Carvalho (PPS).
Na quarta-feira, penúltimo dia da greve e com a negociação com o governo em curso, os cofres públicos pagaram faturas emitidas pelo 1º Batalhão de Engenharia do Exército de aluguel de tratores e máquinas de escavação e terraplanagem na cidade de Cabrobó (PE) -a mesma onde o bispo fazia greve de fome.
O Exército é responsável pelo início das obras nos dois pontos do São Francisco em que uma parcela das águas do rio será captada e levada para quatro Estados -Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba.


Gravatar O retrato obtido no Siafi (sistema de acompanhamento de gastos da União) mostra que o governo mantém planos de inaugurar metade da primeira etapa da transposição das águas do rio até dezembro de 2006, quando termina o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"É só uma questão de disponibilidade financeira", avalia Pedro Brito, chefe-de-gabinete do ministro Ciro Gomes e coordenador-geral do projeto. No cronograma oficial, a obra começa em novembro, depois da concessão de licença ambiental pelo Ibama.
Ciro Gomes avalia que os prazos ainda não estão prejudicados pela reabertura do debate sobre a transposição provocada pela greve do bispo. O ministro reconhece que o projeto é polêmico, mas afirma que a obra não pode esperar por unanimidade.

Licitação gigante
A fatia mais cara do negócio ainda é objeto de disputa. A primeira etapa da transposição das águas do rio foi dividida em 14 lotes de obras civis, com valores que variam de R$ 173 milhões a R$ 294 milhões cada um. Por essa etapa, cuja conclusão é prevista para o fim de 2007, as empreiteiras receberão R$ 3,3 bilhões, de acordo com preços estimados no edital lançado pelo governo.
Mais de 120 exemplares do documento haviam sido vendidos pela Integração Nacional -ministério que é responsável pelo projeto- até quinta-feira.
A apresentação das propostas está marcada para 7 de novembro, e cada empreiteira poderá disputar mais de um lote da obra. Ganha quem oferecer melhor preço e mostrar condições de tocar o empreendimento.
O capital social mínimo exigido para o trecho mais barato é de R$ 16,9 milhões. Trata-se do maior negócio promovido pelo governo Lula. Desde os governos militares, não há notícia de uma obra nessas dimensões.
Pelos valores, a licitação para as obras da transposição das águas do rio São Francisco só pode ser comparada atualmente no setor público à construção de plataformas de petróleo.
Além da parcela que cabe aos empreiteiros, há outros milhões envolvidos no negócio: R$ 92 milhões é o custo estimado da participação do Exército na obra; R$ 145 milhões, o custo dos nove conjuntos de bombas que ajudarão a elevar as águas do rio a uma altura de até 300 metros no trecho mais acidentado da transposição.

"Pecado"
Ao destacar os esforços do governo na revitalização do rio São Francisco, um dia pós o fim da greve de fome do bispo de Barra, o ministro Ciro Gomes levou em conta os compromissos de gastos, os chamados "empenhos" no jargão orçamentário.
Os programas de revitalização da bacia e de infra-estrutura no rio São Francisco, tocados pelos ministérios da Integração Nacional e do Meio Ambiente, tinham reservados para gastos até a última quinta-feira R$ 45,4 milhões.
A diferença entre despesas empenhadas e pagas é que os empenhos podem ser cancelados. A Folha considerou despesas já pagas as com a recuperação do rio, assim como aquelas pagas com a transposição das águas.
O gabinete do deputado distrital Augusto Carvalho detectou pagamentos até no dia da negocia


Gravatar Essa obra cheira mal....

A água vai se concentrar nas mãos de quem menos precisa.

- Da forma como o projeto de transposição foi colocado, ele atenderá diretamente a apenas 5% da superfície do semi-árido. Nenhuma das barragens da região do Seridó, por exemplo, onde o quadro das secas é mais acentuado no Rio Grande do Norte, receberá as águas da transposição.

- O problema do semi-árido nordestino não é a falta de água nos Estados envolvidos no projeto e sim a má distribuição, que não deixa a água chegar a quem mais precisa. A transposição não resolve isso. Com ela, a água será levada, basicamente, para reservatórios que atendem às áreas urbanas ou às grandes produções irrigadas, e não até as cidades mais remotas, no sertão.


Jogo de interesses.

- 70% dos açudes públicos do Nordeste não estão disponíveis para a população. Ou seja, assim, como no que se refere à reforma agrária, a influência político-econômica na distribuição da água certamente exercerá grande força.

- As águas da transposição vão passar por muitas terras, de muitos proprietários, o que, novamente, envolverá uma luta de interesses. Para começar qualquer projeto desse nível é necessário fazer também a regularização fundiária na região.

O Banco Mundial e outros Estados da região estão contra o projeto.

- A pedido do Governo Federal, o Banco Mundial analisou a viabilidade do projeto e sugeriu o adiamento da transposição, indicando que os recursos orçamentários deveriam ser investidos em sistemas de abastecimento locais, como a construção de mais adutoras e de cisternas para captação de água das chuvas; na revitalização do São Francisco e no fortalecimento do projeto Proágua Semi-Árido, que tem como objetivo garantir a ampliação da oferta de água de boa qualidade.

A perda de água com a transposição.

A evaporação no semi-árido é três vezes maior que a precipitação. A cada 4 litros armazenados, 3 evaporam. É por isso que em países como a África do Sul os reservatórios são tampados e, em Israel, a água é transportada por meio de tubulações de alta pressão.


As transposições que não deram certo.

- A China e a Índia usaram o método da transposição quando não tinham nenhuma alternativa. Hoje, ambos enfrentam problemas de racionalização dos recursos hídricos e precisam investir no revestimento e na retificação dos canais para diminuir as perdas com a evaporação e a infiltração.

- Na Espanha, o Aqueduto Tejo-Segura não conseguiu atingir seus objetivos e
precisou de uma demanda maior de água, forçando a construção de novos projetos
de transposição.

- No Peru, o projeto Chavimochic, que retira água do Rio Santa, tem graves problemas de salinização do solo e de manejo da irrigação. Outra questão foi a escolha do sistema de amortização da tarifa de água para sustentar os custos do projeto, que não gerou recursos suficientes para pagar os investimentos e custos de manutenção.

- Nos EUA, a transposição do R


Gravatar - Nos EUA, a transposição do Rio Colorado para o Rio Big Thompson gerou conflitos relacionados ao direito sobre as águas entre os estados de fronteira, além de permitir a introdução de poluentes e outros contaminantes nos reservatórios da bacia receptora.

Fonte: Uma vida pela vida


Gravatar Affe... eu imaginava que enfrentaria problemas com o governo lula. Mas - juro! - diante de tudo isso, sinto-me ingênua até.


Gravatar ó, gente, tem um texto maravilhoso sobre porque votar NÃO no referendo lá no site da jornalista cora ronai: cora.blogspot.com. vale a pena ler, texto super lúcido.

Oly


Gravatar Cês viram que o Chico Buarque está fazendo campanha para o SIM?


Gravatar Chico Buarque, Fernanda Montenegro... toda a classe artística e intelecutal respeitável desse país.
De uma certa forma, me conforta perceber que o sonho não acaba para todos.
Eles são a "minha parte boa" dessa história, aquela que acredita na paz, nas atitudes nobres.
Aquela que ainda acredita no tacape do pequeno David...


