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Caro João Mesquita:
Nunca pensei que desejasse crucificar Manuel Machado. Apenas tive receio que outros pensassem que era essa a minha intenção. Relativamente a Nelo Vingada, estou de acordo consigo quanto às suas qualidades. Porém, penso que, a meio da última temporada, perdeu o controlo do balneário. Por isso, acho que a sua substituição era inevitável.
Relativamente às trocas de jogadores, também as acho manifestamente exageradas e, em alguns casos, injustificadas. Quanto a casos concretos, julgo que era impossível a permanência do Zé Castro, enquanto que a saída de Ezequias e a sua substituição por Lino pode justificar-se se o negócio tiver sido rentável. Já estou plenamente de acordo quanto ao Joeano e quanto à fraca qualidade da maioria das aquisições para esta época (e, já agora, também para a anterior).
Quanto ao destino do dinheiro, era algo que era importante sabermos.
Saudações académicas e um Feliz Ano Novo.


E entretanto já foi o Ezequias, Diogo Valente e a seguir vai o Adriano...


Também tenho esperança que possamos fazer uma época mais tranquila que a anterior.


Ele há cada cromo. Então agora não interessa o futebol. A alguns interessam mais as guerrilhas e as lutas pelo poder. Se isso é ser da Académica vou ali e já venho.


Ó Black, que eu saiba você é sócio ou simpatizante da Associação Académica de Coimbra/Organismo Autónomo de FUTEBOL. Por isso, nada de mais natural que falar de futebol. Ou pensa que isto é o OA de Fado?


Caro Jorge:

Eu também não quero — muito pelo contrário — crucificar Manuel Machado. Este tem a seu crédito, aliás, o facto de manter a Académica acima da chamada "linha de água" — apesar de as expectativas criadas, repito, terem sido muito superiores a isso — e de ter colocado a equipa a praticar bom futebol em vários jogos, ainda que, nalguns casos, sem disso ter recolhido o correspondente proveito em pontos. A minha crítica, obviamente, visa mais alto. Mas, justamente partindo deste pressuposto, e defensor da estabilidade das equipas técnicas que sou, sempre lhe digo que, pelo menos para mim, ainda estão por provar os benefícios da substituição de Nelo Vingada — um homem que, durante o ano e meio em que treinou a Briosa, atingiu, com maior ou menor dificuldade, os objectivos propostos; que partilhava o que eu designo de "cultura académica"; e que possuía um discurso sólido, coerente e civilizado. Tal como estão por provar — e esta é a essência da minha observação —, as vantagens de algumas trocas de jogadores. Por exemplo: de Zé Castro por Litos; de Ezequias por Medeiros; de Joeano por Gyano ou por Nestor; mesmo de Pedro Silva por Sonkaya.
Não tenho qualquer problema em reconhecer que, pelo contrário, ficámos a ganhar com as substituições de Luciano por Miguel Pedro, de Fernando por Hélder Barbosa, e de Andrade por qualquer um dos três (!) novos "trincos". Tal como ficámos a ganhar — e muito! — com a entrada de Dame N' Doye. Ou, mesmo, de Lino. Mas a minha pergunta de fundo mantém-se: melhorámos assim tanto a qualidade global do plantel? O que poderia ser este se tivéssemos mantido alguns bons jogadores da época passada — já nem falo de Zé Castro, cuja conservação em Coimbra seria sempre difícil, mas de Joeano e de Ezequias —, acrescentando-lhes os bons reforços que são Miguel Pedro, Dame e Hélder Barbosa e fazendo-os acompanhar de um bom defesa-direito? Tendo a opção sido pela venda daqueles jogadores — mais de Ousame N' Doye —, onde foi gasto o dinheiro correspondente, uma vez que parece não haver verba para reforçar a equipa no chamado mercado de inverno, nem se fizeram investimentos nas obras prometidas (Bolão, museu, Arcos do Jardim, etc)?

Saudações académicas


VIVÒ O FUTIBOL
Isto é uma maravilha. A Académica anda nas bocas do mundo, porque o presidente da instituição decidiu, na sua auto-proclamada forma de "rigor e transparência", arranjar uns valentes cobres para ele e para a casa e aqui só se fala de pontapé na bola.
Brilhante! Que se lixem os valores do velho emblema académico que ainda anda no meio das camisolas. O que interessa mesmo são as vitórias em campo, mesmo se nesta época têm sido mais morais do que reais.
Venha aí mais uma carrada de brasucas que ainda vamos a tempo de ir à Europa...
É isto ser da Académica? Certamente que não!


