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Meu caro JSM:
Ausente este tempo todo, por motivos de saúde, não lhe virei mais uma vez "dizer que estou confusa", porque temo que se irritasse de vez e fazendo jus à sua agilidade , amarinhasse pelas paredes...Bom mas o facto é que estou!!!! Não o estou consigo JSM (que me parece "transparente"), nem com as suas explicações( sem dúvida inteligentes), ou ausências(bem piores!), mas com este Não novo, que quer a existência de crime,sem penalização! Com razão, compara-se o aborto, com os assassínios de um outro filho por estar na idade embirrenta ou dos Pais por já não serem uteis e darem muito trabalho. Lembra-se de muitos comentários aqui escritos assim. Se passa a ideia peregrina do conceito de aborto como crime, sem penalização, também todos esses crimes com os quais foi comparado, por igualdade de direito terão de ser despenalizados, sob pena de afinal o aborto ser um crime "menor" ou mesmo "insignificante".E porque há sempre atenuantes, tão atendíveis, como as que se pretende agora,para as mulheres que abortam!Ora finalmente esclarecida,percebi que não sou pelo sim, nem pelo não, mas sim pela revogação total da lei!Abortar é um crime desde a concepção. Os crimes são penalizados. Não à despenalização!Não às excepções por violação, de que resulta uma vida, que não tem culpa do Pai ser um traste, nem me parece motivo suficiente para o matar.Não às excepções por má conformação do fecto- a natureza costuma ser selectiva e caso o não seja ,é porque é viavel.Depois com tantos deficientes mentais que nos rodeiam,que importa um a mais? Não à excepção pelo risco de vida da Mãe- tem idade para saber o que faz e os perigos que corre.Não a políticas acrescidas de protecção à maternidade- que se vão traduzir no imediato,num aumento de filhos à conta do abono e posterior abandono!Meu caro JSM como vê estou esclarecidíssima!!!Esta lei, que temos, a "meio tempo" votada por todos os partidos e ponto de partida para este novo referendo, baralhou-me por completo - ela já é em si uma aberração!Como estou tranquila por já ter opinião!!!!Até qq dia.Anda um pouco soturno, não??? Vê tudo demasiado negro!Não se esqueça que apesar da tal decadência vir de longe,lá nos vamos mantendo como País há 900 anos! Não menosprezemos a capacidade do povo português de saber, em situações críticas, resolver os problemas e continuar. Ao longo dos muitos anos , as soluções encontradas nunca agradaram a todos.Mas continuámos!!!Um abraço
MSM
Anonymous |
02.07.07 - 12:34 am | #
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Cara MSM
Folgo saber que está em boa forma, e sobre o que diz deste assunto, mau grado uma certa radicalidade, sou obrigado a seguir a sua lógica.
Mas a ideia que tenho tentado passar, sem menosprezo pelo esforço e pelos argumentos do chamado 'não' estrito, que é o que se defende de uma maneira geral nos debates, o que de facto todos sentimos é que há alguma coisa que não bate certo! Que está desfocada, que já vem envenenada de trás. Quem como eu assim pensa, é tentado a aderir a um 'não' muito maior, embora por isso possa ser acusado de desviar recursos e forças necessárias para este combate concreto do referendo.
Se calhar por causa disso, a proposta de Rosário Carneiro de 2004, que tem natureza política, acaba por ser um caminho que a sociedade civil poderia e deveria explorar. O crime mantém-se porque a lei precisa de dar um sinal de vida para a comunidade, e tem que ter obviamente uma penalização. Ora aqui podemos compreender que uma 'experiência educativa' sem necessidade de julgamento ou prisão, e atendendo às circunstâncias, poderia ser uma fórmula perfeitamente possível e desejável. Cumpria-se assim, e também, o princípio de reinserção que deve presidir à lei penal.
Mas o problema é que o 'sim' não quis isto em 2004 e não quer isto agora, nem nunca!
Porquê?!
Aqui reclamo a a velha história do lobo e do cordeiro. Não querem porque querem tudo. Querem simplesmente exterminar o cordeiro.
Saudações portuguesas.