Gravatar E aí está a grande contradição: o que é ético e o que não é hipócrita.
Minha consciência não chega à doer por votar Não, mas gostaria profunda e verdadeiramente de conseguir acreditar no discurso "pacifista" pregado na campanha.

Aí, minha mesma consciência me traz luz: continua não sendo a solução, continua reforçando a contravenção, continua fortalecendo o crime organizado.


Gravatar Acho que eu já disse, né?
Tá tudo errado... tanto o discurso pelo não que diz que o cidadão tem o direito de se defender (não é por isso que voto não, de jeito nenhum), tanto o discurso pelo sim, que prega que um cidadão não tem o direito de tirar a vida de outro cidadão.
Como se fosse só isso! Como se a violência se resumisse à isso!

Voto Não para o cidadão que mata outro cidadão.
Voto Não para o contrabando de armas, drogas e a violência.
Voto Não pela necessidade de atitudes sérias, realizadoras.
Voto Não pelo discurso epidérmico, vazio.
Voto Não pela posse de armas de qualquer maneira.
Voto Não pra essa bobagem toda...


Gravatar Mudando um pouco o assunto, alguém tem alguma sugestão de livro do tipo "sem parar" pra me dar? Não sou exigentíssima, aliás, melhor que não seja hermético demais!

Beijos a todas! E todos!


Gravatar Brankinha,

Já leu Os pilares da Terra, que já sugeri uma vez, do Ken Follet? Aliás, uma vez vc disse que seu pai tinha alguns romances dele. Então, aproveite! É boa diversão, garantida!


Gravatar Oly,

To indo ver o blog da Cora Ronai!


Gravatar Taw:

Estou completamente com você. Tive uma discussão com uma amiga que alegava justamente que votar NÃO poderia ser interpretado a se aliar a canalhas como Jair Bolsonaro e Erasmo Dias e perder a companhia de Chico Buarque, Veríssimo e Fernanda Montenegro. Embarcou no emocionalismo com que a questão vem sendo tratada e não a culpo. Eu mesma não estava muito disposta a pensar a respeito.

Mas por mais admirável que seja o fato de existirem pessoas que ainda acreditam neste palco de ilusões, eu ainda prefiro que me convençam racionalmente, sem golpes baratos de marketing..


Gravatar Oly;

Muito bom o texto. Com exceção de um ou outro ponto menor, excelente e lúcida exposição!!!


Gravatar a minha vontade também é de votar sim porque sou contra as armas e votar não vai contra o que acredito. os caras estão sendo coerentes com o que acreditam no fundo, sem entrar no mérito político da questão. a gente fica entre a cruz e a caldeirinha. o problema é que o voto é apenas sim ou não, aí é f***.


Gravatar enquanto isso, na favela da rocinha... a polícia é recebida a granadas num chá de bebê. e são granadas compradas de um quartel qualquer...

enquanto isso, o governo gasta tempo (dele e nosso), esforços e milhões de reais numa campanha que vai tirar de circulação 3 mil armas de fogo compradas legalmente. até parece que alguém que é violento e mata mesmo, mata com uma arma comprada legalmente pra ser rastreado imediatamente...

que reiva, né?


Gravatar Ouvi hoje na CBN que quem já tem armas (legalizadas), vai continuar tendo. Que o resultado do referendo só vai valer "daqui pra frente", se o sim prevalecer.

E agora?


Gravatar babou!


Gravatar É como a pizza do mensalão. O referendo, já se vê, vai dar em absolutamente nada. Totalmente inócuo. É doloroso viver "neste país", como diz o grande líder.

E ainda com voto obrigatório, sem opção de anulação!


Gravatar Alba, lembrei dos Pilares sim e cheguei a procurar agora há pouco antes mesmo de ler seu comentário! mas não tem aqui perto. (Os do meu pai são pockets em inglês e estou preguiçosa...) mas vou encomendar pela internet, será o próximo. Acabei comprando "A Trilogia de Nova York", de Paul Auster.
Alguém conhece?


Gravatar Esse país está amoral, uma Sodoma e Gomorra. Penso nesse referendo como uma coisa surreal. Soa como uma ofensa à minha, à nossa inteligência.
Numa hora em que a política está desabando, nossos representantes se mostrando todos uns pilantras, a polícia desmoralizada, corrupção comendo solta, Rio e São Paulo são terra de ninguém, bandidagem mandando e desmandando, traficante dando as ordens, numa hora dessas vem uma campanha praticamente voltando os olhares e a culpa para a população de bem?

Que é isso! Vão trabalhar de verdade, parar de roubar, aplicar os impostos na saúde e educação e preparar as crianças para um futuro bonito, para agir com ética. Do jeito que está, tudo que as crianças mais admiram é ser jogador de futebol, ter um carrão e ganhar as modelos da vez.


Gravatar Nós não temos que passar por isso agora. Quero que os dinheiros roubados sejam devolvidos e nem precisa prender os ladrões, basta expulsá-los do país com passagem só de ida (sonho bom). Quero que seja dada a devida atenção à rota da cocaína e que vá se dizimando as quadrilhas pouco a pouco. Enquanto os criminosos continuarem impunes nada vai mudar porque pra todos os efeitos, o crime estará compensando.
Vou continuar tendo o carro detonado e o cd player roubado bem na porta do batalhão da polícia militar. Acontece isso toda noite aqui no meu pacato bairro da zona sul do Rio.


Gravatar E não me venham dizer que é a arma que a pessoa tem em casa para se defender de um provável assalto ou que um crime passional aqui outro ali, ou um suicídio ou uma briga de bêbados é que está fazendo a diferença porque não sou palhaça!
Hoje tô furiosa.


Gravatar Isso que não me aventurei a falar sobre a teoria da conspiração porque disso não entendo mas que las hay las hay!!!!


Gravatar Albita, da campanha dos cigarros eu gosto porque força a pessoa a saber que o cigarro é um vício ruim e mata e que, se ainda não foi possível acabar com a comercialização desse veneno pelos inúmeros interesses financeiros envolvidos, ao menos que todos saibam do que se trata. Pelo menos está sendo tratado com seriedade. Basta er que os comerciais e propagandas em geral já foram proibidos.
Desculpem as e os fumantes aqui presentes pela falta de tato com o assunto mas sinto-me autorizada a falar assim pois fui fumante de 1 maço e meio de Marlboro por dia durante 20 anos.
Mas o que eu queria mesmo dizer é que pode ser feito um paralelo com o que foi feito com o cigarro. Enquanto as televisôes continuarem com programas de violência e tiroteios explícitos e enquanto houver a impunidade absoluta e falta de investimento na educação e o crime compensando, as coisas só vão piorar.
estou ficando repetitiva...


Gravatar Helio Schwartsman - Folha de SP/Pensata (trechos)

(...)
A primeira coisa a observar é que, se a minha leitura é correta, a votação deste mês terá pouco impacto concreto. E não estou falando de bandidos e de outras pessoas que possuem armas em desacordo com a legislação e que se abastecem no mercado negro. Quem guarda um revólver registrado em casa, poderá perfeita e legalmente mantê-lo. Só terá problemas para adquirir novas balas, pois sua comercialização será, não "proibida", mas restringida. Já os que possuem porte de arma poderão conservá-lo e comprar normalmente não só a munição necessária como também novas armas. Habitantes da zona rural, mentindo só um pouquinho, isto é, declarando-se caçadores "de subsistência", estarão igualmente autorizados a adquirir espingardas de calibre igual ou inferior a 16 e as respectivas balas.


