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Se bem que, como tudo na vida, existam sempre limitações, e o Second Life não é excepção (e decerto limitado), talvez possa acrescentar alguns comentários...
1) Não há exactamente uma "estratégia monopolista" da Linden Lab para o Second Life. Em breve o software servidor também será open source (um projecto interno que levará provavelmente mais ano e meio), embora existam versões reverse-engineered, criadas por utilizadores (mas com o conhecimento da Linden Lab), que são open source, embora sejam ainda muito primitivas.
O que irá acontecer a partir de 2009 será uma reformulação do modelo de negócio da Linden Lab: qualquer entidade poderá criar o seu "metaverso privado" (o equivalente às "intranets" empresariais ou universitárias), mas a interligação com a "grid" da Linden Lab terá um custo. Será algo de semelhante ao modelo do "roaming" entre operadores de telefones celulares, que, afinal de contas, existe globalmente, usando alguns protocolos livres e publicados de forma aberta — mas o hardware e software é proprietário. Não há redes de telefones celulares "open source" ou telefones open source que se ligam a redes celulares — no entanto, nada impede que isso não seja constituído (já que se conhecem os protocolos, é perfeitamente possível criá-los), excepto legislação nacional que não o permite — e o custo de manutenção da rede, que é proibitivo.
Talvez uma analogia mais próxima seja o serviço DNS. Nada impede a instalação de um software que me forneça serviços DNS, na minha rede local. O software é gratuito, open source, e disponível facilmente. No entanto, se queremos que os nossos endereços sejam visíveis em todo o mundo, temos de registá-los numa entidade centralizadora (uma em cada país, como por exemplo para os domínios .br; e uma a nível mundial, para domínios .com, .org. .net, .biz, .name, .info, etc.). O mesmo se passa com os endereços IP.
A noção de pagamento por um serviço centrralizado não implica automaticamente um modelo 'equivocado'. Simplesmente esquecemo-nos rapidamente de que toda a Internet funciona dessa forma (via DNS e endereços IP, sem os quaos a Internet não existiria) e pagamos tão pouco, devido à massificação do seu uso, que tendemos a pensar que "a Internet é completamente gratuita e livre e descentralizada".
Só nos recordamos como isso não é assim no momento em que os Estados Unidos invadem um país: a primeira coisa que fazem é bloquear todos os endereços IP da Internet desse país. É aí que nos recordamos que, efectivamente, há entidades na Internet que podem fazê-lo...
2) A Linden Lab não emite "leis" mas apenas um conjunto de normas de conduta ética para utilização do seu serviço, principalmente por questões legais, para evitar processos em tribunal que procurem estabelecer a co-responsabilidade da Linden Lab nas actividades dos seus utilizadores.
O modelo *errado* adoptado pela Linden Lab foi ter começado a propôr-se como _prestador de serviços_ em vez de _prestador de infraestrutura_. Nos Estados Unidos, quem presta um serviço é co-responsabilizado pelo comportamento de quem usa esse serviço. Os prestadores de infraestrutura estão isentos de responsabilidade (apenas têm de colaborar com as autoridades). O exemplo típico é o de traficantes de droga ou armamento que utilizam um serviço telefónico para combinar as suas entregas. O operador telefónico não pode ser responsabilizado pela utilização do telefone para actividades criminais; ele não é "polícia", embora seja obrigado a colaborar com a polícia. Pelo contrário, um fornecedor de emails gratuitos, se estiver certificado como prestador de serviços, pode ser co-responsabilizado por manter um serviço que permita actividades criminosas.
O "erro" da Linden Lab foi terem dado início à sua actividade julgando que eram prestadores de um serviço de comunicações e de criação de conteúdo online, integrado numa plataforma de desenvolvimento de mundos virtuais também disponibilizada por eles. Agora estão procurando alterar o seu estatuto para prestador de infraestrutura, o mais depressa possível. Isto significa que terão de interferir menos e menos no ambiente do Second Life, excepto quando a tal forem obrigados pelas autoridades policiais da Califórnia. Também significa que o contrato de prestação de serviços terá de ser completamente alterado. Esta situação requer um enorme esforço de advogados junto das autoridades dos Estados Unidos a fim que lhes seja emitida uma licença, e, com o sucesso do Second Life, e a sua exposição nos média, tal situação será cada vez mais difícil. No entanto, nada impede que, dentro de um ano e meio, a Linden Lab não abra delegações noutros países sujeitas a legislação bem mais tolerante que não impeça nem restrinja as liberdades dos seus utilizadores. E, claro, logo que surja a versão "oficial" do servidor open source, é evidente que a Linden Lab deixará de ter qualquer responsabilidade pelos utilizadores das redes que entretanto apareçam usando o software deles... tal como se um grupo de terroristas instalar um site Web usando Microsoft IIS, a Microsoft não pode ser responsabilizada pelos conteúdos!
