Singelo Mundo

Antes que venham dizer "que burro, a discussão foi no STF", fique claro: eu sei. So what? Políticos ficaram menos imbecis por isso? Há maior rejeição dos políticos? A única coisa que isso acrescenta é: nossos magistrados não entendem nada de constituição brasileira - que diz, por causa de acordo internacional, que a vida começa na concepção - e, por isso, saem por aí julgando constitucionais coisas inconstitucionais.


Trilha de All that jazz e Uptown girls. ;D


Gravatar Nesse caso então o que o Welberson falou lá n'O Indivíduo é válido; quem é contra o aborto também tem obrigatoriamente que ser contra a fertilização in vitro, ou pelo menos tem que ser a favor da implantação de todos os embriões, o que obrigaria o casal ou a mulher a ter dezenas de filhos só porque quis ter um e foi obrigado a recorrer à técnica in vitro.
E mais, se esse embrião congelado não pode ser descartado, mesmo não tendo chance de virar um "ser humano" (porque concordo que meia dúzia de células não podem ser considerados um ser humano completo), então a mão terá que enfrentar sucessivas gestações de natimortos e bebês defeituosos, porque não é certo descartar NENHUM embrião uma vez que foi fertilizado.
Acho isso extremista e equivocado. Teríamos então que proibir a ciência de reproduzir células humanas em laborátorio em qualquer hipótese, acabar com a fertilização in vitro e deixar somente a Deus a decisão de quem vai ter filhos e quantos.
Acho tão errado o aborto de fetos saudáveis e por motivos fúteis, quanto acho errado esse argumento de que qualquer aglomerado de células tem obrigatoriamente que ser cultivado até virar uma criança.


Gravatar "porque não é certo descartar NENHUM embrião uma vez que foi fertilizado"

Não é certo, mesmo, se o embrião for capaz de se desenvolver (daí a possibilidade de se evitarem os natimortos e tal, mas não sou médico nem biólogo, digo como um desinformado que sou). A pesquisa com embriões incapazes de se desenvolver não me parece de todo ruim, embora eu possa estar errado. Falei disso no próprio post,lá pela 40ª página, acho.

Quanto a bebês defeituosos, sinceramente, é egoísmo (é mais que egoísmo. Qual é a palavra que vale pra egoísmo em dobro?) querer que um feto pare de se desenvolver porque vai ter síndrome de down, por exemplo. Não é porque foi detectado cedo que isso se torna legítimo - aliás, quão cedo precisa ser? Uma mórula? Um feto de três meses? Ao nascer? Com doze anos? Qualquer critério é arbitrário demais para ser aplicado, e a resposta lógica sustentável pode ser tanto "sempre" quanto "nunca". Prefiro "nunca".

Esse negócio de deixar somente a Deus tem funcionado bem até hoje em dia. Deus (ou o acaso, escolha) tem mantido a população humana em alta nos últimos tempos. Mas isso não acarreta ser contra a fertilização in vitro em todos os aspectos. A mulher não seria obrigada a ter 10 filhos porque quis um, também. Ela pode fazer um só embrião por vez. Se não der certo, num aborto espontâneo, tenta de novo, com mais um. Talvez os abortos espontâneos aumentem, mas o número de filhos nem tanto.

O que acredito, Badá, é que gerar uma vida é um compromisso voluntário que deve ser levado até o fim porque implica a responsabilidade de não agredir.

E, bem, o que eu tentei defender aqui é simplesmente que a ética seja válida em todos os seus aspectos, para todasas situações, sem que a corda saia por aí arrebentando do lado de sempre.

Mas de qualquer forma obrigado pelo argumento - e por ter suportado o texto todo, e tal. Espero que tenha gostado do link, pelo menos. E que não fique com raiva de mim. Eu não te odeio só porque você é apologeta do homicídio, acho isso bonito em uma mulher. ;D


Gravatar (meu comentário é maior que o se-eu, lalalalalá)


Gravatar Escolha nem sempre determina gravidez, então acho melhor deixar com Deus mesmo.
E "Talvez os abortos espontâneos aumentem, mas o número de filhos nem tanto" seria submeter a mulher a um monte de abortos que poderiam diminuir significativamente a sua possibilidade de levar uma gravidez até o final, e a um trauma psicológico talvez insuperável para alguém já fragilizada pela incapacidade de ser mãe "como todo mundo". É mau e violento.
"É que gerar uma vida é um compromisso voluntário que deve ser levado até o fim" - não é bem assim. O que mais tem é gente surgindo com filhos indesejados e não planejados, alguns por irresponsabilidade dos pais, outros por irresponsabilidade da indústria, outros por casos fortuitos. Mas, mas, nunca disse que sou a favor do aborto, sou apenas contra a obrigatoriedade de se levar adiante uma gravidez inviável só porque outros dizem que sim.
E sim, para mim, um filho defeituoso é um bom motivo para que se faça um aborto, desde que isso seja cedo, muito cedo, agora a data exata eu como leiga não saberia determinar. Acho que assim que se descobre o defeito, afinal antes disso seria arbitrário - abortar porque "acha possível" que haja um problema.
Mas ser contra todo e qualquer aborto é irresponsável. Assim como ser a favor do aborto livre também é. Se a legislação permitisse o aborto de fetos defeituosos, o descarte de embriões e o uso de embriões descartados na pesquisade doenças, acho que haveria menos problemas, menos clandestinidade, menos abortos irresponsáveis. E sim, é necessário punir quem aborta um feto saudável, mas não é a igreja nem a convicção de alguns que vai determinar isso, porque tem gente que acha se um óvulo foi fecundado é porque ele é saudável e tem que ser gestado até o fim. Isso é demais. Eu nunca enfrentaria uma gravidez de bebê defeituoso, me desculpem os ferrenhos. Assim como também eu jamais abortaria um bebê saudável só porque "não estou com vontade" de ser mãe, mesmo que a concepção tenha sido por falha do medicamento (acidental).
O que não podemos é confundir menininhas que querem dar sem se proteger, com mulheres que querem ser mães de maneira saudável e completa.
E usar embriões em pesquisa deveria ser tão natural quanto abater animais para o consumo. É feio? É nojento? É de dar engulhos? Mas tem seus benefícios, e os embriões muito mais que a carne. Porque ninguém escolhe precisar de avanços da medicina para se curar de um mal degenerativo, por exemplo. Mas pode escolher se come carne ou não. Então a pesquisa com embriões é muito mais necessária e portanto deveria ser muito melhor aceita.


Gravatar Não ficaria jamais com raiva de você, eu gosto de uma intriguinha inocente. Quer dizer, nem tão inocente. Maldosinha. Afinal ela é toda teórica.
Gostei sim do seu post.
Beijinho.


Gravatar Acho que está tudo certo, mas li uma vez um texto do Radamanto que me deixou muito compreensível para injetar gasolinas em humanos. Vou lá procurar, já volto.


Gravatar Acho que era "compreensivo", mas ok. Aqui está:

http://radamanto.wunderblogs.com...ves/ 004693.html


Gravatar Hahahahaha, muito bom, Eduardo.




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