O Impecável
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Só para não passar por ignorante: as ditaduras soviéticas proibiram severamente o aborto. Para saber quão severamente, informe-se antes de falar de qualquer coisa de que não sabe nada (refiro-me à relação entre ideologia e legislação do aborto).
Anonymous |
04.13.07 - 5:45 pm | #
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Caro Dr.:
Confesso que fiquei tentado a votar no não especialmente depois de ver o iluminado programa prós e contras, do qual sou atento espectador.
Em primeiro lugar, porque sou português e Portugal precisa muito de crianças e de uma nova geração de arquitectos e engenheiros e assim. Uma geração gira, faz falta. E não sei o que é que isso tem a ver com o Não no referendo, mas é assim uma superstição, uma fé!
Claro que se eu fosse um bocadinho mais urbano e intelectual, ficava verdadeiramente abalado com a revelação de que a ciência favorece a consciência. Mas não. O que me fez mesmo vacilar foi o argumento de que é preciso alguém para tratar da Kátia Guerreiro quando for velhinha. E manter a lei como está é capaz de aumentar as probabilidades de nascer alguém disposto a fazê-lo. Ou não. Este argumento só foi superado, na minha opinião, pelo facto de o Dr. Aguiar Branco ter cinco filhos. E depois pelo facto de ele saber que todos eles já tiveram 10 semanas de gestação. A sério! Ele não pensa que eles apareceram assim, já vestidos dentro de uma couve. Ele não pensa que eles chegaram no bico de uma cegonha. Não. Ele sabe que eles já tiveram dez semanas de gestação. Isso emocionou-me.
Fiquei também tentado a votar Não porque a palavra «Livre» encanita-me, sobretudo quando associada a «Mulher». Por decisão da mulher? Não faltava mais nada! Se forem uns senhores, especialistas vá, a decidir, tudo bem, aspire-se lá a senhora. Agora, «a pedido da mulher»? Isso não me parece prudente.
Só acho que faltaram assim umas crianças, lindas, bem tratadas, penteadas com t-shirts coloridas a dizer «Não ao aborto». Fica sempre bem e fez-me falta, confesso. Depois de tudo isto, por eu ter votado sim, é mesmo porque sou um criminoso. E todos os criminosos devem passar por esta fase de desenvolvimento do seu mau carácter. Votar Não poderia interromper esse processo!
…
Ser de esquerda, de direita, ou ambidestro foi e é algo secundário nesta discussão.
A questão referendada não é passível de divagações, não se trata de saber a posição de cada um sobre o aborto: Ganhando o sim, o legislador parlamentar ficou autorizado (infelizmente, não obrigado) a legislar no sentido proposto, ou seja, despenalizando o aborto, mediante a alteração do Código Penal.
Há que atentar aos factos: o aborto é praticado diariamente – e a verdade é que, quem morre por abortar são mulheres com poucos recursos financeiros, carenciadas e esquecidas (porque o aborto não é opção; é necessidade). Se se devem combater os factores que motivam gravidezes indesejadas, é humanamente muito cruel tentar impô-las sob ameaça de julgamento e prisão. É certo que hoje há mais condições para evitar uma gravidez imprevista (contraceptivos, planeamento familiar, etc.). Mas a sociologia é o que é, mostrando como essas situações continuam a ocorrer, em todas as classes e condições sociais, mas especialmente nas classes mais desfavorecidas É isto a justiça social? Contenção de despesas? ( é verdadeiramente o
José Miguel Santos |
04.13.07 - 8:33 pm | #
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obsceno utilizar o argumento dos custos financeiros para o SNS. o referendo não inclui essa questão, deixando para a lei decidir sobre o financiamento dos abortos "legais" E, mesmo que venham a ser praticados no SNS, o seu custo não deve comparar desfavoravelmente com os custos da perseguição penal dos abortos, assim como das sequelas dos abortos mal sucedidos). Descuidar quem precisa de cuidado? Impor uma não-opção? Ditar um comportamento? Punir quem não tem dinheiro? Dar dinheiro a quem desrespeita a lei? Se é legal abortar em Espanha, faz algum sentido ser proibido em Portugal? As mulheres que recorrem ao aborto em Portugal devem ser sujeitas a um processo criminal? As que fizerem o aborto em Espanha também devem ser sujeitas a um processo criminal em Portugal? Os respectivos companheiros devem ser, igualmente, sujeitos a um processo criminal por cumplicidade? E no caso de ter sido o companheiro a instigar a companheira a fazer o aborto? Quem votou contra a despenalização não pode pretender… a despenalização!
Não vou aqui debater a minha ideia radical de quando começa a vida (ou quando é que ela acaba…), mas até às 10 semanas o feto não tem sensibilidade nem consciência. É a partir da 10.º semana que se começa a desenvolver o sistema nervoso central, base dessas faculdades, sendo altamente falaciosa a ideia de 10 semanas e 1 dia, 2 dias, 4 horas: qualquer juiz que não esteja inabilitado consegue resolver facilmente a dita questão. A gestação é um processo contínuo até ao nascimento mas, antes da décima semana, não havendo ainda actividade neuronal, não é claro que o processo de constituição de um novo ser humano esteja concluído.
Quando vemos tantos auto proclamados liberais nas hostes do "não", isso é a prova de que o seu liberalismo se limita à esfera dos negócios e da economia
Que se dê condições, que se proporcionem meios, que se dê informação; mas certo é que tal não aconteceria enquanto fosse um crime, enquanto se tratasse o problema com distância, enquanto se encarasse a realidade numa visão disforme, enquanto se impedisse a mulher de procurar ajuda, sendo-lhe expostas as opções que tem e decidindo, aí sim, consciente e com responsabilização, realizar a interrupção voluntária da gravidez em condições dignas, certas e iguais – isto é ser Humano.
José Miguel Santos |
04.13.07 - 9:08 pm | #
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duxhk |
Homepage |
08.26.07 - 3:46 pm | #
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I think being a difficult subject to comment.
I am not in favour of abortion because it is a life that is at stake.
I am a young mother and I was disturbed but today is a pride that we do have someone smile.
Katie |
03.11.08 - 4:16 pm | #
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Commenting by HaloScan
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