INTERREGNO

Gravatar Caro amigo(se me permite este tratamento). Estava a visitar blogs, quando dei com o seu, que não conhecia. Desculpe este comentário, que diz respeito a um texto seu muito anterior, bastante interessante. Em relação à Bandeira nacional a questão é interessante: resta saber se as quinas ficaram azuis, por assimilarem a cruz de Borgonha, ou porque assim foi decidido pelo Fundador ou posteriormente. A primeira aparição das Quinas é no selo rodado de D. Afonso Henriques, e é a vermelho, embora naturalmente como todos aqueles "selos". Existe também uma forte relação de D.Afonso Henriques com a Ordem Templária - "Em todas as coisas sou vosso irmão"; que utilizavam a cruz rodada vermelha, sob fundo preto e branco, da qual a Cruz da Ordem de Cristo descende. Depois existem as cores pessais da realeza: Verde e Roxo de D. João II,de Campo Vermelho e Branco(Com a Esfera armilar) de D. Manuel.(A mais conhecida e carismática(dada por D.João II a D. Manuel,e carismática por presidir às grandes navegações e às armadas e à realeza imperial(Triangulos vermelhos e brancos com a esfera ao centro- cores da Alquimia e da Cavalaria; e por remeter para a Ordem de Cristo - da qual D. manuel se tornou Grão Mestre(Inspiradora do Brasil colónia e Imperial- quer a Cruz, quer a Esfera). Depois temos a azul de D.João IV(Nossa Senhora da Conceição), verde de D.Pedro II, vermelhas dos reis mais modernos(Todas pessoais - do Estado de Monarca)- paralelas às brancas nacionais e azul e branca nacional. Reconheço que a carbonária(não falo do G. O. L.) já nada(ou quase nada) tem a ver com a verdadeira maçonaria religiosa, regular, Inspirada no Graal e na ordem templária, felizmente novamente implantada em Portugal (Uma vez que o Grande Oriente Lusitano de laicisou, desviado pelos franceses). Seja como for, adoptaram as Cores de São João evangelista (Verde e Vermelho)em 1910, tradição esta que numa nação tão ligada à Ordem Templária, faz-me pensar se sem querer(ou por querer) se remeteu a simbólica para a tradição secreta do Cristianismo iniciático de São João(esotérico), paralelo e secreto, face ao católico(exotérico). A Obra querida ao gibelinos é a "Divina Comédia" de Dante, onde o Espírito Santo, a Belíssima Beatriz, apresenta-se de verde e vermelho - e Dante é guiado por São Bernardo, "padrinho" dos templários. A Obra refere D.Dinis, salvador dos templários portugueses, face a Filipe o Belo e ao Papado, que iniciam a sua perseguição na Europa. Esta obra parece opôr a tradição secreta à Igreja terrena. Por outro lado, a tradição do menino Imperador e do Espírito Santo(terceira Idade), nestes moldes, é EXCLUSIVAMENTE do mundo português: Tomar, Alenquer, Açores, Brasil- onde escapou ao braço da inquisição e hoje novamente pacificada com a Igreja Católica(Embora o Espírito Santo(sendo de Deus) seja de todos em todo o Universo e a todos governe. Esta Bandeira é a Vermelha do PenteCostes. Isto faz-nos pensar com mais atenção sobre as cores nacionais. A profecia, o Quinto Império


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Um Abraço e Cumprimentos

Pedro Rodrigues


Gravatar Caro amigo
Agradeço-lhe a intervenção muito interessante e sapiente. Não ponho em causa a linha interpretativa que expôe, que tentei acompanhar, mas o meu objectivo era como sabe outro.
O verde e encarnado que foi imposto aos portugueses não se baseou nessa perspectiva iniciática, porque se o fosse, para além de não ser entendida, não seria aceite. O grupo de Afonso Costa teria as suas motivações, variadas por certo, mas o que se pretendeu atingir foi a Coroa e o seu suporte, a Igreja Católica. Há mais do que uma corrente na Igreja? Houve e haverá decerto. Mas o que me interessava demonstrar era o intuito de reescrever a história que sempre esteve presente na Republica jacobina. Lembre-se que em França até o calendário quiseram mudar! Remeto mais para a 'soberba humana' e medo de perder o poder, do que para algum desígnio secreto.
Aliás dei o exemplo da URSS e da sua simbologia, e da coragem de Ieltsin em repor, ao menos, as cores da tradição.
Este não é para mim um assunto encerrado e explico: cada bandeira verde e encarnada desfraldada, exprime um acto deseducativo e uma ofensa ao Fundador.
Tal como cada 'foice e martelo' exprimia uma ofensa ao povo Russo.
A história aceita-se, tal como a herança, com o bom e o mau. O que não se aceita e não faz parte da herança, é o repúdio da herança.
Obrigado pela seu comentário e cumprimentos.