Gravatar E a turma do "não", que insiste tanto em seu "direito inalienável de autodefesa", pode respirar sossegada. Mesmo com uma eventual vitória do "sim", os mais insistentes terão meios de armar-se dentro da lei. Basta que se associem a um clube de tiro, hipótese em que o Estatuto os autoriza a requerer o tão almejado porte, o qual lhes dará a licença para fartar-se de balas e revólveres


Gravatar O bom serviço do controle de armas já foi prestado pelo Estatuto. A "proibição" do comércio, além de falsa, poderá no máximo dificultar um pouco o acesso de parte da população a balas --o que eu acho ótimo, mas não a ponto de justificar o gasto de várias centenas de milhares de reais numa votação. Minha principal motivação para defender o "sim", porém, é, como já adiantei, filosófica. Não acredito em bom selvagem, emancipação do homem ou redenção da sociedade, mas a civilização, que vem prosperando ainda que tropegamente sob a égide da razão, já amadureceu o suficiente para impor a seus integrantes que não resolvam suas diferenças à bala. Eliminar as armas é só uma idéia reguladora, uma meta longínqua que provavelmente jamais será alcançada. É justamente o tipo de idéia no qual vale a pena votar


Gravatar O resumo da ópera, para além das besteiras que estão sendo ditas por ambos os lados, é que, em termos práticos, o referendo é quase inútil. A campanha do "não" consegue ser um pouco pior do que a do "sim". Enquanto o povo do desarmamento abusa de números discutíveis e raciocínios simplistas tendentes ao maniqueísmo, a bancada da bala se vale quase que exclusivamente de falácias.


Gravatar E, completo:
http://www1.folha.uol.com.br/ fol...lt510u215.shtml


Gravatar Taw,

Eu gosto muito dos textos do Helio Schwartsman e já faz tempo. Respeito a postura dele, mas pelos mesmos motivos que ele aponta, voto NÃO. Ou sei lá, justifico, se no dia estiver aqui em Brejo Seco, como diz um ex-aluno.

O fato é que não quero mais ser manipulada, ou me sentir assim. É infantil, claro, porque eventualmente serei sim. Mas se puder evitar..


Gravatar Aliás, tem mais um texto lá no blog da Cora que fala sobre um plano meio sinistro, cheirando a teoria da conspiração. Mas de toda forma, talvez valesse a pena ler..


Gravatar Mesmo porque, né Alba, a gente estaria votando não no desarmamento, mas contra a comercialização.

O que incomoda - e muito - é essse engajamento todo, essa pressão psicológica de quem votar Não, é alguma espécie de fascista.

Eu fico balançada... mas aí lembro que coragem e personalidade são aliadas de pessoas esclarecidas e me conforto um pouco.


Gravatar Sabe o que eu faço quando dá uma angustiazinha? (porque dá, sim).

Penso no Lula eLulacubrando sobre golpe, conspiração de extrema sei lá o quê quando os erros do governo são apontados. Aí me conforto também.

É fácil, né? Argumentar que é perseguido porque veio de onde veio e todos estão torcendo contra, À DESPEITO DE FATOS e não boatos conspiradores...

Penso que votei no Lula, que votei na Marta (duas vezes, como numa segunda chance).
Lembro da decepção dos primeiros atos, da porrada no estômago quando a casa começou a cair...´

E o discurso para eleger o Lula era o mesmo: ética, paz, justiça social, defendido pelos mesmos artistas e intelecutais que defendem a não-comercialização das armas.

E aí, diante dos decepcionados e crédulos eternos... me conforto de novo!


Gravatar Patrulhamento. O que eu estou sentindo é patrulhamento intelecutal.
Tá certo o termo, Alba?


Gravatar É sim, Taw! sinto a mesmíssima coisa. E fiquei very, very, very, incomodada quando fui aplaudida por alunos quando disse que votaria não. Claro que eles aplaudiram por todos os motivos errados. Quem ainda acha que adolescente é algum tipo de botão do futuro revolucionário deveria examinar a cabeça, ou mais facilmente, qualquer escola particular onde a classe média medrosa, reacionária, truculenta coloca seus filhos.

Digo a você: é muito duro às vezes, comentar sobre os africanos mortos tentando pular o muro europeu na Espanha e ouvir " tem mais é que matar mesmo!"

Ânfãm, tento cumprir o meu papel e explicar que voto não pelos motivos deles, mas pelos motivos que julgo racionais, sem oba,oba. Mas dói


Gravatar Uél , mas eLulacubrando sobre o golpe é ótimo!


Gravatar Alba, qual é a teoria da conspiração que você leu? Eu ouvi por aí que o plebiscito não é uma decisão do governo mas uma vitória do lobby das armas no congresso pra impedir a vigência do estatuto do desarmamento (existe um, aprovado por lei).

Aí SIM, fiquei me sentindo manipulada. Nesse momento a violência no país é brutal e requer grande controle do governo e políticas públicas de segurança eficazes... aí vem um referendo milionário e tendencioso pra legalizar as armas... é poder demais e governo de menos. Fiquei muito, mas muito tentada a mudar meu voto.

Humpf!


Gravatar ó céus, alba, eu lí no blog da cora ronai sobre o que você tá falando de conspiração... é sobre nós estarmos sendo levados a votar a favor ou contra o desarmamento quando na verdade o texto do referendo não fala NADA sobre desarmamento (sobre isso já existe estatuto aprovado por lei!). É tudo sobre comercialização de armas.

pelo que entendí, um país que tem proibição de comércio de armas (ou de qualquer outro produto) dentro de seu território, pode fabricar aquele produto, mas não pode exportá-lo a outro país que também tenha proibição. pros estados unidos, por exemplo. então quer dizer que o brasil, que é grande fabricante de armas, caso fosse proibída a comercialização de armas, não poderia vender para os estados unidos, que também é grande fabricante e não quer perder mercado para o brasil. é isso? mas que podridão!

se for isso, estão nos vendendo gato por lebre. a campanha é toda em cima de emoções, o tema está sendo tratado como se fosse para uma ação digna, para o bem da população, quando se trata de comércio, poder, grana.

será? gente de deus, estou ficando muito confusa e p da vida com essa questão!

oly


Gravatar Pois é, Oly,

É exatamente esse o texto. Mas eu acho que isso é forçar muito a mão. Não vejo como o Brasil desistiria de uma fatia lucrativa do comércio mundial simplesmente por pressão dos steites. Daí, gostaria que algum entendido em Direito Internacional explicasse isso melhor, porque soa mesmo como teoria da conspiração, né?


Gravatar Eu recebi um e-mail com esse discurso conspiratório.
Também acho que é muita tinta, mas que las hay, las hay.
De tão deslocado que está esse referendo, só pode ter alguma outra coisa por trás. Ainda que não seja o que diz o texto da Cora Ronay las hay...