O Beira-Mar está a reforçar-se perigosamente. Acho estranho só recomeçarmos os trabalhos a 2 Jan! No mínimo os jogadores deviam estar e Coimbrana semana anterior...Bom Ano Novo para todos.


"Andei alguns anos no dirigismo e no jornalismo desportivo e sei que, nestas coisas, piso terreno minado. Logo, há que evitar as minas, antes que possamos ser atingidos por elas"

Eu conheço bem a experiencia do Jorge Martins e aplaudo esta intervençao final.
Apenas lanço um desafio ao MARIO JOSE DE CASTRO para que de igual forma tenha cuidado com o campo minado ao qual anda a pisar.
Já lhe rebentou uma bomba nas mãos e se ele nao cuida a proxima bomba pode rebentar com ele de uma vez por todas!


Caro João Mesquita:
O seu comentário revela preocupações legítimas, que penso serem compartilhadas pela maioria dos associados da nossa Briosa. Simultaneamente, e como é seu timbre, levanta importantes e estimulantes questões quanto ao futuro imediato da AAC, que também estão na ordem do dia. Realmente, mais uma vez, os resultados estão muito abaixo do que seria legítimo esperar face ao investimento efectuado.
Contudo, o meu "post" prosseguia objectivos um pouco mais modestos, ou seja, esgotava-se na análise dos números, dentro dos critérios que defini, e respectivas coclusões quanto ao rendimento da equipa e as perspectivas para a 2ª volta. Apenas me afastei um pouco dessa linha no parágrafo final, unicamente para salvaguardar a posição do técnico Manuel Machado, para mim o menos culpado da maioria dos resultados menos bons. Foi uma precaução que tomei para não pensarem que queria pôr em causa o seu trabalho ou compará-lo com o do antigo treinador. Andei alguns anos no dirigismo e no jornalismo desportivo e sei que, nestas coisas, piso terreno minado. Logo, há que evitar as minas, antes que possamos ser atingidos por elas.


Eu compreendo os problemas resultantes da "necessidade que Manuel Machado teve de entrosar, num curto espaço de tempo, um grupo onde entraram 16 novos elementos". O que eu não compreendo — e os resultados estão, agora, mais à vista — é a necessidade desses "16 novos elementos", nem de quase outras tantas saídas. Além de que, o que nos foi prometido — logo na sessão de apresentação da equipa, a que assisti — foi que "o rendimento da Briosa" seria, não "inferior ao da época passada (como os números objectivamente revelam e o Jorge, como toda a gente, constata), mas bastante superior. Aliás, de que outro modo se justificaria uma tão profunda remodelação do plantel e a própria mudança da equipa técnica?
Quanto ao facto de, apesar de tudo, "as perspectivas" serem melhores, oxalá a sua previsão venha a confirmar-se. É sinal de que não teremos de esperar pela conversão de um pénalti, a dez minutos do fim do último jogo, para assegurarmos a permanência na Superliga. Mas — e lá voltamos nós às promessas —, o que nos foi garantido é que viveríamos, este ano, uma época tranquila. Ora, para já, isso está muito longe de se verificar (e não apenas relativamente aos aspectos estritamente desportivos). E, para ser franco, eu temo muito que o cenário não venha a alterar-se radicalmente até ao final da época. Desde logo, porque o calendário é pior — com oito jogos fora e apenas sete em casa, disputando-se o derradeiro encontro no estádio do Benfica. Depois — e principalmente —, porque ao contrário da ideia criada e do que fariam supor os "encaixes" feitos com as vendas de Marcel, Joeano, Ezequias, N´Doye e Hugo Alcântara, parece que, afinal, a Académica não está compradora (ao que se lê nos jornais, está mesmo com grande dificuldade em conseguir empréstimos de qualidade), mas vendedora. Tanto que já se fala nas saídas de Roberto Brum e de Filipe Teixeira, sendo que pelo menos esta última, no meu fraco entendimento, seria absolutamente trágica.
Uma vez que não se vê em que outro sítio foi investido o dinheiro (o complexo do Bolão continua à espera de melhores dias; o meuseu do futebol da Académica, idem; o passivo não dimuminuiu; não existe qualquer publicação académica períodica; bolsas, residências e salas de estudo para atletas, nicles...), a grande pergunta que esta primeira volta do campeonato me deixa é esta: qual é a nossa estratégia, afinal? E que objectivos prosseguimos? Assegurarmos a permanência antes dos dez minutos finais do derradeiro jogo?

Saudações académicas e votos de um ano de 2007 o melhor possível


Fiquei mais descansado...Mas não muito!




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