O livro também fez bastante diferença na minha, João.
Só que li um pouco mais tarde que vc, aos 24 anos. Agora tenho 25.
A minha reação imediata foi de incredulidade, raiva e sarcasmo quanto ao idealismo tolo de Van Weyden. Ao mesmo tempo em que era perspicaz, era cego! Juro que tinha vontade de dar uns tapas nele pra ver se era capaz de enxergar a realidade. E ele provou que sim, sem no entanto abandonar seus ideais (com os quais não concordo quase nada), o que é admirável.
E confesso que Lobo Larsen me atraiu muito. Compartilhamos de muitas opiniões sobre a natureza humana, sobre os desejos, o pensamento e o modo de agir do homem, guardadas evidentemente as devidas proporções. Além disso, dada a qualidade das nossas universidades públicas, também tenho de ser autodidata, como ele - e acho que como vc também.
Não acho que Lobo Larsen tenha enlouquecido por conta da sua trágica história de vida, como a alguns desavisados possa parecer. Essa é a interpretação fácil e superficial da personagem. Lobo Larsen é muito mais complexo e inteligente que isso.
Penso que a singular experiência na Ghost fez a Van Weyden um bem que nunca poderia conceber dentro de sua biblioteca. Ao final do livro, eu via um homem quase completo.
Maud Brewster é um porre... faça-me o favor!!!! Mas mostrou cautela, certa persistência e alguma coragem, e por isso não é tão vazia assim.
Por fim, todo o livro é digno dos elogios que vc fez, salvo... o final. Aquele happy end estúpido, à moda Joaquim Manoel de Macedo, quase chega a atrapalhar a complexidade psicológica da obra. Que foi aquilo?!?! Fiquei verdadeiramente frustrada.
Essas são as minhas primeiras impressões. Parabéns pelo post


Gravatar Já reli o livro várias vezes desde então, e a cada vez vejo uma nova nuance na personalidade e no temperamento de Lobo Larsen. Poucos personagens (Heathcliff, Barrabás e Julien Sorel me vêm à memória) me marcaram tanto quanto ele.

Maud carecia mesmo de alguma substância, de humanidade mesmo, antes deles abandonarem a Ghost. Foi em meio às tempestades do mar e o isolamento em Endeavor que ela cresceu como personagem. Mas se o enredo deu a ela e a Van Weyden a vitória, para mim sempre ficou claro que ela foi de Larsen. Ele é dominador até mesmo na queda final. E quanto ao final... Bom, eu era um adolescente cheio de ilusões benévolas a respeito da vida, algo no livro tinha que ser otimista. :D


Gravatar O endereço abaixo lembra-me muito sua pessoa.

http://filosofemas.blogspot.com/

Com mais algum tempo acho que colocarei no meu magro/louco blog, algumas sugestões de livros e coisas afins.

Ler suas palavras por aqui somente corrobora o óbvio de que você é um homem com incontáveis neurônios e todos plenamente funcionais. Um abração.




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