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Então, você costuma produzir um discurso que consiste em "uma demonstração pormenorizada sobre um aspecto que em geral as pessoas não costumam prestar atenção"? Talvez justo por isso mereça esse discurso a alcunha de filosófico. Algo nessa idéia me cativa, sobretudo por que possível pensá-la segundo a perspectiva de uma reflexão sobre o discurso que não se apegue unicamente a condições formais, ou como batizou a tradição "aspectos analíticos" em torno dos quais um acordo imprescindível ao discurso se desenha. Como você deve ter notado, o quanto essa perspectiva me cativa relaciona-se com o quanto ela deve à reflexão de C. Perelman. Mas já é noite...
Anonymous |
07/05/08 - 1:49 am | #
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Sim, se estamos falando de alguma coisa semelhante, de fato meus textos estão carregados dessa perspectiva segundo a qual há elementos anteriores as operações instrumentais da razão, acordos que definem, como paradigmas, valores, metas, alvos a serem atingidos.
Embora minha leitura de Wittgenstein sejam profundamente limitada, minha perspectiva, não posso negar, é de algum modo influenciada pela idéia de paradigma presente nas Investigações filosóficas.
Leonardo Bernardes |
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07/05/08 - 8:01 pm | #
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"No entanto, esses fatores dimensionáveis não desfazem uma verdade patente: um motorista, como um dos fatores que compõe o sistema, não pode determinar o tempo necessário para percorrer um caminho."
Impecável discurso sobre a irracionalidade no trânsito. Não achei, em nenhum momento, tuas palavras maçantes ou descoloridas, bem pelo contrário, são de grande propriedade e com o brilho típico de quem a muito tempo está acostumado a pensar de forma crítica para consigo e para com a realidade que o cerca.
Você delimitou a argumentação ao problema da velocidade, mas são tantos os fatores que compõe o problema do trânsito...
Eu moro em uma cidade que, em seu perímetro central, não requer muito mais do que uma hora de caminhada para ser atravessada. Contudo, os carros são abundantes.
Carros possuem, em geral, espaço para acomodar entre quatro e cinco pessoas confortavelmente, mas o que vejo nas ruas são muitos carros, com apenas um ocupante, circulando para cima e para baixo. Nunca se perguntam, estas pessoas, se realmente precisam tirar o carro da garagem para todos os seus deslocamentos?
O problema vai além do caos no trânsito e do incômodo para aqueles que são pedestres por opção ou necessidade, mas é, também, um problema de saúde pública.
Vivemos em uma sociedade cheia de irracionalidades. Enquanto se supervaloriza um corpo esbelto, também se supervaloriza a posse de um veículo automotor, em especial se for um veículo de quatro rodas. Sabe-se que uma caminhada na qual se percorra um espaço de 3 km em uma hora, caso feita diariamente, é eficiente para a prevenção da obesidade e de doenças cardiovasculares. Tal marca é facilmente superada se você for um pedestre ou se usar o carro de forma racional.
Em uma cidade como a minha, não faz muito sentido ter carro, talvez apenas nos dias chuvosos ou quando se necessita carregar grandes volumes consigo.
Mas aqui também é flagrante a ansiedade social em volta do veículo, ao mesmo tempo em que caminhamos para uma sociedade de obesos e onde doenças relacionadas ao sedentarismo fazem mais vítimas a cada ano.
Cláudio Raul Drews Jr. |
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06/06/08 - 5:17 pm | #
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Olá Cláudio,
Sim, o problema do trânsito é complexo. Além da estrutura das vias, da fiscalização, do respeito as normas de conduta, há o aspecto cultural. Pior é que o avanço da economia garante o fluxo ainda maior de novos carros. Carro no Brasil não é meio, é fim. É luxo, status, todo mundo quer ter o seu a qualquer custo e quem não tem é hostilizado e preterido.
É lamentável porque também a insegurança inibe a prática de carona, daí que mesmo em cidades pequenas como a sua as pessoas hesitam -- e não dá nem pra condená-las.
É um problema que envolve muitos aspectos e eu receio que estejamos longe de solucioná-lo!
Leonardo Bernardes |
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07/06/08 - 2:47 am | #
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Commenting by HaloScan
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