Bravo!!

Espetacular e perigoso, pois permite várias interpretações. É claro que, provavelmente, nunca saberei exatamente de que epifania você fala e do que vc viu por baixo das cascas da pintura que se desfez.
O texto me agradou bastante e me fez pensar que devo cuidar melhor dos meus próprios textos antes de mostrá-los a vc.
A gente passa o tempo todo esperando que as coisas mudem e as mudanças se dão exatamente assim: é como quando a gente percebe algo de errado com a própria roupa e tenta fazer todo o possível para que ninguém note. Por um momento, a gente consegue abafar o que percebe, mas depois isso se torna parte de nós e não há como esconder, até porque não se foge de si.
A gente se assusta com o que vê no espelho e tenta tapá-lo com as mãos. Isso talvez mostre que os adultos não são tão fixos e nem tão irredutíveis quanto se pode pensar. Não é possível agir com a condição "impune" que é concedida às crianças.Um dia, estas crescem e, adultas, têm maior consciência das mudanças a que estão sujeitas e passam a se punir abrindo mão de coisas, situações e sentimentos que poderiam torná-las melhores pelo simples fato de passarem a se preocupar com a opinião alheia, que, muitas vezes, tem só a finalidade de estragar o que poderia ser uma possível alegria por pura inveja, a incapacidade assumida.
A liberdade é relativa: se há uma preocupação insistente com a prisão que a opinião dos outros proporciona, é inútil pensar em liberdade - ela é só fachada para justificar aquilo que está diante dos olhos todo o tempo e que, por este e por outro motivo qualquer, não se quer ver.
"...Gosto. Mas nunca sei o que fazer das coisas de que gosto." É difícil saber o que fazer para manter aqueles que nos são importantes por perto e é igualmente difícil permancer perto de quem às vezes parece não querer ninguém por perto e de quem oferece boas pedradas a quem tenta a dita aproximação. É um mútuo exercício: é preciso aprender a não atirar pedras naqueles que amamos (sim, me atrevo a usar esse verbo pesadíssimo) e, do outro lado, é preciso aprender a desviar das pedras que são atiradas e até mesmo a recolhê-las para que deixem de ser armas. Dessa forma a gente se contamina ao mal do mundo - simplesmente por sermos parte dele. -Fugir é fácil, a chave está ali pendurada, ao alcance de quem quiser. Resta querer alcançá-la. Vale a pena alcançá-la e abrir a porta e fugir? Fugir de quê? Fugir de quem? É inútil fugir de vc mesmo, se é que me permite este comentário mais direto. E aí vem a solidão, que é o nome que o homem deu a algo que se sente quando a única companhia que se tem é a própria, aquela que é mais cruel porque esfrega na cara o tempo todo a verdade de que se tenta fugir quando buscamos a incomunicabilidade. Como a gente vê, a única companhia que teremos a vida toda é a nossa, só nós estamos conosco o tempo todo e a isso às vezes chamamos solidão. Sendo assim, sim, ela é inescapável e inevitável. E aí, então é que resta contar com a tal sorte: po


...porque há coisas que dependem só da gente e não é preciso de sorte para obtê-las:basta um pouco de coragem e de suor, mas estar, de fato, de mãos dadas com alguém depende de duas vontades e isso só a tal da sorte é que pode resolver e talvez os vazios deixem de ser tão vazios neste momento mínimo e inesperado, quase inacreditado pela pobreza que o ser humano adquire submerso no mundo. E voltamos, pois, à possibilidade do livre arbítrio, apesar das caras feias que possamos ver. Resta-nos escolher. "it's just a thought...only a thought..."


E decidi criar um novo blog. Há apenas um texto lá, pois criei hj. Quando puder, visite...


Nossa, há muito não passava aqui.

E incrível o seu texto, como sempre. Embora eu pense que você não deve ter gostado, mas enfim. rs

A solidão é uma realidade. Não tem como fugir disso... e eu sei fingir bem, muito bem.

Abraços, Lipe!


Gravatar Enquanto lia seu texto, uns versos de uma música, há muito conhecida, assomou a minha mente: "O que você está dizendo?/O mundo está ao contrário e ninguém reparou..." Talvez, a compreensão do que "sejamos", ou o esforço empregado para tal, despertem consigo um processo letal de desconstrução daquilo que nos tornamos, ou a distorção paulatina de nossa própria imagem, reiterados pela estranheza do mundo.

Texto, excepcionalmente, brilhante.


Gravatar Pequenos pedaços de mundo em várias frases do seu texto.
Muitos e diversos conceitos do que diz e do que não diz respeito ao que se encontra dentro e quer sair. Do que se encontra fora e não permitimos entrar.

Brilhante texto realmente... gosto cada vez mais do que leio aqui...

enfim
abraços




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