Reinventando Santa Maria

Gravatar Saudações Leonardo. Visito seu blog há um tempo e aprecio a sobriedade. Edito cá em Pernambuco um artefato literário chamado Pensamento e me interessa publicar um texto seu no próximo número. Para decidir qual, caso você aceite, espero sua própria sugestão. Para conhecer o projeto, dê um pulo no nosso blog. Um abraço


Gravatar Muito boa a sua análise dessa situação e da resposta dos blogueiros jornalistas...os caras ficam defendendo o indefensável...eles sabem o que a manchete quis dizer, conhecem o modus operandi de uma redação, mas não dão o braço a torcer.
Lá no idelber eu até comentei que a manchete tinha me feito pensar: "caramba, o delfim foi sequestrado? Não lembrava disso?"
Na verdade, ele não foi sequestrado e minha memória não é tão ruim...mas a manchete da folha não fala em "planejou sequestrar" e sim em "planejou o sequestro"...só isso já é um absurdo que mostra claramente a intenção.
Imaginar que os editores que fizeram a manchete erraram por cansaço ou distração é realmente desconhecer como funciona a redação de um grande jornal brasileiro - só pode ser cinismo ou ....sei lá, nem sei como classificar o sergio leo nesse caso, já que o respeito, e muito, como repórter. Os caras da torre de marfim, não...eles são cínicos mesmo.


Gravatar João, desculpa a demora.

Olha, prefiro que você escolha (a opinião do leitor é certamente mais interessante que a do autor). Faço apenas restringir o campo para os textos listados na seção "Preferidos", aí no lado direito. Mas fique a vontade, se quiser escolher outro.

Obrigado pela consideração, abraços

aiaiai,

Pois é, bem lembrado, ainda há esse aspecto que eu não mencionei, "planejou o sequestro" autoriza qualquer pessoa a imaginar que ele efetivamente aconteceu. O que dá ao acontecimento um outro peso.

Anote o que eu digo, você verá essa manchete nas campanhas da oposição em 2010 com toda a certeza -- e quando isso acontecer, até se explicar que Tratado de Tordesilhas não é Tarado atrás das Ilhas, a vaca já foi pro brejo!


Gravatar Beleza, Leonardo. Por favor me mande um e-mail confirmando se você mora atualmente em Santa Maria, Rio Grande do Sul, e informando sua profissão/ocupação, pra nota de rodapé. Vou lá nos "Preferidos". Um abraço


Gravatar boa, Leo

mas ainda creio que o Sérgio Leo entrou nessa de gaiato. Imagino que como jornalista ele pode ter tido um arroubo de defesa dos poucos jornalistas sérios que ainda existem, mas dirigiu seu arroubo à pessoa errada, e com a questão errada. Creio nisso por que me pareceu estranho que o Sérgio - o blog dele contém muita coisa boa - tenha dirigido o seu ataque ao Idelberg (justo ele?) e me lembrei de um momento em que eu fiquei meio puta com o comentário do Edu Guimarães sobre as falhas das ongs em integrarem as pessoas nos debates sobre a Conferência Nacional de Comunicação (na verdade me lembrei dos tempos que eu era de CA e fazia tudo sozinha, inclusive escrever informes e publicálos, e chamar assembléias e carregar o piano todo sozinha e vinha um aluno dizer que não havia esforços do CA em discutir com a alunada), naquela época acabei sendo pentelha com o Edu Guimarães, para em seguida descobrir por mim mesma que eu não encontrava meios de participar nas discussões (e por mais que as ongs estejam carregando um piano, o Edu não deixa de ter uma certa razão). Tomei na cabeça.

Enfim, espero que tenha sido isso: o Sérgio teve um impulso, e de repente soltou um texto que tem a ver, imagino, com um nó na garganta que ele sente de toda a pressão blogueira que as vezes vê mais e melhor os desatinos da grande mídia que os esforços de poucos bons jornalistas, e deu vasão a isto num momento e com um assunto que era do dia, e deixou seus leitores estupefatos.

Eu mesma estou tentando deixar meus comentários e posts, sobretudo os mais pirracentos um pouco na geladeira, pra ver se com um pouco de tempo eu melhoro o tom da coisa, ao invés de publicar no calor do momento.

Um grande abraço, e parabéns pelo pedido de publicação acima. Você é um sucesso! (muito merecido, aliás)


Gravatar Flavia,

Eu imagino que deve ser isso mesmo. A gente tem que ter cuidado com as críticas, pois de fato há muita gente boa no meio disso tudo -- como o próprio Sergio. Às vezes as diferenças acabam se acentuando, mas é questão de temperamento, mais do que qualquer coisa coisa.

