Gravatar É verdade... E como se explica que os indicadores macro-económicos alemãs falem tanto de crise, isto é, enquanto as empresas alemãs prosperam, assim como as suas exportações? Será que o problema reside nos próprios contadores e seus critérios? Será que são adequados aos tempos modernos? O crescimento do PIB será ainda tão importante?


Gravatar Como responder a tantas perguntas?
Em primeiro lugar, segundo o artigo de onde retirei o gráfico (disponível em http://economic-research.bnppari...df?OpenElement) , o bom desempenho das exportações alemâs encontra justificação na sua maior compatibilização com as necessidades dos países emergentes do leste asiático, porque os bens de equipamento têm um grande peso; por outro lado os alemães têm ganho competitividade-preço, por via do controlo dos custos salariais. No artigo também é citado o facto das exportações francesas serem mais acentudamente dirigidas ao mercado europeu e portanto ressentirem-se do menor crescimento deste espaço económico relativamente aos Estados Unidos e à Asia emergente. Ou seja, genericamente, a Alemanha enfrenta com mais sucesso a globalização do que a França ou a Itália.

As exportações (ou melhor, as exportações líquidas de importações) são uma das componentes do PIB; se o consumo privado ou o investimento produtivo fraquejarem, o bom comportamento das exportações poderá não compensar, no cômputo geral. E o bom desempenho das exportações não anulam desafios contemporâneos - como a qualificação das pessoas, o custo com a saúde e o envelhecimento da população.

Uma das causas que se apontam ao fraquejo alemão é a sua relativamente fraca terciarização da economia, que a torna mais exposta à concorrência "brutal" do leste (se Portugal já não produz milhentas coisas industriais que consome, já nada tem a perder com a oferta asiática, aliás até ganhará por poder comprar mais barato). Mas também será essa fraca terciarização que garante a sua produção industrial relevante para os asiáticos, o que ajuda ao sucesso do segmento exportador.

Claro que o crescimento do PIB continua a ser importante; Cavaco Silva bem insistia nesse aspecto, durante a campanha presidencial. Mas claro que nem tudo o que nos confere bem-estar duradoiro se esgota no crescimento do PIB, que vamos tendo anualmente...


Gravatar Eno mei disto tudo quem se ri é a Inglaterra...


Gravatar Sim, a Inglaterra também tem um défice enorme das suas contas externas, mas tem uma validação do mercado, na medida que o valor da libra é estável (se bem que a cotação libra/euro tem sido relativamente volátil no passado recente). Tenho a impressão que, no fundo, os ingleses desconfiam que o Euro não vai durar muito tempo.




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