Gravatar Aí vai um texto do Demétrio Magnoli, um cara lúcido, sobre o referendo..
DEMÉTRIO MAGNOLI

Dois tiros na democracia
"Vamos agora ganhar o referendo do desarmamento", declarou o ministro Márcio Thomaz Bastos no início de julho, deflagrando uma operação de propaganda política de massas que se baseia na manipulação da linguagem. A associação entre o referendo e a noção de "desarmamento", junto com a inversão lógica pela qual a palavra "sim", carregada de conotações positivas, identifica o voto na proibição, formam a plataforma persuasiva engendrada por um governo que despreza o esclarecimento dos cidadãos.
O referendo não é sobre o "desarmamento", pois os bandidos não renunciarão às armas, qualquer que seja a decisão da maioria. O referendo é sobre o direito de vender e comprar, legalmente, armas de fogo. A campanha do "sim" (ou seja, do não) atenta contra a liberdade e a igualdade, os dois pilares históricos da democracia.
O argumento verossímil de que a proibição reduzirá as vítimas de acidentes domésticos e de tentativas de reação armada a assaltos é um tiro no princípio da liberdade. O que se propõe é que o Estado tutele os cidadãos, impedindo-os de cometer atos imprudentes. Mas, numa sociedade livre, cada um é responsável por suas decisões privadas, desde que elas não ameacem a segurança dos outros. A campanha do "sim" organiza-se sobre o conceito do Estado tutelar, enraizado na tradição patrimonial brasileira e expresso em incontáveis discursos presidenciais.
O argumento inverossímil de que a proibição reduzirá as vítimas de conflitos interpessoais apóia-se na fraude de interpretação de estatísticas. Acadêmicos que ensinam a seus alunos que correlação não significa causação parecem não se envergonhar de, na campanha do referendo, interpretar como relação causal uma (fraca) correlação entre recolhimento de armas e diminuição de crimes.
A redução de homicídios registrada na última década no Brasil pode ter inúmeras causas, entre elas as mudanças na dinâmica demográfica que resultam no envelhecimento da população. Essa é, ao menos, a causa geral mais aceita para a redução de crimes em diversos países. De qualquer modo, a proposição de que o indivíduo que atira no desafeto numa briga de bar não comprará arma no mercado negro é um fútil exercício especulativo. O certo é que a proibição ampliará o mercado negro de armas e reduzirá o controle do Estado sobre a difusão da propriedade de revólveres e pistolas.
Na forma proposta, a proibição da venda de armas não atingirá as empresas de segurança privada. Isso significa que os "homens bons", ou seja, fazendeiros, grandes empresários, líderes políticos e famosos advogados continuarão a se armar legalmente enquanto a plebe está condenada a renunciar às armas ou a optar pela contravenção. O "desarmamento" atinge apenas os cidadãos honestos de poucas posses, proibindo ao trabalhador, ao motorista de táxi ou ao posseiro o recurso, prudente ou não, à autodefesa armada. A nova legisla


Gravatar Na forma proposta, a proibição da venda de armas não atingirá as empresas de segurança privada. Isso significa que os "homens bons", ou seja, fazendeiros, grandes empresários, líderes políticos e famosos advogados continuarão a se armar legalmente enquanto a plebe está condenada a renunciar às armas ou a optar pela contravenção. O "desarmamento" atinge apenas os cidadãos honestos de poucas posses, proibindo ao trabalhador, ao motorista de táxi ou ao posseiro o recurso, prudente ou não, à autodefesa armada. A nova legislação pela qual se empenha o ministro da Justiça é um tiro no princípio da igualdade.
As pesquisas de opinião revelaram sólida maioria alinhada com o "sim". Elas refletem o sucesso da estratégia de manipulação de massas e a natural repugnância provocada por "argumentos" de brucutus armados como os Bolsonaros da vida. Mas também refletem a fragilidade dos princípios da liberdade e da igualdade entre nós.


Gravatar A propósito, na Folha On line estão dizendo que o sim empatou com o não, o que acho meio supreendente, dado o apoio maciço ao sim...


Gravatar Muito bom. Gostei de ler. Vou repassar pra quem fica me olhando com aquele olhar de interrogação, tipo: "eu quero votar não, mas é feio..." lá no trabalho.
Valeu, Alba!


Gravatar A cada dia eu que o meu voto não tem a ver com a questão do desarmamento, comercialização, lobby, idéias e ideais; mas com o absurdo desta questão nesse tempo. Mesmo porque, das poucas certezas que tenho sobre esse assunto, uma é que qualquer que seja o resultado, nada vai mudar. Ou mudar tão pouco que não perceberemos os efeitos.
Já disse lá em cima que concordo com a Oly e com a Alba: armas, nem de brinquedo, nunca! Me dá tremeliques cada vez que vejo uma arma na cintura de um policial (e é verdade, eu juro). Não suporto, não concordo, não sou simpatizante.
O grande problema aqui, e o maior quebra-cabeças na minha opinião, é deixar claro O QUE SE PRETENDE com esse referendo. Eu, sinceramente, ainda não entendi, assumo.

Estou buscando entender. É isso que eu quero saber.
Se até o dia do referendo eu conseguir a resposta, voto com a consciência tranquila na opção que a "descoberta da razão" me levar a votar.
Mas, enquanto ela não vem, o que prevalece é aquele sentimento de que estão me escondendo alguma coisa.


Gravatar Pode parecer incrível mas no meio dessa confusão, fui pesquisar a base, o que é exatamente um referendo e o que esse diz. Achei essas perguntas e respostas da Veja on Line:

O que é um referendo?

O referendo é a consulta popular prevista na Constituição Federal, na qual o povo se manifesta sobre uma lei já aprovada, ratificando ou rejeitando a nova norma. Ele é convocado por meio de decreto, com a aprovação de, no mínimo, um terço dos membros da Câmara ou do Senado. No dia 23 de outubro, os brasileiros terão de ir às urnas para se manifestar sobre o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento (lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003), que diz: "É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6º desta lei (polícia, guarda civil, empresas de segurança particulares e entidades desportistas devidamente registradas)".


Gravatar O que acontecerá se a lei for referendada?

O cidadão comum, que hoje pode comprar uma arma e munição para mantê-las em casa ou no local de trabalho (desde que seja o responsável legal pelo estabelecimento), não poderá mais adquiri-las. Quem já tiver arma não poderá comprar outra e nem munição para a que já tem. Isso significa, na prática, o desarmamento total do cidadão comum. Só estarão legalmente autorizados a possuir uma arma os agentes de defesa nacional, segurança pública, segurança privada e desportistas.


Gravatar E se a lei não for referendada?

A comercialização de armas continuará permitida no país, mas permanecerão em vigor todas as novas restrições ao porte e à aquisição previstas no Estatuto do Desarmamento - as exigências que, na lei anterior, eram impostas apenas para a obtenção do porte, foram transferidas também para a compra e a posse. Vale lembrar que a consulta popular do dia 23 de outubro se refere apenas ao artigo 35 da nova lei, não abrangendo os demais.


Gravatar E aí, gente, ajudou em alguma coisa?
Me senti um pouco tentada a partir para o Sim.


Gravatar Então, Branka... se o "não" ganhar, vai ser muito mais difícil comprar armas e munição, não é? Mais difícil do que é agora (se eu entendi direito), inclusive a compra de munição para as armas já existentes.
É o tal controle mais efetivo e ostensivo que estávamos falando.
Se haverá controle mais efetivo, porque proibir a comercialização, se não é ela a vilã da história?
Seria um começo, talvez?


Gravatar Certo, Taw, o raciocínio é bom. O "não" não nos trás problemas uma vez que o estatudo do desarmamento está vindo com esse tal controle mais efetivo. Seria como começar a melhorar em doses homeopáticas para não assustar as pessoas (tanto as de bem quanto as do mal)
O problema do "sim" é que ao invés de vir com a carga de romantismo que tanto sonhamos, vem com paranóias de teorias conspiratórias, vem com o medo de abrir espaço para a ilegalidade e principalmente com o medo que a populaçao está de ficar a mercê dos bandidos.


