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Gravatar Que retrato, Miguel! Mas nem por isso menos exacto no que se refere à minha escola. Sim, e quando falamos de educação é só para nos queixarmos: dos alunos, do ME, dos pais e, quando calha, também de colegas! É uma escola sombria em que a pouca alegria que havia está a ser substituída pelo sarcasmo.
Há um último reduto que eu procuro preservar a todo o custo: a minha relação pedagógica com os alunos. Uma utopia, portanto: uma comunidade educativa com os alunos, baseada na confiança mútua e num projecto em que todos e cada um se revejam.
Mas reconheço que estou perigosamente perto do grito "Tirem-me deste filme!"


Gravatar Miguel, estás a ver, de vez em quando dizemos "tirem-me deste filme" (é o desabafo de momento devido ao momento, até de proximidade excessiva das situações), mas dizemos para a seguir "embalar de novo"
Não sei quando estiveste a ler o diálogo Teresa-Isabel - é que depois dele deixei um post para ti, mas eu sabia que nem era necessário


Gravatar Eu não colocaria a questão nestes termos, Miguel. O silêncio que reina nas escolas não significa necessariamente má qualidade do pessoal docente. Assim como as discussões acesas indiciem a excelência da discussão. Muitas vezes a tal discussão acesa pode circunscrever-se a acertos de contas maldizentes…
Repara que esta observação é uma autocrítica porque a minha entrada não exclui esta hipótese. Será consensual a ideia de que é necessário implementar uma cultura de discussão e de reflexão na escola. Como desejar para os nossos alunos uma cidadania participada se a própria escola opta por modelos de participação antagónicos? Quero dizer com isto que é necessário remover os constrangimentos legais que desqualifiquem os professores e implementar modelos de avaliação das escolas que atendam à singularidade dos contextos.
Creio que o silêncio que muitos professores se remetem é um silêncio profiláctico…

Isabel
E a propósito de profilaxia, depois de passar pelo teu cantinho e acompanhar o teu diálogo com a Teresa, o ânimo regressa.
Há momentos em que sinto uma necessidade enorme em recuar alguns passos para embalar de novo. Preciso de me ausentar, ver de fora, ver do alto. É que a proximidade excessiva pode cegar...

Teresa
As pequenas comunidades de colegas com interesses análogos e que partilhem se orientem pelas mesmas utopias são regeneradoras. Afinal, ninguém está só! O resto… não me vou repetir…


Gravatar Há escolas para todos os gostos. Já estive numas onde o silêncio era o pão nosso de cada dia e noutras onde o debate de ideias levava a acesas discussões (no bom sentido).
E, não há dúvida, que a qualidade do corpo docente e o ar que se respira numa escola em termos de confronto de ideais é condição básica para que a escola seja um local não apenas de ensino, mas também de divergências e concordâncias...


Gravatar Ia desligar o pc, que já devia estar na cama, mas lembrei-me que ainda não tinha vindo aqui. Hoje só tinha vindo à blogosfera para responder a um comentário da Teresa (e a um teu também, Miguel )e... parece que pensamentos se ligam uns com os antes de sabermos o que cada um está a escrever!!
"E o que dizer de uma saltada em direcção à utopia? Será que ninguém sente a falta de uma escola da tertúlia?" Miguel, já deixei de sentir a falta, digo antes que tenho saudades. Mas só porque eu estou muito perto de me poder tirar deste filme. Tu não, por isso sublinho com todas as cores do arco iris o último parágrafo da Teresa.
(Teresa, eu bem disse, antes de ter vindo aqui, que achava que o Miguel perceberia...)
Eu posso tirar-me do filme, mas não me tirarei nunca da utopia, e nisso conto com a vossa companhia! E a escola que desejamos não há-de ser uma utopia. "Julgam que sabem, mas não sabem... Um dia hão-de cair na teia da utopia"... As tomadas de consciência às vezes levam tempo, faz muito bem a Teresa em ser paciente (e um bocadinho de impaciência do Miguel a manifestar-se também é útil)

P.S. E estes espaços da blogosfera têm é que reganhar fôlego, a muitas vozes)


Gravatar Depois de uma reunião interminável de Departamento onde os professores persistem num lamento, sem conhecer sequer aquilo de que se lamentam (Todos têm acesso aos normativos e praticamente ninguém os lê)... tive de chamar as coisas pelos seus nomes e explicar que a culpa é nossa... que nem sequer sabemos do que estamos a falar e portanto, disfarçada de lamúria, instala-se a acomodação do já nem consigo ler nem fazer nada... Alguns acordaram, concordaram e logo regressaram à apatia e desconsolo (também relacionada com a alternância de poder que ocorreu...). Tudo se confunde na cabeça dos professores. A mim, mandam-me calar quando desato nos meus devaneios de utopia (fazem-no com ar paternalista e "carinhoso"... de quem pensa, coitadita, esta tem tempo para estas coisas...). Escola de tertúlia tive sim, durante 20 anos, onde faltava de tudo, menos um grupo de loucos utópicos que fizeram bons caminhos juntos em nome de meninos que nada mais tinham do que o nosso amor e empenho. Aqui sou (quase) uma estranha - cheguei o ano passado (excepção feita a um ou outro colega que me conhece de outros tempos, e um ou outro que acreditam "que é possível" e com quem posso partilhar esse gosto pela escola positiva, a escola "de encontrar soluções" a bem dos alunos.). De resto... fui eleita coordenadora de DTs para limpar a casa, fazer uns papelinhos bem feitinhos que as outras escolas cobiçam, para dar resposta a este ou aquele despacho... mas se me ponho a falar de sonho... "cala-te lá Teresa, já sabemos como é que tu és..." (Julgam que sabem, mas não sabem... Um dia hão-de cair na teia da utopia. Sou paciente.)

Não vou dizer "Tirem-me deste filme", mas direi "Alguém me vá continuando a dar força para aguentar este filme... é o meu filme e não quero ser figurante". Nem tu és Miguel. Isso foi só um desabafo... eu tive tempo para pensar no meu antes de o escrever como o estava a sentir... e corrigi-o para manter o tom positivo que me caracteriza. É nesse esforço de pensar "quase azul" que a esperança renasce.
Amanhã é outro dia.




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