ABRIGO DE PASTORA

Gravatar a globalização? o fim dos privilégios omnieuropeus?


Gravatar jpt:

A globalização já vai com muitos anos, e os problemas tardam em ter solução.

Em que é que os europeus têm mais privilégios do que os EUA?


Gravatar a globalização tem muitos anos? sim. o interessante nela é a apreensão de uma comunicação multicentrada - é ligar os canais televisivos, às centenas. Os europeus em lamúria (não são só os portugueses), não tantos os outros: há centenas de milhões de pessoas a saírem dos níveis mais baixos de pobreza, há dezenas (ou centenas) de milhões a aburguesarem-se. Não é nenhum paráiso, tem custos extraordinários. Mas é uma realidade extrema que é esquecida pelo discurso pauperizador actual

Europa? coloque-se o norte da américa nisso, claro. FAlei da Europa, pois a expansionista Europa Ocidental é onde reside o meu país, o discurso meu vizinho. E é nela a zona do mundo mais rica, onde se vive melhor, se produz e consome mais. (e, porque, há o hábito de projectar nos malandros dos "americanos" - EUA - os males do mundo)


Gravatar A globalização é, para sentidos humanos, troca de informação (mas é muito mais troca de dinheiro, de muitos ziliões, diariamente). É através da troca de informação e das viagens mais acessíveis que nós, sortudos europeus, podemos ter conhecimento de que na Índia o controlo da natalidade não é efectivo e o acesso generalizado à educação (num país com grandes tradições académicas) não está assegurado. Se hoje há muitos programadores indianos a trabalhar para distantes patrões, em "open spaces" do tipo aviário, estes continuam a ser uma ínfima fracção da população. A esmagadora maioria continua a viver numa pobreza confrangedora, sobretudo quando confrontada com os hotéis de luxo, mesmo ao lado. Desconfio que o acesso facilitado à informação de que são paupérrimos quando comparados com outras populações também não os torne mais felizes...


Gravatar bem, não reduzia "globalização" a um contexto informacional. E nem se nega a pobreza radical na India (e em tantos outros locais). Nao me querendo eternizar no argumento, mas ainda ainda assim: o crescimento exponencial da riqueza num conjunto alargado de países (a tal globalização industrializadora) implica uma vastissima redução da extrema miséria. E afecta os privilégios de origem (geográfica) do oradores anti-globalização: uma espécie de "classe geográfica", que assentaram a sua luta por direitos de reprodução na captura dos direitos alheios.
No fundo era isso
cumprimentos


Gravatar "How many times must a man look up/ Before he can see the sky?"...

O jpt parece querer insinuar que, se os operários têxteis em Portugal puderem mais facilmente despedidos, mais depressa a menina dalit terá oportunidades. Mas não vemos isso em África, nem na Índia, pseudo-democrática há décadas. O rendimento médio cresce mais rapidamente do que o rendimento mínimo, por todo o lado. Ou, se quiser, as desigualdades parecem tender a aumentar. Não se pode fazer nada quanto a isto? Se se contenta com a média, está bem. Para mim a "egalité" e a "fraternité" (de que a primeira depende) valem como metas explícitas, urgentes, não como corolários (aliás, nada garantidos) da liberdade económica. O paradigma que o ocidente quer exportar não é necessáriamente justo, e atirar dinheiro sobre os problemas não garante que eles se resolvam, não é?

Mas se com "classe geográfica" quer significar um conjunto de valores, como, por exemplo, o que chamamos direitos humanos, então, concordo há uma "luta de classes" entre os que não querem perder esses direitos conquistados a custo e os que aspiram a eles o mais rápido que conseguirem. (Ah, Maquiavel... Dividir para reinar... Quem é o "Príncipe", nesta história?)

Mas não quero que pense que o pessimismo que África e a Índia me inspiram me impede de sorrir com gosto quando um qualquer maltrapilho, numa qualquer cidade do mundo de que sou efémera visitante, me culpa em mau e alcoólico inglês por todos os males, os seus e os do mundo, e eu o olho nos olhos e sabemos que afinal somos uma única humanidade, a tal da desesperada esperança de que falava Melville.




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