Gravatar Me lembrei do filme "A lista de Schindler" , quando o Schindler leva os judeus embora da Alemanha e abre uma indústria bélica na Tchecoslováquia onde nunca nenhum cartucho funcionou, por ordem dele mesmo. Todas as armas saíam defeituosas.
Tenho imensa admiração pela história desse homem.


Gravatar Uma coisa que me intrigou sobre referendos foi essa parte que diz que
o povo participa ratificando ou rejeitando a nova norma. Só que no caso do sim ou não, estamos apenas aceitando ou rejeitando. Em que momento e de que jeito podemos ratificar? E se pudéssemos o que diríamos?
Ó céus!


Gravatar sim ou não, nada, absolutamente nada vai mudar pra nós que trabalhamos, pagamos impostos e somos pacatos cidadãos de bem.

nada na política é por acaso, ninguém é bonzinho e é tudo jogo de interesses, então pra entender esse referendo, precisamos começar a fazer perguntas: porque isso bem agora? quem lucra muito com o não?

(não vou perguntar quem lucra com o sim porque aí seriam os traficantes e demais criminosos, que estão até fazendo campanha para o sim, acreditem...)

que alguém vai sair milionário desse referendo, isso vai. senão não haveria mobilização nacional e gastos astronômicos com marketing de campanha.

aliás, de onde saem as verbas de camapnha do sim e do não?


Gravatar Então, Oly, não é melhor deixar como está?


Gravatar ou anular o voto em protesto.

lí hoje que os ladrões querem o não pois 80% das armas deles são roubadas dos manés que guardam em armários em casa.

como tudo por aqui, os argumentos sim e não já estão viajando, apelando e tá virando piada. como tudo, ninguém mais sabe o que é verdade e o que é inventado maliciosamente.

enquanto isso, todo mundo esqueceu as cpis e a gravidade do cenário político.


Gravatar Pois é, meninas!

Eu tendo a achar que tudo está muito confuso. Quanto aos bandidos, acredito que torçam pelo sim, que vai incentivar o comércio ilegal.

Quanto aos controles sobre o comércio de armas, eles já existem e faz tempo. Tive um tio que comprou uma arma legalmente e foi obrigado a apresentar mil certificados, certidões, além de pagar caro. Ou seja, comprar arma não é como comprar sorvete.

Mas estou mesmo com a sensãção de que estamos sendo enrolados, tratados como trouxas. E se houver como, anulo o voto.


Gravatar Gente, leiam o artigo do Janio de Freitas, hoje na Folha.
JANIO DE FREITAS

Pelo sim, pelo não
A empolgação de contrários e defensores do comércio legítimo de pequenas armas chega ao ponto de não permitir o silêncio individual. Um indício, em princípio, de participação numérica admirável, como convém aos referendos que transferem decisões à própria população. Mas o que deveria ser debate sério entre as posições diferentes, como convém aos referendos, mais uma vez cedeu o lugar ao passionalismo de gênero futebolístico: a discussão sem idéias e sem objetividade.
De repente, parece que há lojas de armas em cada esquina brasileira. A classe média passou a ser responsável também pelo armamento crescente da marginalidade. Parece que cada família compra um novo revólver a cada salário recebido, para substituir o revólver deixado ao alcance do ladrão no mês anterior.
A cidade onde moro é dada pela mídia da pacífica e carinhosa São Paulo como exemplo definitivo de criminalidade urbana armada. Embora o exagerado passar dos anos me dê razoável conhecimento dessa cidade abandidada, sou incapaz de dizer onde encontrar no Rio uma loja de armas, uma que seja. Mais ainda, não sei de uma só pessoa, e me dei a conhecer a mais pessoas do que me desejariam conhecer, que tenha comprado uma arma nos muitos últimos anos.
As distorções do referendo não vêm da falta do que debater sobre comércio de armas. E mesmo sobre fabricação no Brasil. A distorção inicial está na simplificação de um problema repleto de nuances, como se não houvesse o que distinguir, por exemplo, entre compra/posse/uso de arma em cidade ou na complicada vastidão do interior, e de tantos ermos não tão interiores. Localizar com seriedade o abastecimento de armas criminosas levantaria uma questão muito acima do comércio convencional: a polícia sabe que armas apreendidas de marginais são, em grande número, armas que logo vão abastecer a mesma marginalidade, no comércio inconvencional.
Há alguns anos, uma ativa oficina de preparação, para venda, de armas tomadas a marginais foi identificada na própria oficina de armeiros de um quartel da PM no Leblon. Há poucas semanas, ficou comprovado o desvio de armas entregues, para destruição, à Campanha do Desarmamento. Foi, desculpe a citação, em São Paulo (atenuante rápida: deve ter sido coisa de carioca infiltrado). Estão sob investigação, nestes dias, os feitos de uma quadrilha formada por agentes da Polícia Federal, vendedores de cocaína apreendida, ladrões de dinheiro apreendido de criminosos, e por que não haveria quadrilha ativa no comércio de armas apreendidas?
Diante dos tantos problemas graves do abastecimento de armas à criminalidade, apresentar o fechamento de poucas lojas como "desarmamento do nosso país" não é coisa séria. Foi por esse método que a campanha pelo "sim" ampliou as distorções, chegando a cúmulos como a afirmação de que o "Brasil será feliz" se proibida a venda legal de armas. A publicidade do "não" teve bem menos audác


Gravatar Diante dos tantos problemas graves do abastecimento de armas à criminalidade, apresentar o fechamento de poucas lojas como "desarmamento do nosso país" não é coisa séria. Foi por esse método que a campanha pelo "sim" ampliou as distorções, chegando a cúmulos como a afirmação de que o "Brasil será feliz" se proibida a venda legal de armas. A publicidade do "não" teve bem menos audácia contra a boa-fé alheia, mas o modo como explora o discutível envolvimento da liberdade dos cidadãos, na possível compra legal de armas, enquadra-se no exagero que é da natureza mesma da publicidade. Acontece que um referendo com implicação constitucional não é um sabão que lava mais branco (péssimo, portanto, para roupa de cor) nem o copo de cerveja que seduz todos os louváveis bumbuns da praia.
Há argumentos muito fortes tanto em favor do "não" como do "sim". Não foram postos, porém, em debate. Ou só arranhados, em uma ou outra ocasião. Muitas das ONGs que têm úteis papéis contra a violência são, no entanto, responsáveis pelo descaminho e pelo passionalismo tão prejudicial ao referendo e a seus propósitos originais. É uma ocorrência ainda mais lamentável porque este poderia ser, como muitos esperam, o primeiro de muitos referendos que alargassem os limites tão estreitos da participação e da democracia no Brasil.
Já que a discussão tomou ares futebolístico, nesta matéria minha posição não admite concessões: Flamengo, e tenho dito. Ninguém mais leva o meu voto.


Gravatar o referendo está dando margem a um bom debate, seja pelo sim, pelo não, ou pelo não sei ainda. só que em todos os artigos escritos sobre o tema paira sempre uma dúvida mairo sobre do que se trata, exatamente, esse referendo. eu tenho a sensação de que todos estão na superfície.