Gravatar Boa tarde, caro amigo.
Visitando o seu blog, li a sua resposta, que naturalmente agradeço.
Tenho só uma ligeira discordância. Ao contrário da ex-URSS e dos países de leste em geral, que cortaram de facto com a tradição - refiro-me ao desaparecimento das Águias reais bicéfalas, da heráldica de São Jorge (Rússia, Geórgia etc, esta última com a Cruz, tal qual a Inglaterra), das cruzes da Hungria etc.; em Portugal, ao contrário, e aliás na linha de um pensamento incoerente dos republicanos - que atacavam violentamente a dinastia bragantina, gloricando as duas anteriores; procurou-se dizia eu, justamente ao contrário da razia simbólica do bolchevismo, a restauração do purismo simbólico "original". O escudo nacional deixou o estilo francês, e passou a ter o "estilo" quinhentista, assentando sobre a esphera armilar. Os únicos cortes com a tradição dão-se com a retirada da coroa e com o vermelho e o verde.
Relativamente à coroa, é necessário lembrar que D. Sebastião, e não por acaso este rei,(o Rei-mito - "Sebastião" do grego "Imperador") fechou a coroa, dando-lhe a dimensão do globo, ou seja, tornando-a imperial. A esfera armilar de D. Manuel e do Brasil colónia, Reino Unido(1816) e Império(1822), representa justamente o Zoodíaco e todo o Universo constelado.
Sendo a bandeira republicana uma bandeira de interregno, (que aliás dá o nome a este seu belo espaço na net), de entre-reinos; têm em si já muitos aspectos de um Portugal futuro e sublimado.


Gravatar Para acrescentar:
Não obstante o Columbano Bordalo Pinheiro e outras figuras proeminentes na adopção da bandeira, a verdade é que para eles a esfera armilar era apenas o retorno ao império mundial dos descobrimentos, com pouca noção do alto simbolismo iniciático da esfera, atríbuida a Hermes Trimegisto, à Kabbalah e a todo o conhecimento antigo. A Esfera Dourada é o Graal supremo, aliás na linha de Camões, nos "Lusíadas") quando a deusa leva Vasco da Gama ao cume da ilha (se não me engano) a observar a esfera, a máquina e centro do mundo, que Deus governa e rodeia.
Outra coisa: obviamente que a carbonária era uma organização degenerada, sem ligação à antiga maçonaria operativa e, tal como o GOL, (com outra dignidade), naquela altura vinha num processo de laicisação à francesa e de progressivo jacobinismo, não obstante utilizando símbolos divinos.
Tudo indica que o verde-rubro na linha italiana e portuguesa diz mesmo respeito ao antigo apadrinhamento das confrarias de construtores e sociedades iniciáticas por São João, e numa nação tão ligada ao mito e à busca do Preste João (mesmo dentro de si mesma) - aquele que fica secretamente até à segunda Vinda do Salvador, faz o seu sentido.


Gravatar Para finalizar:
Como católico conservador que creio que é, não quero ofendê-lo com tantas referências à maçonaria. A questão está em que desde 1820, esta foi de crucial importância na política nacional até ao 28 de maio e á instauração do Estado Novo. Desde D. Pedro IV, passanto por praticamente todas as grandes figuras do liberalismo - todos pertenceram a esta sociedade (Joaquim A. Augusto Aguiar, Costa Cabral e quase todos etc.); e adoptaram, daquela vez, a bandeita azul e branca, com referência às Quinas, que aparecem desde o inicio a azul sob fundo branco e também com referêcia a Nossa Senhora. O azul é o femenino, a água, a lua, o frio, a Mãe. O vermelho é a luz, o dia, o sol, o fogo, o Pai, representa também Jesus Cristo.
Toda esta temática do cromatismo é um caso a pensar com muito cuidado.´
Bom, por aqui me fico.
Um Abraço.


Gravatar http://www.sovranitamonetaria.org/


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Gravatar Caro Pedro Rodrigues
Mais uma interessante digressão sobre a problemática simbólica, que vem afinal justificar o nome deste espaço, talvez a sua existência, e dar razão à minha pergunta inicial:
Quais são as cores de Portugal?
Em primeiro lugar há que reconhecer que um dos objectivos do partido republicano, a par da sua sombra maçónica, e sem esquecer o braço-armado da carbonária, foi atingido!!!
Instalar a dúvida, confundir os portugueses sobre a sua verdadeira identidade. Como? Falsificando a história, a começar pelos símbolos.
Mas porque o espaço da caixa de comentários não será o local apropriado para prosseguir tão importante debate, publicarei um postal a propósito onde reforçarei os meus argumentos.
Espero não estar a ser deselegante, mas prático.
Assim poderei também alargar o debate a outros visitantes, especialmente aos comentadores que até agora se limitaram ao abecedário.
Cumprimentos.


Gravatar Ainda por cima,ontem, quando pretendi responder, o meu comentário, talvez por ser demasiado extenso, foi engolido e desapareceu. Como costumo escrever directamente para a 'caixa', tenho que o reconstituir de memória.
Repito, escreverei um postal, que é mais simples.
Os meus cumprimentos.




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