Faz bem em deixar os post pirracentos na gelageira, Flavia. haha

Se há um "luta", é preciso mobilizar muito gente, de todos os setores. Uma palavra descuidada por custar a antipatia de alguém importante, é preciso saber criticar, mas também elogiar.

Abraços,

PS. Foi você que montou seu blog? Acho que vou comprar um domínio pra ess aqui.


Gravatar Eu e o maridão montamos nossos blogs com wordpress. Mas ainda sinto inveja do teu haloscan que remete respostas de todos para todos os que queiram respostas. Ainda falta isso no wordpress (só consegui um plugin em que você responde a uma pessoa apenas)

Mas achei que o wordpress é bem bacana - dá pra dividir as coisas em categorias, o que torna o blog mais legível, segundo os interesses de procura de cada leitor.


Gravatar Tem uma área de sua argumentação que eu não consigo equacionar.

Na minha leitura, você destaca que toda 'notícia' é um recorte, portanto não é inocente, e se pergunta se há limites para essa particularização e o que seria transgressão do limite.

Colocado de outra forma, me parece que você está olhando a intensionalidade do autor. Qual a intensão da 'notícia' (e suas manchetes) no momento de sua produção.

Nesse campo, eu não consigo ver qualquer tentativa de limitação que não seja uma censura imposta.

Porém, há uma censura que eu acho muito válida. Ela se dá no momento da leitura, ou não leitura. Ela fica a cargo de quem lê. O Idelber ao deixar de ler jornais está fazendo exatamente isso. Ao dizer que faz isso, ele transforma sua censura em um ato político. Não é uma censura imposta, é voluntária.

Isso ainda está muito vago pra mim, principalmente se colocarmos a questão da legitimidade ou legitimação da 'notícia que sai no jornal', mas creio que é mais produtivo desenvolver pelo lado do consumo da informação, e não na produção.

Btw, se quiser qualquer informação sobre o nosso site, deremos o maior prazer em dá-la.


Gravatar o paulo (acima) é o maridinho, e ele é muito mais fera que eu para dar conselhos progamabilísticos.

Eu realmente me sinto desanimada psicologicamente quando o assunto é esse. Por um lado concordo que os direitos de resposta na mídia grande só servem para fazer de conta que ela é democrática. Por outro lado, creio que é muito injusto que essa mídia corporativa tenha tanto poder, e, afinal, sabemos que ainda é pequena a parcela dos brasileiros que tem acesso à internet em casa (tendo menor acesso às réplicas nos blogs) e sabemos do poder de autoridade que a mídia corporativa tem mesmo para aqueles que tem acesso à internet. Voltando ao primeiro lado, os direitos de resposta na mídia corporativa (e as ações judiciais muito justas daqueles que tem sua imagem afetada por ela)não implicariam também em direito de resposta nos blogs (claro, que reservado as devidas proporções, mas eu mesma me sentiria com o direito de retirar qualquer comentário abusivo) e possibilidade de submeter a processo judicial os blogueiros por "calúnia"?

Me dá dor de cabeça essa questão. Não consigo encontrar um caminho claro nela.


Gravatar Flavia,

O Wordpress tem opções semelhantes em PLUGINS.. depois eu procuro e mando pra você, certo?

Paulo,

Veja, a ideia de que nenhum texto é inocente na verdade é uma premissa dos que defendem a postura da Folha. Procure lá nos textos do pessoal do "A Torre de Marfim" que eu marquei aqui no post. Eu concordo com ela e concordar quer dizer: não há informação que não seja informação de alguém, com interesses, ideias, opiniões. Claro, como eu registrei, nem toda informação traz a marca de interesses, mas é preciso considerar esse aspecto.

Mas na verdade minha questão não parte desse ponto. Minha preocupação é: esse recorte não pode ser qualquer recorte. Vou usar uma imagem pra esclarecer: imagine que você contrata um pintor para RETRATAR você. É claro que você admitirá uma certa margem de diferença relativa ao estilo, a capacidade, aos materiais que ele dispõe. Mas há um limite. Se o objetivo era retratar, embora não exista um padrão fixo e possa sempre surgir ambiguidade e dúvida sobre as fronteiras entre o bom e o mau retrato, há um limite. Com a imprensa a coisa é assemelhada. Há um limite para esse recorte. Nesse caso da Folha, veja, a manchete é extremamente ambigua e certamente servirá de arma nas futuras investidas da oposição. Você pode derivar dela logicamente a participação de Dilma no planejamento do sequestro -- pois o grupo foi denominado "grupo de Dilma". A ambiguidade que é dissolvida na reportagem é MANTIDA na manchete. Esse é um típico caso de um limite transgredido, pois a informação é instrumentalizada.