Gravatar Agora pra acabar de confundir geral vou colar aqui um texto inusitado que recebi por e-mail hoje:
Aí vai:

QUERO OS MEUS DIREITOS !
(Vera Marques)

Eu , que sempre fui contra armas, contra a violência e até, delirantemente, contra a Morte, estava certa de que iria votar "SIM" no Referendo da proibição da comerciaçização de armas, dis 23 de outubro.

Mas, mudei de idéia, desde que o pessoal do "NÃO", gente democrática, como Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro, resolveu lutar pelos meus direitos. E eles têm razão. Eu tenho direito, sim, de ter uma arma, pra me defender de ladrões, assassinos, traficantes, estupradores, vizinhos fofoqueiros, torcedores abusados do Flamengo, que não respeitam os outros times, motoristas petulantes, que acham que podem me ultrapassar no trânsito e piranhas que acham que podem dar em cima do meu marido.

Quero meu sagrado direito de meter uma azeitona na cara de toda essa gente que discorda de mim e também tenho planos de passar fogo em alguns cachorros mau-encarados, que me olham torto na rua, rosnam pra mim e me ameaçam, mesmo quando presos na coleira. Se os donos não gostarem, azar o deles! Levam bala também!

O que não posso permitir é que o Estado seja responsável pela minha segurança e decida o que eu devo ou não fazer. E o meu direito, onde fica?

Quero aproveitar a ocasião, para pedir o apoio de todos estes valentes batalhadores pelo direito do cidadão, que vão votar "NÃO" no dia 23, para que formem fileiras a meu lado, lutando por outros sagrados direitos que me têm sido usurpados.


Gravatar Por exemplo:

1) Quero o meu direito de plantar maconha no xaxim da varanda, pra consumir em casa, junto com meus amigos. Não quero comprar do traficante, pois não vou dar mole pra bandido, mas, se eu mesma plantar a MINHA maconha, na MINHA varanda e fumar na MINHA casa, o que é que o Governo tem com isso? Se eu posso ter uma arma que mata em casa, por que não posso ter maconha, que só faz ficar idiota?

2) Quero o direito de namorar outra mulher em público, andar abraçada, beijar na boca, trocar carinhos, como faz qualquer casal heterossexual. Também quero poder casar com ela, deixar herança e pensão do INSS. Se podemos ter o direito de matar, por que proibir o direito de amar?

3) Quero o direito de andar pelada pelas ruas no verão, pois aqui no Rio faz mais de 40 graus e usar roupas num clima destes é um verdadeiro atentado contra a minha saúde. Quem não quiser ver, vire a cara. Se eu posso ter o direito de mostrar uma arma pra meus desafetos, qual


Gravatar 4) Quero também o direito de dar uma transadinha no banco da praça, na praia, encostada no muro.Depois de tantos anos de casada a relação precisa de algum tempero e eu quero o meu direito de temperar meu casamento onde e na hora que nós dois bem entendermos. Quem não quiser olhar, mais uma vez, que vire a cara. E pra não dizer que queremos corromper crianças, sugiro que o direito ao sexo em via pública seja liberado só depois das dez, que não é mais hora de criança andar na rua. E afinal de contas, se as crianças podem saber desde cedo o que é uma arma e precisam aprender que isso é brinquedo de adulto, os pais que tratem de explicar a seus filhos pequenos o que é o sexo, informando que isso é brincadeira só de adulto.

5) Quero também meu direito de fumar no shopping, nos restaurantes, no teatro, no cinema e onde mais eu tiver vontade. Os incomodados que se afastem.E não me venham com essa conversa de "fumante passivo", alegando que a fumaça do meu cigarro pode matar vocês. Isso levaria anos. Se eu quiser matar alguém, dou um tiro, que é bem mais rápido.

6) Quero o meu direito de abortar. Ninguém pode me obrigar a ser mãe. E se eu posso ter uma arma em casa, colocando em risco a vida dos meus filhos pequenos, posso muito bem decidir sobre a vida deles antes que eles nasçam. O filho é meu, a responsabilidade é minha.


Gravatar 7) Quero o meu direito de furar a fila no cinema, no banco, no supermercado. Quem achar que estou errada, que se atraque comigo. Eu sou grande e forte. Quero ver uma velhinha de setenta anos me encarar. Afinal de contas, as pessoas mais pobres não terão direito a ter armas, pois não podem pagar por elas. Então, azar! Que vençam os mais fortes, ricos, bonitos e espertos. Vem, velhinha! Tenta passar na minha frente, se você é besta!

Quero o meu direito de andar de carro sem usar o cinto de segurança. A cara é minha, se eu arrebentar com ela, o problema é meu. Se eu cismar de arrebentar minha cara com uma bala do meu revólver trancada dentro do banheiro o problema não é só meu? Então, pronto. Eu resolvo quando e de que jeito quero arrebentar a minha cara.

9) Quero meu direito de urinar e defecar na via pública. Sou uma cidadã, pago impostos e com os meus impostos são pagos os funcionários da limpeza urbana. Eles que limpem a porcaria toda. E que mal faz aos outros sentir um cheirinho ruim aqui e ali? Levar uma bala perdida não é pior? Eu é que não vou ficar me reprimindo, pra arrumar uma cistite ou uma constipação intestinal.


Gravatar 10) Quero o meu direito de ir à praia em dia de eleição, plebiscito seja lá o que for. Afinal, aproveitar o feriado é muito melhor. Depois, se eu não gostar da decisão da maioria, arrumo um grupo de descontentes e saímos às ruas pra derrubar o Governo eleito. Arma é que não vai faltar.

Alguns dos pontos que abordei aí em cima são realmente direitos do cidadão, como o casamento homossexual, e não são respeitados. Acho que deveríamos discutir mais sobre eles.

Outros são temas polêmicos, que dependem de convicção religiosa e moral, como a nudez e o sexo em público e o aborto.

Outros são questões absolutamente absurdas, que se fossem vistas como direitos individuais tornariam a vida em sociedade um inferno, como o direito de furar filas e defecar na via pública

O objetivo deste texto é desmontar a farsa e a falácia que se esconde sob o argumento de que ter armas é um direito. O meu direito termina onde começa o do outro e vice-versa.

O seu direito de ter uma arma ameaça o meu direito à vida.

Saudações pacifistas!

Vera Marques


Gravatar O oito saiu com carinha de óculos, há!

essa moça acima é amiga de um amigo meu de trabalho. Diz ele que é filósofa.

Saudações pacifistas,
Branka


Gravatar taí, de todos os textos que já lí, esse foi o mais convincente a favor do sim.

o melhor título, porém, fica com o janio de freitas: pelo sim, pelo não.


Gravatar Vocês acreditam em artista? NÃO!
15.10.2005 | Tutty Vasquez
www.nominimo.com.br

De todas as bobagens que já disseram contra ou a favor do livre comércio de armas no Brasil, a declaração de voto de Fagner é de longe a coisa mais inteligente que ouvi para justificar o “não” no referendo do dia 23: “Onde tem muito artista falando, já se sabe que não é coisa boa”, argumentou o cantor cearense no lançamento de uma coletânea de CDs. Depois explicou melhor a Mônica Bergamo, da “Folha”, sua bronca com a classe: “É tudo um bando de Maria-vai-com-as-outras. Ficaram gritando ‘Lula-lá!’, ‘Lula-lá!’ e, depois que o Lula fez essa cagada toda, não aparece quase ninguém para comentar.” Dói concordar! A essa altura da vida admitir que o Fagner está certo, francamente, era só o que me faltava.

