Gravatar Caro Pedro,
Vamos por pontos.
1. "Proceder à revisão do Código Civil em matéria de relações familiares, tendo em conta as novas realidades sociais" é de facto permitir aos homossexuais a possibilidade do casamentos (e, eventualmente, das adopções). É-o de facto, não há volta a dar. Leia a página 25 do relatório.

2. Está lá dito, na notícia (3º parágrafo) que esta foi uma das "ideias suscitadas na comissão ou apresentadas pelos seus interlocutores".

3. De facto o PS não quer mais temas fracturantes nesta legislatura. Leia com atenção a moção de Sócrates ao último congresso (está no site do PS).

4. E assim a agenda da "comissão Vital" coincide, nesta questão dos casamento gay, com a de Sócrates,porque obviamente as celebrações do centenário da República (2010) só irão ter lugar na próxima legislatura (que começa em 2009).

5. Por outro lado, é indesmentível que uma agenda destas para as celebrações da República não bate certo com o que Cavaco disse no 5 de Outubro passado. Vá ao site da Presidência, está lá o discurso.

6. Mas se o PS defender nas eleições de 2009 os casamentos gay e se ganhar as eleições, então aí dificilmente o PR poderá dizer que não.

7. Portanto, o problema é a ligação entre essa medida e o centenário da República.

8. Esteja completamente à vontade para continuar a ler nas notícias não o que lá está mas sim o que os seus preconceitos lhe "dizem" que deve ler.

9. Ou seja: esteja completamente à vontade para continuar enfiar a cabecinha na areia.

Cumprimentos,
JPH


Gravatar Li a notícia e fiquei com a sensação que para Cavaco (que aliás nunca vi pronunciar-se claramente sobre o casamento, mesmo quando isso lhe foi perguntado durante a campanha presidencial) o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma das "polémicas velhas de décadas, destituídas de sentido no nosso tempo".

Ora nem um opositor assumido do casamento (classificação em que Cavaco não encaixa, ainda...) diria isso, de tão descabido. O casamento é uma discussão recente, e absolutamente actual.


Gravatar Óptima malha Pedro, ia escrever sobre o assunto, mas dizes tudo aqui. É a típica notícia construída de suposições, achares, pormenores que interessam realçar ao gosto de determinadas agendas, e vocabulário manipulador do tipo "questão fracturante", já sem aspas ou vergonha, que tudo o resto se decide por unanimidade está visto...


Gravatar Caro João Pedro Henriques,

Os pontos:

1. 2. É o jornalista que traduz. No documento, que é um relatório e não um plano de acção obrigatório (como de resto fiz questão de sublinhar no final do meu post), fala de «revisões ao código civil em matéria de relações familiares», mas não especifica nada, muito menos essas de que fala. Pode passar por soluções muito díspares da do casamento civil actual. É o JPH quem traduz isso dessa forma. E em política as voltas são muitas.

3. Nem quando tal tema foi abordado nas eleições anteriores (o casamento entre pms e num clima difamatório, como sabe, lançado por Santana Lopes), nem na moção de Sócrates ao último Congresso vem tal expressão - temas fracturantes. Aliás, o JPH usa-a sem aspas e sinceramente gostaria de saber o que são e porque é que acha que são fracturantes. Diga-me onde estão e quais são, textualmente, esses temas da agenda fracturante.

Na moção de José Sócrates diz evasivamente isto:
Em prol da liberdade pessoal, da tolerância e do respeito entre todos: remover as discriminações que restam, na ordem jurídica e social portuguesa, designadamente as fundadas no sexo e na orientação sexual; modernizar o direito da família e ajustá-lo à evolução da realidade social; apoiar a articulação entre vida familiar, vida profissional e vida cívica, com especial atenção à situação das mães trabalhadoras;[...] Não li nada como «fracturante», nem «casamento» (apesar do uso da palavra casamento ser excelente nestas discussões...).

Restantes pontos: seria de facto óptimo que na agenda do Governo entrasse o casamento entre pms (tal como a excelente proposta de voto imigrante nas municipais. Porque não nas outras eleições?). Mas a forma como o JPH colou as coisas é que é manifestamente infeliz. Porque, tal como ninguém iria vaticinar o silêncio de Cavaco Silva sobre o referendo passado (apesar de depois ter cagado sentenças), também, como diz e bem o Boss, não está escrito em lado nenhum que Cavaco se vá opôr a casamentos entre pms. E no entanto é essa guerra entre governo e presidência que o JPH esparracha na notícia, recorrendo a interpretações algo esotéricas dos discursos de ambos os poderes.

Quanto às minhas leituras preconceituosas, espero que o JPH não tenha a arrogância de julgar-se sem preconceitos. Todos temos e os meus são mais que claros. E os seus?

Cumprimentos,
Pedro




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