Mas perceba que eu não estou falando de limitação. Não se trata de impedir que circule coisas do gênero. Tudo isso na verdade é apenas para mostrar que o problema geral da imprensa é legítimo -- apesar das formulações equivocadas que circulam por aí. Como iremos combatê-lo já é um outro caso.

Abraços,

PS. Não sabia que você era o marido da Flavia, pois, salvo engano, você frequenta o blog há mais tempo que ela, não?


Gravatar Flavia, só vi seu comentário depois. Em todo caso, acho que o meu responde algumas coisas.

O essencial é pensar que o que eu estou discutindo ainda não é o COMO vamos combater isso. Mas POR QUE devemos. Pois o que muita gente tenta fazer é tirar a legitimidade da questão.. em razão das formulações imprecisas que grassam por aí.


Gravatar Antes que você procure o plugin, o marido ficou com pena e deu um jeito. obrigada pela mão


Gravatar Eu não conhecia o Torre de Marfim, e continuo sem conhecer. Mas assim, assim, é interesante que dois jornalistas escrevam um blog chamado Torre de Marfim.

É, o ponto em que eu patino é quando se instrumentaliza a informação. Pessoalmente, no dia a dia, eu simplesmente desqualifico a fonte. No seu exemplo, eu simplesmente não contrato aquele pintor porque sei por experiência que o que ele produz não me convence. Mas isso implica que eu tenha consumido o seu trabalho com uma certa visão crítica. Complica muito quando esse é o pintor da realidade que as pessoas enxergam.

Mesmos assim, ainda acho que ao pintor cabe pintar como quiser. A mim cabe gostar ou não, achar polissemias ou não. E quando o pintor incitar algo, que eu me indigne publicamente. E publicamente vou dizer que não mais consumo suas idéias.

E essa minha posição cômoda não mantém a 'massa' como 'massa de manobra'? É, também acho que sim.


Gravatar Paulo,

Não são jornalistas os caras que escrevem pro Torre -- salvo engano. Devem ser economistas ou algo do gênero.

Mas veja, meu exemplo falava de um pintor contratado para RETRATAR. Se você adicionar a possibilidade de conhecer a competência do artista antes de contratar seu trabalho, o meu exemplo perde a função. O mesmo acontece se você disser que um pintor pinta o que quiser. O meu exemplo é preciso: imagine um pinto que tivesse que pintar do mesmo jeito que uma fotografia congela o que está sem seu foco. Por exemplo, se eu tentar fazer um retrato seu, ficará horrível, porque eu não sei desenhar. Você certamente não aceitará meu rabisco como um retrato seu. Não se reconhecerá. Essa é a metáfora que eu criei pra ilustrar essa margem flexível, que apesar de tudo, tem limites. Apesar de alguns serem mais flexíveis que outros, é inegável que nem todo retrato logra capturar o que retrata. Como nem todo recorte é fiel àquilo que recortar.. às vezes nessa operação algo se distorce. Essencial é saber que limites, flexiveis, sim, mas imprescindíveis.


Gravatar Eu tinha visto um post no Torre de Marfim sobre a ECA da USP e achei que fossem, li um pouco mais e realmente não sei o que são.

Continuo achando problemático demais a definição desse limite. Sei o quando agrada esse argumento à quem quer dizer o que quiser e se vender como dono da verdade. E sei que muita gente compra como verdade. Mas não consigo achar que deveríamos ter critérios sacramentados para chamar uma coisa de 'notícia' e outra de 'distorção'. No fundo isso sempre será um exercício pessoal de quem lê. Depende da subjetividade de cada um e é criação social de uma época.

Mas acho que agora entendo bem seu ponto de vista. Obrigado pela explanação, a metáfora do pintor foi muito boa!

PS: Ah sim, eu encontrei seu blog há algum tempo, na época do Olavão. Depois dei a dica para a Flavia e foi conversando com você que ela pegou o gosto de colocar as idéias 'no papel' e acabou abrindo um blog de verdade. Ela se animou tanto que acabou me contagiando também... mas eu sou bem mais preguiçoso do que ela.


