quase em português

Lutz, este e' dos textos mais bem escritos que ja' li sobre o assunto! Brilhante.

Agora nao tenho tempo de reflectir e comentar com o devido cuidado (nao sei mesmo se terei algo a acrescentar ao que escreveste; em parte, disseste o que tambem penso; em parte, explicaste claramente ideias que eu ainda nao tinha sido capaz de explicitar completamente).


Caro, foi um prazer a descoberta deste teu Blog. Quanto às conotações das palavras, lembrei de um trecho do Capítulo VI de Through the Looking Glass, do Lewis Carroll:

`I don't know what you mean by "glory",' Alice said.

Humpty Dumpty smiled contemptuously. `Of course you don't -- till I tell you. I meant "there's a nice knock-down argument for you!"'

`But "glory" doesn't mean "a nice knock-down argument",' Alice objected.

`When I use a word,' Humpty Dumpty said, in rather a scornful tone, `it means just what I choose it to mean -- neither more nor less.'

`The question is,' said Alice, `whether you can make words mean so many different things.'

`The question is,' said Humpty Dumpty, `which is to be master -- that's all.'


Sempre tive muito cuidado com as palavras. Desde que me lembro. Muito antes do politicamente correcto, que é uma coisa relativamente recente. Já debati este assunto no Ma Schamba uma vez. Já deixei lá alguns comentários sobre o assunto. Dizer "homosssexual em vez de "paneleiro" não me parece ser demonstrativo de que não se é homofóbico; mostra apenas que somos cuidadosos e não queremos ferir susceptibilidades. Apenas isso. Ser ou não homofóbico é outra coisa, muitas vezes assunto do foro privado. É pouco, mas por agora chega.
Irrita-me particularmente a denominação de politicamente correcto, sobretudo quando vai de encontro a coisas com que concordo. Quando era criança havia uma cançoneta (creio que já deixei isto no Ma Schamba)que dizia o seguinte:
"Sebastião come tudo, tudo, tudo.
Sebastião come tudo sem colher
Sebastião come tudo tudo tudo
E depois dá pancada na mulher."

A música era alegre e convidativa eu e as minhas companheiras de escola reproduziamo-la alegremente. Mais tarde, quando soube o que significava (que as mulheres apanhavam mesmo dos maridos - e ainda apanham)voltei a lembrar-me da musiquinha. Na verdade, nunca a esqueci. Creio (espero), que já ninguém a canta (alguém aqui se lembra dela?)mas se tivesse sido banida devido ao politicamente correcto eu seria a primeira a concordar.
Como essa canção há inúmeras expressões abusivas, humilhantes, obcenas, destrutivas, que na minha opinião deveriam ser pura e simplesmente eliminadas.
"Um preto de alma branca" é apenas uma delas. Alguém se lembra de mais?

(Não compreendo o que liberdade de expressão quer dizer. Nem liberdade para fazer o que se quer. Penso que vivemos limitados pelo mundo à nossa volta e pela diversidade que nele se encontra. Se fizermos e dissermos o que nos der na mona, temos guerra, sangue e mortes. É o que temos.)

Contribuir com palavras para fechar o círculo e enclausurar seres humanos não me parece saudável.


obscenas. Escrevi mais do que o que queria. Favor ignorar alguns parágrafos. A gosto.


Sara, ainda bem que não escreveste de menos.


Sara,
isto é assunto para vários livros - não adianta tentar resolvê-lo numa caixa de comentários, ou ficar frustrada por ficar aquém.
Curiosamente, também tropecei na questão de dizer paneleiro ou homossexual por motivos de imagem. Para mim, escolher as palavras é um exercício de exigência e de auscultação de mim própria, e não de criação de imagem.
E é como dizes: posso usar palavras não ofensivas, independentemente dos meus sentimentos. No fundo, passamos a vida a fazer isso (no emprego, nas relações de vizinhança, etc.) - menos por uma questão de imagem que de sobrevivência social.
Conheço a canção do Sebastião, e outras muito piores (conheces a que termina com "o puto não conheceu a puta que o pariu"?).
Eliminar? Peso a questão utilitarista (a sociedade ficava melhor ou pior?) e a da liberdade individual, fico na dúvida. Resta-nos o debate sobre o que certas palavras transportam e semeiam no futuro.


Lutz,
são posts como este que dão sentido à Blogosfera!


Sara Monteiro espero, sinceramente, que nas partes que propõe apagar do seu comentário não se inclua o "Irrita-me particularmente a denominação de politicamente correcto, sobretudo quando vai de encontro a coisas com que concordo." que é particularmente esclarecedora. E que dá sentido a toda esta questão do "politicamente correcto".