JSM |
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02.07.07 - 1:34 pm | #
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Só uma pergunta: Se é à Igreja Católica que se refere na questão da hierarquia, compreendo(na presunção que não gosta da separação do Estado); mas se é de um modo geral, coloco algumas questões:
1. Incomoda-o uma sociedade liberal em que a elite nasça do povo por Mérito, e onde o poder está ao alcance de todos pela via do estudo e do mérito verdadeiro, destacando-se os melhores? (admitindo que não é isso que na maior parte das vezes actualmente acontece)- Falo, contundo, num plano teorico perfeito!?
2. Defende,(caso rejeite o ponto "1.") a sociedade dos "Três Estados" e (ou) Corporações etc.?
2.1. Se defende este ponto "2.", prefere uma Nobreza ("Elite" dirigente - uma vez os actuais "bellatores" são os militares provindos de todos os estrados sociais) nobreza esta, vinda de todo o Povo por mérito devidamente avaliado, ou então formada por sujeitos de uma Associação de Brasões e Genealogia(ou que assim se reivindiquem geneológicamente) com competência ou sem ela, apenas porque confirmem o Titulo da descendência de um Duque ou Marquês em qualquer ponto da História?
3. O caro JSM, (se não for indiscrição!) caso defenda o ponto n.º 2. , em que Estrato da "hierarquia" tradicional é que se colocaria na eventualidade desta?
Ás vezes a declaração de interesses é importante, embora entre pessoas honestas, como é o seu caso, não seja preciso.
Aliás gostava de colocar a todos os blogues em geral - talvez mais aos "integralistas" ou "proto-integralistas" que aos Monárquicos Constitucionalistas ou de tradição liberal em geral, em que apenas a Figura e a Familia Real são Hereditárias, na teoria. (Perguntas estas também para os Republicanos Conservadores, na tradição Aristocrática da República Romana, fundamental para a Europa, tal como a Democracia Ateniense)
Para mim a Grande tradição Monárquica modelar é a de Israel(Depois do Conselho das 12 Tribos) e a do Egipto.
Convêm uma Clarificação, para percebermos o que é que os senhores querem!; e se o Povo "Plebeu" dos mais de 10 Milhões - mesmo admitindo a Verdade de uma sociedade Tomista desigual e diversificada em braços multiplos - pode, contudo, se tiver mérito e inteligência devidamente comprovadas, aspirar à "aristocracia" dirigente?! Desde o mais "plebeu" ao mais "rico-homem", num plano `partida de igualdade justa, para ocupar um plano de "desigualde" hiérárquica! - E o JSM, onde se coloca?
Isto é que convém esclarecer.
Pedro (Português) |
02.07.07 - 2:30 pm | #
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O ponto 2.1 têm em si duas alternativas totralmente opostas para um mesmno modelo. (É só para clarificar)
Correcção: "num plano à partida de igualdade justa para ocupar um plano de "desigualdade" hierárquica! (A partir de toda a população claro!)
Pedro (Português) |
02.07.07 - 2:40 pm | #
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Caro Pedro português
De facto referia-me à hierarquia da Igreja, por isso ficam prejudicadas muitas das questões que coloca a seguir. Admito uma fórmula de parceria histórica com a Igreja Católica com sempre existiu desde a fundação até ao liberalismo. É perfeitamente actual esta visão, basta recordar o qnão semelhante, mas na linha do que existe em Israel que citou, Estados Unidos e Inglaterra, onde como sabe o Rei é o Chefe da Igreja anglicana. Seria uma forma de acabar com a guerra civil permanente que tem como rastilho e incentivo uma imolação de valores que se reclamam de origens diferentes.
JSM |
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02.07.07 - 6:58 pm | #
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(toquei na tecla errada e o comentário saíu-me truncado, inacabado).
continuo na parte que é perceptível - dizia eu, que é perfeitamente actual esta visão se olharmos para o exemplo de Israel que citou, dos Estados Unidos ou da Inglaterra, onde, como sabe, o rei é ao mesmo tempo o chefe da Igreja Anglicana. Seria uma forma de acabar com a guerra civil permanente que tem como rastilho e incentivo uma imolação de valores que se opôem, não ao nível individual, onde cada um pensa como quiser e acredita no que quiser, mas ao nível da cúpula e do sentido comunitário.