A propaganda do “sim” lembra o clima de campanha nas eleições que Lula perdeu com a ajuda gracinha dos artistas. Pegava bem na época dizer sim a Luiz Inácio da Silva, tanto quanto hoje é mais simpático fazer campanha pelo desarmamento da população. Artista – salvo Marília Pêra, Regina Duarte e Hebe Camargo – sempre votou instintivamente em coisas bacaninhas. Certos políticos e certas políticas fazem muito bem à imagem das celebridades, enganam-se os que pensam na mão invertida – e única – dessa relação. Desculpem a grosseria, mas apoio que artista dá por amor é outro! Sem querer generalizar – há de fato meia dúzia de três ou quatro bem intencionados incorrigíveis capitaneados por Fernanda Montenegro –, essa raça é capaz de fazer caridade para sair na “Caras”. Gente que vai a evento beneficente para aparecer em revista, entende? Um horror! Artista não vai a lugar nenhum, comício ou baile de debutantes, a troco de nada.


Gravatar (cont.)

Uma vez me contaram, não consegui confirmar, que alguns incluíam velórios nos pacotes de visitas ao interior para inauguração de lojas, aniversário da filha do prefeito, carnaval fora de época... Imagina a culpa dessa turma, e o quanto apoiar o Lula ou a campanha do desarmamento ameniza tudo – tudo mesmo – que se faz por dinheiro nesse meio. Cobram por abraço, foto ou aperto de mão. A valsa está valendo uma fortuna. Campanha contra o câncer de mama não tem preço. Ah, se todos fossem iguais ao Marco Nanini, mas não são, não são mesmo. Não à toa não se vê mais um Chico Buarque bancando o artista de bobeira por aí. Deve morrer de vergonha!

Como disse Fagner em seu melhor momento desde o sucesso de “As Velas do Mucuripe”, “onde tem muito artista falando, já se sabe que não é coisa boa”. Viu-se nas campanhas do Lula e não vai dar outra no referendo das armas. Ninguém agüenta mais esta gente vestida de branco, dizendo sim, que é pela paz, sem medo de ser feliz, a esperança vai vencer o medo, bla-bla-blá, bla-bla-blá, bla-bla-blá... É por isso que vai dar “não” no dia 23. Eu sinto muito!


Gravatar ainda o Tutty Vasquez, só pra relaxar do referendo


Gastando saliva
O ministro da agricultura já aprendeu a conviver com a língua presa do presidente. Sai da frente de Lula toda vez que pressente que ele vai dizer “foco de febre aftosa nas reses...”.

Aftosa é fogo
Lula não dá sorte! ‘Febre aftosa’, para quem tem língua presa, é um problema extra. Quase tão complicado quanto dizer ‘farofa’ ou ‘Ariano Suassuna’ em público.


Gravatar gentem, vocês não acreditam: depois de tanto quebrar a cabeça, vou ter que viajar no fim de semana e justificar o voto


Gravatar Gente, também vou viajar, mas pra São Paulo. Então, anulo o voto lá...

Falando nisso, será que dá pra agitar um encontrozinho? Pretendo ver pelo menos uns dois filmes da Mostra.


Gravatar Deal!
Cê me liga, Alba? Fim de semana é beeeem mais tranquilo, né?


Gravatar Eu estarei em Conservatória. Quem quiser passar lá pra curtir uma seresta...


Gravatar Onde fica Conservatória?


Gravatar Tema polêmico esse, não é? Andei lendo jornais de vários países e muitos, mesmo países belicistas como os EUA, tem uma opinião muita parecida. Como um país vitimado brutalmente pela violência urbana precisa recorrer a um referendo para decidir tão obvia questão de segurança pública?
Por um lado estamos ficando bem definidos nesse aspecto. Energúmenos votam NÃO!
Parabéns pelo BLOG


Gravatar Tô me sentindo uma energúmena mesmo...

Oi Dando bica, seja bem vindo!



Gravatar Branka, pensa bem:

energúmeno
do Gr. energoúmenos
s. m., endemoninhado;
possuído do demónio; possesso;

fig.,
indivíduo desnorteado;fanático;
exaltado.



Gravatar Alô energúmenos queridos! Votaram bem? Eu justifiquei super bem.

Taw, Conservatória é uma cidadezinha no Vale do Paraíba (RJ), conhecida como a capital da seresta. Tem 4 mil habitantes e recebe 2 mil turistas a cada fim de semana, o ano inteiro. O centro da cidade tem duas micro ruas com casinhas coloniais e chão de pedras. Os seresteiros tocam violão e saem cantando serestas e fazendo serenatas e o povo vai atrás. Tem muito chorinho também. É uma coisa linda e a cidade vive da música. As pousadas são quase todas coloniais e têm três ou quatro hotéis-fazenda, em estilo colonial, com móveis maravilhosos e um ambiente super saudável. Não deixe de visitar esse lugar, um dia.

Veja mais aqui: www.seresteiros.com.br


Gravatar Taw, boa pesquisa, eu achava que energúmeno era algo tipo "imbecil" mas é outra coisa.
Já não estou me sentindo mais uma energúmena então!
Na hora do voto fiquei meio balançada mas estou segura de que fiz a escolha mais acertada para o momento.
E você?

Conservatória deve ser demais da conta. Sempre quis passar um fim de semana lá...tô babando de inveja.


Gravatar Branka:
Balançada a gente fica, claro que fica. Afinal, parecia que toda a convicção de uma vida (pacifismo, tolerância, harmonia, amor, amor, amor e mais amor) estavam entre mim e o meu indicador na hora de votar. Quase que me senti mal. Mas, não. E conto porquê:

Eu voto numa escola perto da casa da minha mãe, e fomos todos no carro conversando sobre o assunto. Minha filha "votou" na escola, um simulado para crianças (tinha a urna de verdade e tudo mais). Ela votou "sim", e aquilo me doía... ai, ai, ai... seria eu um mau exemplo nesse quesito?
Então, começamos a falar de liberdade, de horror à guerra, à armas, de respeito, de como as campanhas estavam erradas, do sem propósito do referendo, da obrigatoriedade do voto.... tudo isso no carro, ela só ouvindo.
Chegando na escola, ela que sempre vota comigo, entrou na sala e foi logo apertando o dois (sim). Parou, anulou, apertou o um (não). Corrigiu para o número 3 (voto anulado) e confirmou antes que eu repetisse: "ai, de novo...! deixa eu votar!" pela terceira vez.
Eu olhei pra ela e ela: "mãe, a gente fez a coisa certa."

Ela me salvou da dúvida quanto ao exemplo a ser dado, e ainda saiu questionando (com as palavrinhas dela, claro), o que deve ou não ser proibido e o que deve ser consertado no Brasil.

Desculpa a "longevidade" desse comentário, mas foi muito terno pra mim (e ela nem sabe).

De qualquer maneira, meu voto seria Não. E disso ela sabe.


Gravatar Ah, Oly... adorei o nome da cidade: Conservatória. Meigo, né? E depois da sua descrição então...

Ô, Branka, vamos pra lá?
Vamos levar todos os adoráveis e sedurotes e lavar a alma serestando?
Já pensou, gente?


Gravatar vamos combinar! no verão, quem sabe... é baixa estação em conservatória porque não tem praia.

ah, olha que lúdico: na estrada, quando a gente vai chegando na cidade, começar a aparecer placas com trechos de músicas


Gravatar Amei Conservatória, pípou! Também quero ir, se der. Fui convidada pra passar o Ano Novo em Castelhanos, ES, alguém conhece?