Gravatar Paulo,

Eu e você podemos ter opiniões diferentes sobre o trabalho de um pintor: você pode achar que um pintor executou um bom trabalho ao te retratar enquanto eu não. Há essa margem de flexibilidade que admite diferenças. Mas para que seja significativa essa discordância é preciso que a gente aceite a possibilidade de que há bons e maus retratos. Se você não admite a possibilidade de que algo seja enquadrado como "distorção", a metáfora do pintor nem mesmo se aplica. Agora, as consequências da ideias de que as distorções são meramente subjetivas são enormes. Primeiro, o próprio sentido da palavra cai -- pois não tenho critérios para saber se o que outro pensa é de fato um distorção. E é claro que eu não mesmo não pensarei distorções. A palavra perde totalmente o sentido. Imaginar que não podemos usar legitimamente a ideia de distorção é imaginar que não podemos eleger critérios, padrões públicos de correção. Se não temos critérios e meios de correção, se nem mesmo admitimos a possibilidade posta pela ideia de uma oposição entre "notícias" e "distorções", então como teremos a certeza de que não pensamos e deduzimos as mais loucas fantasias daquilo que lemos? É preciso -- e há algo -- que garante que nosso entendimento mútuo e que anula esse terreno de "subjetividade".

Compare a palavra distorção à palavra justiça. Suas fronteiras são menos difusas pouco nítidas? Não temos diariamente a impressão de que certas práticas afrontam a constituição e realização de justiça? E, no entanto, falamos de justiça objetivamente. Temos regras objetivas de orientação jurídica. A dificuldade de pensar limites se deve à ideia que se tem de que limites devem ser dados definitivamente, de uma vez por todas, e com independência dos contextos em que estão situados.


Gravatar Estabelecer os limites, na verdade, é aquilo que eu chamei de secundário. Primário, no meu texto, era reconhecer que existem problemas que legitimam a discussão em torno dos limites. Esse COMO delimitaremos é um aspecto ainda a ser discutido e, OBVIAMENTE, ele não envolve censura prévia, mas uma discussão em torno de liberdade de imprensa e expressão e práticas jurídicas, culturais, que considerem a diferença entre um bom trabalho, que se instale dentro dos espaço AMPLO de flexibilidade onde os interesses podem manipular as notícias e fatos sem distorcê-los, e um trabalho que opere mudanças acintosas e inaceitáveis.

O caso da Folha, repito, é expressivo. Você pode ver nele um exemplo disso que chamo de distorção. E se você tiver alguma maneira de tornar isso que eu chamo de distorção apenas um olhar subjetivo, seria um ganho para seu ponto de vista. Da manchete pode-se -- e pior de tudo, é o que se faz assim que se lê -- derivar a participação de Dilma, não no planejamento do sequestro, mas do PRÓPRIO sequestro (como se ele tivesse ocorrido). Quando falo em AMBIGUIDADE eu estou justamente me livrando do terreno da intencionalidade. Pois assim instalo o problema no campo da linguagem -- duvido muito, CLARO, que essa ambiguidade tenha sido mero acidente, mas pra mim pouco importa essa questão. O que me interessa é apenas que: OBJETIVAMENTE, a manchete não só permite uma leitura que é contradita pelo conteúdo da reportagem, como essa leitura é PRERENCIAL. Daí que ela pode e irá certamente servir de instrumento político. Essa ambiguidade não é subjetiva, ela é objetiva, pois assenta em possibilidades lógicas: do que se pode ou não derivar legitimamente da afirmação contida na manchete. Daí que a relatividade e subjetividade fica excluída desse contexto.

PS. Massa! Vocês andam mais animados pra escrever do que eu.. que além de mal escrever, quase nem tenho lido nada. Essa coisa de escrever é bacana, vicia. Além do mais, o diálogo na internet é estimulante e nos dá a sensação de que o debate pública está acontecendo, as pessoas tem acesso a maior diversidade de ideias, podem filtrá-las, vê-los sob diversos angulos, é legal.


Gravatar É bem legal, principalmente quando encontramos alguém com quem dialogar as idéias!

Acho que sei por onde continuar argumentando, mas isso vai implicar certo esforço que nesse domingo pós corrida e tendo ido para a cama às 6:30 da manhã eu não estou nem um pouco a fim

Mas amanhã estou sem trabalho, e espero estar menos lesado. Vou tentar colocar em pé a questão da subjetividade como fator histório-cultural, e a definição dessa subjetividade (por falta de uma palavra melhor) como definidora de sentidos em uma sociedade. O problema é quando essa subjetividade é coercivamente imposta, ao invés de criticamente pactuada. Acho que disso sai um argumento que se sustenta, mas preciso tentar com mais empenho e reler seu texto com mais atenção.


Gravatar Beleza, Paulo.

Se organize aí, qualquer coisa cê escreve no seu blog mesmo, agora que você também tem espaço. Daí fica uma coisa mais pública (já que a galera nem sempre acompanha os comentários).

Abraços


Gravatar Mui bein, saiu o primeiro filhote dessa discussão. Outro amanhã.


Gravatar Massa, Paulo! No find vou lá olhar e responder..




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