A não ser assim continuaremos a ser o que hoje somos, divididos e comunitáriamente cada vez mais dependentes.
Sobre outras questões pertinentes que coloca, nomeadamente o registo de interesses que traduzo para uma simples pergunta: o que seria eu se fosse restaurada a monarquia? A mesma pessoa, a viver contando os euros para chegarem ao fim do mês. Quem talvez vivesse melhor seriam esses tais dez milhões se partirmos da observação da realidade e verificarmos que a nossa vizinha Espanha, monárquica, se afasta cada vez mais dos nosso pobres índices de vida. Será melhor falar em sobrevivência. Mas esta versão de indigência não se aplica às nossas elites e isso é que é preocupante! Porque são o que podemos apelidar de 'elites de direitos' e não de deveres, acepção que não vislumbrei no seu comentário!
As sociedades onde se contempla o mérito e onde a mobilidade social existe de facto em termos nobilitantes, são as sociedades que se organizam no regime monárquico e não as republicanas. Estas fecham-se em 'nomenclaturas' impenetráveis como se pode constatar no nosso país. São sempre os mesmos.
Mérito?
Saudações monárquicas.
JSM |
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02.07.07 - 7:21 pm | #
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Caro JSM
Obrigado pela resposta cordial e esclarecida. Anotei a sua tolerância de vistas (sem ironia), para um Católico tradicional(presumo). É que o "Gibelismo" que o Reino Unido segue (e a Constituição Républicana Confessional dos E.U.A.), em que o Rei é o chefe da Igreja - sería, por muito que a religião fosse Ortodoxamente católica nos valores, um rompimento com Roma e o Papado.
Na tradição Medieval, o Reino confessional continuava a ter o Papa como chefe da Igreja - e o Rei, quando muito, possuia o Beneplácito régio, como no caso português - com muitas rebeldias, "gibelismos" e excomunhões da parte de Roma.
A Idéia Super-Apostólica Portuguesa existiu sempre - Mafra, Templo Solar, aí está para o comprovar.
Tem razão na forma como coloquei a questão: os lugares de poder, na forma como falei do livre acesso pelo mérito, mais parecem recompensas que Deveres e Serviço. Mas a intenção era a de Dever e Serviço - que não deixa de ser uma Honra, a que todos, não pelo sangue, mas pelo mérito, devem poder aspirar.
Seja como for, na visão integralista, o Rei, mesmo rodeado de "Técnicos" e Secretários competentes nas respectivas matérias, não deixa de ser o verdadeiro governante.
Anotei contudo, a sua tolerância, aparentemente não se importando que evolua, para já, para um modelo Constitucional e liberal, que é a Europa do nosso tempo.
Têm razão também, infelizmente, na questão da partidocracia e nas cunhas e clintelas de "cartão" político. Um problema do nosso país. O mérito e a independência é que deviam imperar.
Só um aparte: Prevejo paradoxalmente, apesar do que diz, mais futuro para a Monarquia em Portugal (onde aparece como futuro), que em Espanha (que é presente em crise). Euskadi e a Catalunha estão à Beira da secessão; os "Carlistas" (equivalentes a integralistas, miguelistas, mais ou menos tradicionalistas lusos), apoiam D. Sixto de Borbon (se não me engano) - e são uma imensa fatia dos monárquicos de sempre de toda a Espanha(não reconhecendo D. Juan Carlos) nem o "sistema". Os "Franquistas", os nacional-sindicalistas e toda a "direita" mais à outrance, consideram que o Rei traíu o seu Juramento ao "Movimiento" e à anterior Constituição da Espanha de Franco. A maioria da Esquerda(a outra mais ou menos metade do País) é republicana. Só a mais moderada, e só um sector do PSOE é Monárquica-constitucional.
Sendo assim, só portanto o PP sustenta a Monarquia Espanhola. Depois temos o Secessionismo.
De qualquer maneira el Rei Juan Carlos e a sua família tem sempre Portugal Monárquico ou Republicano como refúgio e salvação, se for necessário, claro.
Pedro (Português) |
02.08.07 - 7:32 pm | #
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Saudações
Pedro (Português) |
02.08.07 - 7:33 pm | #
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Commenting by HaloScan
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