Quanto ao voto, acabei apertando 3 com alguma angústia, pra ser perfeitamente honesta. O que me salvou o bem estar, de alguma forma, foi ter assistido um belo filme na Mostra, no sábado. Chama-se "A dignidade dos ninguéns", de F.Solanas, argentino.

Conta a miséria em que foram jogados os argentinos, na crise de 2001. E, mais importante, as iniciativas de solidariedade pequenas, mas essenciais, nas comunidades mais pobres. O que chamou a atenção, além desse aspecto central, foi o fato de não haver diferença entre a pobreza de lá e a daqui. Áquela imagem do argentino branco, um europeu transplantado para a América Latina, fica sem sentido olhando aqueles rostos e corpos maltratados, mas se organizando, lutando. Comovente...


Gravatar Por outro lado, chama a atenção, depois de focar todas as histórias, a cobertura da eleição que levou Kirchner ao poder. O desencanto sendo substituído pela manipulação. Ou pelo menos, foi assim que senti, o que me consolou lá na urna..


Gravatar Só pra registrar, vou colar o texto do Demétrio Magnoli, de ontem, na Folha:

A mensagem dos cidadãos
DEMÉTRIO MAGNOLI
COLUNISTA DA FOLHA

Eles armaram o circo, instalaram a confusão e fabricaram uma pergunta capciosa. Contrataram os fogos e a fanfarra. Programaram a comemoração. Mas o povo disse "não!".
No referendo de ontem, o povo derrotou o governo, a maioria absoluta da elite política, a organização hegemônica de mídia e as ONGs milionárias.
Agora, os santarrões têm de substituir a festa por uma narrativa política e já começam a manufaturar uma nova mentira: inspirados num Pelé de 30 anos atrás, dizem que o povo não sabe votar. Que o povo é "conservador" e vota contra seus próprios interesses. E que eles, os "esclarecidos" e "progressistas" isto é, Lula, Márcio Thomaz Bastos, Chico Alencar, Sarney, ACM Neto, Raul Jungmann, Marco Maciel e Renan Calheiros continuarão a lutar "pela paz", explicando ao povinho burro que a culpa pela criminalidade não é do Estado mas dos cidadãos ávidos por armas e sempre prontos a atirar uns nos outros.
Eles destilaram uma santimônia pegajosa, abraçaram lagoas e cristos, mas não conseguiram falar em nome do povo. Agora, precisam seqüestrar a mensagem do povo e torcer seu significado. Indiferentes ao ridículo, chegam a sugerir que os cidadãos votaram contra o "mensalão", não contra a proibição, como se a quadrilha dos corruptores já não estivesse exposta dois meses atrás, quando o "sim" tinha dois terços das intenções de voto.
O povo não é burro: decifrou a pergunta, desarmou a armadilha e enviou uma série de mensagens claras e nítidas.
1 - A esmagadora maioria dos brasileiros não tem armas. Mesmo assim, os eleitores disseram que o Estado não pode tomar-lhes um direito natural, que é o direito de defender a sua casa e a sua vida;
2 - Os eleitores disseram que o Estado não pode dividir os cidadãos em duas classes jurídicas, permitindo a proliferação de empresas de segurança privada enquanto proíbe a autodefesa armada dos homens de poucas posses;
3 - Os eleitores votaram contra o governo, mas com pertinência. Eles exigiram o fim da empulhação e do papo furado. Disseram que o culpado pela liberdade do crime é o governo, que não cumpriu a promessa de elaborar um plano nacional de segurança pública e não reformou, unificou e limpou as polícias.
Que ninguém se engane. Ficou registrado na memória coletiva que, em dezembro passado, os ministros do Trabalho, Ricardo Berzoini, e da Cultura, Gilberto Gil, negociaram com os traficantes do Complexo da Maré as condições da visita à favela da Vila São João, onde lançaram um programa de qualificação profissional. Por imposição do tráfico, as autoridades subiram o morro sem segurança armada, protegidos pela milícia dos bandidos.
Os cidadãos disseram "não!" exatamente a isso. Os brasileiros não correram atrás dos brucutus armados que têm saudade da ditadura. Simplesmente, estão fartos das autoridades que "são da paz". Querem guerra à corrupção e


Gravatar Os cidadãos disseram "não!" exatamente a isso. Os brasileiros não correram atrás dos brucutus armados que têm saudade da ditadura. Simplesmente, estão fartos das autoridades que "são da paz". Querem guerra à corrupção e à violência policial. Querem guerra às prerrogativas dos traficantes, não uma hipócrita "guerra às drogas" que criminaliza os usuários e provoca chacinas de crianças. Querem a restauração da ordem pública e dos direitos das pessoas. Os candidatos a presidente deveriam tomar nota.


Gravatar ótimo, elba, ele falou e disse. alguém sabe qual foi a percentagem de votos anulados? isso foi divulgado?

(nunca ouvi falar em castelhanos, es)


Gravatar Castelhanos é muito bacana. Quase passei lá o reveillon de 2004.
Tem, digamos, um espírito Jagatah de ser, com riachos e quedas d'água entre chalés e hoteizinhos.
Faz séculos que não vou, não sei como está agora, né? Talvez com mais estrutura e talz.


Gravatar Eba! Obrigada pelas informações, Taw!


A taxa de nulos, pelo que li, não chegou a 2%, OLy. A abstenção é que foi alta, coisa de 22%.

Que tal mudarmos o post, povo?


Gravatar Vamos mudar, mas enquanto isso, vou colar uma conclusão sobre o resultado do referendo que li nesse bolg aqui:
http://www.betoandrade.blogger.c...m.br/ index.html

Choque de realismo
Venceu o não. De fato, era de se esperar. Mas ficam algumas lições interessantes deste processo. A primeira e principal delas é a forma como a população desprezou os grupos formadores de opinião. Artistas e intelectuais se envolveram freneticamente na defesa do que parecia ser o mais óbvio: proibir a venda de armas no Brasil. Mas nem sempre o mais óbvio é o melhor. Desta vez, quem terminou formando opinião sozinha foi a massa, quase sempre manipulada quando envolvida nos processos decisórios. É uma ilusão infantil achar que foi a campanha pela televisão ou qualquer outro motivo externo ao desejo da maioria que levou o referendo ao resultado que teve. Também é equivocada a idéia de que foram a falta de informação, a ignorância ou o medo da violência os motivos principais deste veredito. A verdade me parece estar mais próxima de uma reação politizada dos eleitores em relação a um assunto polêmico, que afeta o dia-a-dia e os conceitos básicos de cada um sobre seus próprios direitos e liberdades. Há um amadurecimento incontestável. Um recado claro e rigoroso de alerta ao Poder Público e às classes dirigentes -e aí se enquadram os formadores de opinião- de uma nova postura. Fica a impressão que o povo brasileiro está acordando. E emitindo sintomas reais de amadurecimento político, como resultado de toda esta crise. Os 30% de eleitores que sempre vão votar em um candidato de esquerda continuam os mesmos. Da mesma forma que os outros 30% que sempre vão votar na chamada direita. Mas começa a parecer que os 40% restantes, que decidem uma eleição e a vida do País, resolveram se desgarrar das elites formadoras de opinião e pensar por si mesmos. Finalmente.

Branka




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