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Boa Lutz. Não convém perceber demasiado. Boa idéia.
Um abraço (antes de sermos todos cadáveres sábios)
Luis |
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11.07.05 - 10:02 pm | #
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Quando ouvi o Mário Soares dizer que era preciso compreender o fenómeno do terrorismo (quê? fundamentalista? islâmico é que não, árabe é que não, se for "sim" a isto tudo, então devíamos dizer "ocidental", mudando a tónica para o agredido) para o suster também pensei que ele estava a quebrar todas as regras do aconchego na hora do medo.
Sabemos todos até à náusea que isso do "perceber" é coisa que qualquer serviço de informação apenas medianamente competente não deixa de tentar fazer por todos os meios de que dispuser, nem que seja para tomar as decisões mais mortíferas - e isto só para dar um exemplo. Se assim não for, temos de despedir o serviço em peso.
Quanto aos demais de nós, todos os que não têm responsabilidades (profissionais, por exemplo) nessa área, e que não estamos por isso (profissionalmente) empenhados na compreensão do fenómeno, é bom ter presente que também não nos defrontamos verdadeiramente com obstáculos intransponíveis para ter acesso a uma visão crescentemente esclarecida do assunto. Vivemos o auge, até agora conhecido, do acesso à informação. Basta mexer alguns dedinhos, e não é em sentido figurado. O medo tolhe-nos o dedo?
O Mário Soares falou em humilhação, infligida pelo "Ocidente" como importante elemento concorrente para este terrorismo (civilizacional?). Foi frisado este aspecto mas não entendi que isso implicasse qualquer espécie de abrandamento nos cuidados com a segurança; pareceu-me a velha ideia de que uma coisa é a aspirina para a febre, a outra a acção sobre as causas da doença, que é preciso primeiro diagnosticar. Uma não exclui a outra.
Inclino-me a concluir que as pessoas que criticam energicamente esta linha de considerações ou estão tomadas pelo medo - ou por outra emoção igualmente condicionante -, o que pode ser totalmente aceitável por um espaço de tempo determinado e em certas circunstâncias, ou então vêem no assunto qualquer outra questão que eu não vislumbro e que seria interessante ver explicitada pois tenho a convicção de que, neste caso, essa explicitação levaria à enunciação clara de pressupostos inaceitáveis. Mas não é por esta razão que não acompanho os que se enervam com a insistência na importãncia de conhecer o ponto de vista dos que aderem à causa terrorista; é, sim, pela mesma razão por que acredito que não é com aspirinas que nos livramos das gripes.
Como sei que isto é verdadeiramente um lugar comum, no sentido próprio, a conclusão finalíssima é que é verdadeiramente incómoda: o medo é uma emoção tão potente!
Susana |
12.07.05 - 9:13 am | #
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(Lutz, acho que ando a poluir o teu blogue com estes textos que me saem longos demais. Se calhar vou arranjar um lugar ao lado, para aligeirar aqui. Mas pergunto: O que será um comportamento invasivo em blogue alheio? O que diz a "bloguiquette" sobre isto? Não queres um dia tocar no assunto?)
Susana |
12.07.05 - 9:18 am | #
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Este post está excelente e escusado será dizer que penso que tens toda a razão.
Mas o jmf é um case study. Após ter feito este post (http://terrasdonunca.blogspot.com/2005/07/outra-
coisa.html) sensato e inteligente, faz depois um outro post (http://terrasdonunca.blogspot.com/2005/07/as-
cruzadas-modern-way.html) em que se revela com um sentido de humor de uma pobreza assustadora e aí estou de acordo com o que a zazie escreveu neste post (http://cocanha.blogspot.com/2005/07/de-mdico-
poeta-e-louco.html)
timshel |
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12.07.05 - 12:28 pm | #
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Timshel: Sobre o novo post do JMF comentei no Cocanha.
Lutz |
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12.07.05 - 1:17 pm | #
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«Sabemos todos até à náusea que isso do "perceber" é coisa que qualquer serviço de informação apenas medianamente competente não deixa de tentar fazer por todos os meios de que dispuser»
Pois, Susana, mas não é por acaso que os agentes secretos são as pessoas mais suspeitadas pelos próprios serviços. E com razão.
Lutz |
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12.07.05 - 10:33 pm | #
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Perceber não,até porque julgo ser tarefa impossível e logo, intemporal. E o tempo é MUITO escasso.
Como compreender quem diz ser irrelevante a descriminação das vitimas? Não estamos numa Guerra, aí descriminam-se as vitimas.
Estamos perante algo que ainda não tem nome, mas é qualquer coisa como uma pandemia mental, em que a contaminação não é por vulgar virus, mas por uma ideia perniciosa e perversa que perfura a blindagem racional e ética dos sentimentos e emoções.O Meio são os média, o medo ou covardia de cada um, propaganda excelentemente elaborada, uma busca de PODER pelos dirigentes, estes homens frios e racionais, os suicidas/assassinos são irracionalmente inflamados.A combinação perfeita.Este Terror é antigo e muito,mas territorial.Mas hoje, como tudo,é global.Nada de novo.
Temos que, sim, entender como se movimentam, como se financiam, qual a sua estratégia, logistica, e atacar sempre,sempre, implacávelmente,até mesmo quando o ultimo levante a bandeira branca.
E agora vou dizer algo que é terrivel, pelo menos para mim, pois disto estou convencido.
Em África e na América Latina, a maioria das pessoas têem "inveja" dos Europeus e Americanos.(detesto aspas).E quando acontece uma tragédia como a de Londres, não vêem para a rua aos gritos de alegria,mas sentem alguma satisfação interior, como uma desforra, como também vos calha!
C. Indico |
13.07.05 - 7:37 pm | #
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Mas os que dizem querer perceber não querem perceber, nem que os outros percebam... Isso é retórica para "inocentes".
O que eles querem é que se fique indeciso ante os terroristas e apoiantes, para melhor se levar a pancada.
Velhíssima táctica nazi, velha táctica dos amigos do povo que perderam o sol da terra.
Branco Camilo |
15.07.05 - 12:33 pm | #
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Commenting by HaloScan
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