3) A filosofia do "metaverso 3D unificado na Web" é algo de ligeiramente diferente. As novas tecnologias, para se tornarem divulgadas e terem sucesso, devem continuar ou absorver tecnologias existentes — é assim que se garante a sua aceitação social mais rapidamente. Os telefones celulares funcionam como os fixos: todas as pessoas têm um número de telefone, e o sistema fixo ("do século XIX") é inteiramente compatível com o sistema celular ("do século XX"). Continuamos a marcar números de telefone num teclado com 10 dígitos. No entanto, um telefone celular é um equipamento infinitamente mais sofisticado, com mais funcionalidade, e maior tecnologia do que um telefone fixo analógico vulgar — podemos ver vídeos, e som, podemos navegar na Internet, podemos até jogar jogos, e até podemos chamar pessoas dizendo os seus nomes em vez de introduzir o seu número num teclado. Em certa medida, o telefone celular "absorveu" a tecnologia do telefone fixo analógico, mas não o "abandonou" à sua sorte...
O tal "metaverso 3D unificado na Web" apenas significa que não vamos abandonar a Web — que funciona tão bem! — para usarmos novas e radicais ferramentas de trabalho no nosso dia a dia. O metaverso do futuro (que é *quase* o do presente!!) irá dar acesso à Web da mesma forma que o desktop do nosso computador "dá acesso" à Web (através de um browser gráfico). Não vai haver diferença — as pessoas vão usar os mesmos browsers, aceder aos mesmos sites, consultar a mesma informação — pois a utilização da Web está, de facto, bem estabelecida como a forma mais simples de utilização. Simplesmente o que irá mudar é o interface gráfico em que estaremos embebidos. Em vez do "desktop gráfico" a que estamos habituados desde 1984, e onde múltiplas aplicações competem pelo espaço de écrã disponível — messengers, Web browsers, aplicações de email, processadores de texto, todos abertos ao mesmo tempo — teremos o "escritório virtual", um espaço em que todas essas aplicações (mesmo em 2D!) vão estar dispostas na "nossa" sala privada onde temos as nossas aplicações — e temos o nosso avatar visível que interagirá com essas aplicações. Pense no avatar como o equivalente ao cursor do rato — nem pensamos muito nisso, mas é o cursor do rato que nos ajuda a navegar no espaço 2D do nosso desktop gráfico! O avatar 3D será o nosso "cursor 3D" (mas muito mais bonito ).
Tecnologicamente, poderíamos já trabalhar dessa forma, embora não o façamos (ainda). A versão actual do Second Life é demasiado pesada para os computadores existentes; será preciso aguardar ainda uns meses até termos, pelo menos, um browser Web incorporado no Second Life. Depois precisamos de resolver de uma vez por todas as questões de privacidade: se estou a trabalhar não quero ser incomodada! E finalmente o próprio interface de navegação tem de ser muito mais simplificado, rápido, e fácil de usar: embora o salto das aplicações em modo de texto para as aplicações gráficas em 2D tenha levado menos de uma década (em 1995 já eram raras as aplicações não-gráficas), a sua complexidade de utilização aumentou exponencialmente. Simplesmente não demos por isso; aconteceu "naturalmente", aos poucos. Ainda hoje há quem defenda que para introdução de dados um ambiente gráfico 2D não é apropriado nem eficiente e que os antigos interfaces textuais eram muito mais adequados. No entanto, deixámos os ambientes em texto para trás. O mesmo irá acontecer — muito progressivamente, um passo de cada vez, sem nos apercebermos — com os ambientes 3D.
Posso falar por mim Grande parte do meu trabalho real é conduzido no Second Life. A principal actividade fora do Second Life é, justamente, todo o tipo de tarefas que necessitam da Web: email (no Gmail), messengers (já que o sistema interno do Second Life ainda não se liga a mais nenhum), consulta de informação (Google), preparação de documentos e folhas de cálculo (Google Docs), e, ocasionalmente, algum trabalho de manutenção de servidores remotos (ainda em modo de texto!). Se o Second Life tivesse já o browser Web a funcionar, 80% das minhas tarefas podiam ser executadas dentro do Second Life. Só não o faria porque não existe privacidade no Second Life — mesmo que tivesse a minha própria ilha privada, ainda assim as pessoas podem enviar-me notecards, mensagens, objectos, sem que eu os possa impedir. Falta ainda um "modo de escritório" — uma forma de poder abrir ao mundo apenas o que me interessa. Na vida real, desligo o messenger e ignoro o email quando quero trabalhar numa proposta ou apresentação a um cliente; no Second Life ainda não o posso fazer. Mas para lá caminhamos...! Sou paciente, e acho que tudo isso será realidade em 2010.
4) O seu exemplo 2 é justamente o contrário do que existe de momento: não a possibilidade de colocar um mundo virtual no seu blog, mas sim o
Gwyneth Llewelyn |
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08.15.07 - 8:40 am | #
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