Stuck in Sac

A discussão do princípio jornalístico é bem interessante, principalmente com o 'Deep Throat' como pano de fundo. Essa foi uma ótima notícia, Leila! Se for mesmo Rove, tomara que caia com o máximo de estardalhaço possível (ele já estava achando ter carreira política no futuro, vc viu?). Mas ainda prefiro a definição de Jon Stewart para Novak: "douchebag for freedom".

[]s


Fernando, que caia com estardalhaço e ainda arraste com ele o Dr. Evil Dick CheneyBurton e o Chimpeach, quer dizer, presidente Bush.

Bjs,


Gravatar Bem, a Judith Miller e Matt Cooper estão certos em não revelar a fonte. A questão-chave é o precedente. O direito a preservar a fonte (qualquer fonte) é muito mais importante do que qualquer político momentâneo.


Gravatar A questão-chave é o precedente mesmo, David. Se o jornalista é parte de uma rede que envolve um crime específico (mesmo que ele não o tenha cometido), até onde vale o anonimato da fonte?

Eu só não entendo pq o Novak não foi indiciado ainda. Interessante que a suposta "mídia liberal" está defendendo a liberdade de alguém deste governo que cometeu um crime federal (e que muito provavelmente adora xingar jornalistas quando lhe convém). São uns amorais mesmo esses repórteres.

[]s


Gravatar Fernando, se não me engano no link para o artigo do Bill Israel, há uma desconfiança de que o Novak teria colaborado com informações para a Justiça, e por isso ele não esteja sendo ameaçado de prisão.


Gravatar Não me surpreenderia. É um "douchebag for freedom" mesmo. []s


Gravatar Relativizar o direito a preservar fontes só interessa aos poderosos, a mais ninguém. Be careful about what you wish for.


Gravatar Relativizar em que sentido, David? Se alguém entrega o nome de um agente secreto à um jornalista e comprova-se que o jornalista passa esse nome à outra pessoa que o divulga, então não há o que relativizar.

O problema com o pessoal da Time e NYT é mais complexo do que isso, eu sei. Se eles sabem quem passou o nome mas não o divulgaram diretamente, fica a questão de qual é o limite da lei.

Não estou apoiando a abertura do nome por cima de todo princípio jornalístico, e muito menos a Time ter ignorado a vontade do seu próprio jornalista. Mas a questão fica: o crime foi cometido e há gente que sabe quem foi, o que fazer?

[]s

PS = Os poderosos são todos neste esquema: o governo, a Time, o NYT, a justiça, os agentes da CIA... Ironicamente, o weakest link nesse circuíto são mesmo os jornalistas, acusados de encobrir um crime que não cometeram e passíveis de cadeia.


Gravatar Concordo com o David, é preciso preservar o direito à proteção das fontes. Judy está certa, e o NYT também por apoiar a decisão dela. Mas a Time abriu as pernas e entregou as anotações de Cooper, praticamente obrigando o repórter a colaborar, a abrir mão do seu direito ao silêncio, um absurdo. Por isso o promotor já sabe quem é a fonte (e se for o Karl Rove mesmo, vai ter peito de indiciá-lo? quero ver) e é um absurdo mandar a Judy para a cadeia assim mesmo. Que eu saiba ainda não há nenhuma explicação sobre o papel do Novak nessa investigação, por que ele se safou?


Gravatar É realmente um caso complicadíssimo e que vai ser um marco para a Justiça e a Imprensa americanas. Eu acho que a prisão no xadrez (negaram até a domiciliar) de uma repórter que não representa qualquer ameaça à sociedade é totalmente draconiana. No entanto, no caso Plame não se trata de uma fonte estilo wistle blower (Deep Throat), e sim de um alto representante do Partido Republicano usando os jornalistas para atingir objetivos nefastos, através de um ato criminoso. Então, acho que entra uma gray area aí. Eu torço para que se encontre uma solução intermediária, que preserve o trabalho jornalístico mas puna os canalhas que vazaram o nome de Plame - iniciando a queda do castelo de cartas.


Gravatar Eu acho que esse é o problema: não há solução intermediária. Talvez não haja nem uma boa solução para o caso.


Gravatar Vamos colocar a questão em termos prospectivos:

Imagine lá pra frente. Uma fonte da vida denuncia a um jornal um descalabro relacionado ao Iraque. E aí? Como fica? O assunto é de segurança nacional - e o jornalista, acionado, deveria revelar quem abriu o bico. É justo? O precedente, sempre o precedente.

Esse cálculo político do tipo "vamos aproveitar a ocasião para ferrar o Rove" é cego. No fim das contas, quem vai pagar a conta é o público.


Gravatar Concordo com o David quando ele diz que o princípio do anonimato da fonte é mais importante do que um constrangimento imediato que uma revelação neste caso poderia ter para uma liderança conservadora.