Quanto às malvadas palavras obscenas espero que não diga e se ofenda com o "bolas", tão púdico que por aí corre.

Lutz, não me lembro de chamar "paneleiro" a um homossexual. Lembro-me (pudera) de chamar (e de pensar) "paneleiro" a uma série de tipos. Confesso a discriminação, nunca chamei "paneleiro" a uma mulher (discriminação de género). Ainda que as considere (muito) capazes de "paneleirices". De algumas é mesmo apanágio.


JPT,
Por acaso, não sei se leu, não propus apagar nenhum parágrafo em especial. Por isso escrevi "a gosto". Bem sei a sua opinião sobre este assunto. Mas eu, como sabe, faço parte de um grupo discriminado.


A diferença entre um homossexual e um paneleiro, é como diz a anedota!
Se anda em carro de alta cilindrada é homossexual,se anda de utilitário é paneleiro.


Sara Monteiro, "não sei se leu" eu não disse que v. tinha proposto apagar parágrafos em geral ... disse "partes". (já agora eu não fui fiel ao seu texto (sem sic, digamos) pois a Sara afirmou "ignorar" e não "apagar", o que não me pareceu violentar o espírito do comentário, e também escrevi a correr). "Não sei se leu" essa minha parte.

Já que o JPP colocou quase toda a gente a discutir comentários perdoe lá este meu (re-)comentário como exemplo como isto está sempre a azedar. Não, Sara Monteiro, v. sabe que eu li o seu comentário. Como discordo utiliza a retórica desprendida. E nesse registo ou nos calamos ou lá se entorna o azeite. Eu não o entorno, é-me precioso (aqui muito caro). Apenas registo, tendo lido o seu comentário, que o politicamente correcto é um termo que a irrita quando aplicado a coisas com que concorda. A si e a muitos. No fundo a todos. Por isso pode servir para tudo, donde para nada. Na imputação mas também na defesa.
cumprimentos, vou-me com o galheteiro intacto


E vai mesmo. Mas não me parece que azedemos, podemos apenas discordar muito amistosamente. Embora, claro, não compreeenda porque não concorda comigo. Então eu não tenho razão? (quanto ao galheteiro: é que não se entornou uma gota e olhe que não é proeza nada fácil: de Moçambique para Portugal e de volta para Moçambique sempre de galheteiro na mão é preciso muita habilidade. Abraços. (Fartei-me de rir, salvou-me o dia)


A propósito do politicamente correcto, o melhor exemplo da sua estupidez vem, como não poderia deixar de ser, dos Estados Unidos (Via Diário de Lisboa).
A história conta-se em poucas palavras:
Os frequentadores de um parque de Brooklin têm um blogue, um dia uma utilizadora colocou um post a dizer que tinha encontrado um boné de um RAPAZ.
Date: Mon, 20 Mar 2006 12:25:27 -0500 (EST)
Subject: Found: boy’s hat

Hi:

Friday, at the corner of 11th street and 8th ave, adorable navy blue or maybe black fleece hat with triangles jutting out ofit of all different colors. Sorry did not post right away.

A partir daqui estalou o verniz, sendo a primeira resposta uma verdadeira pérola de como o "Politicamente correcto" é o Nazismo do Século XXI.
I’m sorry, I know that you are just trying to be helpful, but what makes this a “boy’s hat”? Did you see the boy himself loose it? Or does the hat in question possess an unmistakable scent of testosterone?

It’s innocent little comments like this that I find the most hurtful…


Enfim, nunca via tanta gente estupida.

http://www.gawker.com/news/park-...ails- 166214.php


Luís, esta é mesmo nice.


Pa', Luis, aquilo e' de morrer a rir! A minha sugestao e' enviar ao JPP por email e ele nunca mais vai mandar bocas aos comentadores locais. O tipo esta' e' mal informado.


Mas se voces conhecerem alguma coisa dos EUA (costa Leste, pelo menos) devem saber que aquilo e' mesmo comum. Numa livravria, uma senhora informou-me (com os olhos muito abertos! ahahah) que os livros dos Cinco (Enid Blyton) sao muito politicamente incorrectos. Assim, sem mais. E outras pessoas diziam que os livros do Asterix.... bom, enfim... nao e' la' muito correcto estar a gozar com as caracteristicas dos outros povos... e' assim do genero da Susaninha: ja' basta os pretos serem como sao, coitados, e ainda iamos dizer mal deles.


LB, fantástico


749190 a7d1cdbacc


Simply an outstanding job! keep up the good work! plus size clothes




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