Os jornalistas não cometeram crime algum. Embora se espere que uma testemunha diga toda a verdade perante um juiz, acho razoável que exista uma exceção firme no caso de jornalistas, pois se eles fossem obrigados a revelar suas fontes, a chance de serem feitas determinadas matérias de alto interesse público seria muito menor do que é hoje. Qual fonte se disporia a dar informações, sabendo que mais cedo ou mais tarde seu nome seria revelado?

Imaginem um caso hipotético: um cidadão americano comete um assassinato político no exterior. No meio do caminho, um jornalista tem a chance de confirmar, com uma fonte dentro do governo, suas suspeitas de que aquele cidadão na verdade era um agente da CIA. Caso o sigilo da fonte não esteja claro num caso como esses, é bem provável que tal confirmação não se dê e que os leitores deixem de ter acesso a uma informação pública extremamente relevante.

É claro que a CIA tem procedimentos internos para evitar esse tipo de excesso, mas não vejo como o interesse público possa ser satisfeito apenas por eles.


Gravatar No final das contas, tudo vai depender da interpretação da lei americana, por parte dos juízes. Como o caso está numa esfera federal, que ainda não possui legislação garantindo sigilo absoluto sobre as fontes, os juízes têm essa brecha. Há um projeto agora sendo analisado no Congresso para transformar em lei federal a proteção da anonimidade das fontes, que atualmente já existe em 31 estados americanos. Ou seja, se a nova lei passar, mesmo que os promotores consigam obter o nome das fontes no caso Plame, o precedente não será aberto.


Gravatar Bem, Leila, a mulher está no xadrez. Mudem ou não mudem a lei, o absurdo foi cometido.


Gravatar Eu acho que a discussão está gravitando para uma idéia de que se quer justiça acima de tudo porque o alvo é alguém do alto escalão do governo. Acho que como a Leila falou, o caso não é tão em preto e branco quanto nenhum dos exemplos citados. A divulgação do nome neste caso não teve nenhum objetivo em divulgar algo podre que o governo fez (além de divulgar o nome) ou um crimem de um agente da CIA. Judith inclusive decidiu que não valia a pena escrever uma reportagem sobre o caso. E o problema não é causar embaraço à alguém, é um alto funcionário do governo usando seu poder para destruir politicamente um adversário. Este também é certamente um grave precedente. Não acho que justiça esteja sendo feita de forma alguma e concordo que o direito a defender fontes é certamente maior que o resultado político momentâneo (tem inclusive um paralelo com a chamada "opção nuclear" do senado americano), mas não é um caso tão fácil de julgar como está parecendo ser visto.

[]s


Gravatar Acho que vcs estão deixando escapar um sentido político mais profundo dessa história toda.

Nos últimos anos, os conservadores mais linha dura desceram a lenha na "liberal media" americana, chegando a acusá-la de falta de patriotismo. Jornais como o NY Times foram um dos alvos preferidos.

Essa campanha, mais ou menos organizada, mais ou menos consciente, tomou a forma de um verdadeiro massacre moral - ou melhor, moralizante. Daí para a prisão de Judith Miller é um passo.

E a propaganda deu certo, pois vejam: o que é o sucesso da Fox News senão uma resposta a uma percebida hegemonia "liberal"?

Em outras palavras, Leila e Fernando, cuidado para não fazerem o jogo dos seus inimigos.

abs


Gravatar David, tem um comment acima que justamente menciona isso. Mas o jogo político não foi divulgar o nome do agente para colocar o NYT em problemas, ao contrário, foi usá-lo para fazer jogo sujo quando lhe convém. Deixar isso escapar não seria fazer ainda mais o jogo do inimigo?

Espero que não esteja havendo realmente a impressão que estamos afim de revanche política acima de tudo. Pra mim, a solução deveria ser clara: Novak cometeu crime ao divulgar o nome publicamente. Se ele quiser defender a sua fonte tudo bem, não deveriam ser Judith ou Cooper os que estão pagando o pato por ele.


Gravatar Caramba Leila, que discussão complicada...Lembro aqui no Brasil, quando o Jair Bolsonaro (hoje deputado, eleito no Rio) disse à reporter Cassia Maria que ele e um grupo de trogloditas descontentes com os soldos iriram botar bombas na cidade, ela abriu a fonte e denunciou o cara. Não dá para ser cúmplice de crime.
O complicado é que o crime é "de segurança nacional", critério definido com uma elasticidade tremenda.
O governo americano tentou tirar na OEA uma moção de censura ao Hugo Chávez, acusado de ameaçar a democracia por iniciativas como a lei de imprensa lá dele, que prevê até prisão para jornalistas que caluniarem o governo. Sem querer defender o Chávez, mas a prisão da Miller tem o mesmo efeito que apontam na lei dele: intimida a imprensa, limita seu trabalho e o papel de denunciar erros do governo, mesmo amparados pela lei.

E pensar que a Miller nem publicou a matéria...




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