Obrigado pelo seu comentário... volte sempre!

Hummm… faz sentido, Miguel.
Também me parece uma incoerência, Tit. Recordar-te-ás que uma das críticas dirigidas à área-escola era, precisamente, a ausência de expressão do trabalho dos alunos na classificação individual de final de período. O reconhecimento do esforço de um aluno nas actividades da área-escola tinha uma expressão residual excepto nas situações de progresso periclitante. O ME limitou-se a fazer a vontade aos professores e às escolas e o cerne do problema nunca foi denunciado: a incapacidade dos professores para um trabalho cooperativo [não é, obviamente, uma crítica ao professor mas é uma crítica ao processo de formação inicial e contínua de professores]; um plano de estudos empanturrado de disciplinas e a falta de coragem para lançar uma discussão aberta que questione o papel de cada área disciplinar; uma organização escolar promotora da balcanização disciplinar.


Gravatar De qualquer forma, o que quis trazer à discussão, nao foi exactamente a pertinência ou não da AP, mas sim a dicotomia (?) entre a forma como está a ser encarada na Escola e o grande peso que tem na avaliação dos alunos.


Gravatar Obrigada pela tua opinião, Miguel (o Sousa...lol).
Entendo o teu ponto de vista. No fundo estamos a arranjar mais uma "gaveta" chamada AP que tem a ver com o desenvolvimento de uma metodologia de trabalho... o que não parece fazer sentido, uma vez que temos já tantas "gavetas" onde aplicar e desenvolver essa mesma metodologia. E no fundo, se falarmos na falta de formação de professores para desenvolverem projectos nas aulas, também temos esse problema, como referi atrás, na AP!
É um facto que nas disciplinas há a grande pressão do enorme "bolo" de conteúdos programáticos que temos de fazer os alunos "engolir"...
Hum... não sei...
(Desculpem estar aqui a "pensar alto"...)


Gravatar Cara Tit, deculpa a minha franqueza, mas acho que a area de projecto e o estudo acompanhado deviam acabar. Não porque não seja necessário, mas porque a escola não pode fazer tudo. Area projecto existe porque os professores nunca ensinaram a fazer projectos nas outras disciplinas. Estudo Acompanhado porque ensinar a estudar é uma obrigação dos pais e de todos os professores, que ao caracterizarem a sua disciplina devem orientar o estudo dos alunos.

Acho que os alunpos têm horas de aulas a mais, por mim começava o corte por elas..claramente.

PS (salve seja), espero que entenda que é só uma opinião


Gravatar Clubes pronto a servir: Concordo com o que dizes.
Ressalva: na minha escolita, os clubes deste ano são os do ano passado, antes da lei... eventualmente acrescidos de mais um ou outro espaço. Logo, são clubes que nasceram da forma certa e que têm tradição firmada. Não surgiram por causa de...
(Isso não invalida que muitos, agora, surjam "exactamente por causa de...", logo, volto ao início: concordo com o que dizes.)


Gravatar 1ª Nota:
Quanto aos clubes “pronto a servir”.
A proliferação de clubes escolares como resultado das medidas dirigidas ao controlo do tempo do professor é um embuste. Não acredito nos clubes escolares que sobrevivem para desviar os professores das substituições por dois motivos [que agora me ocorreram ]: Em primeiro lugar, um clube deve resultar da agregação voluntária dos alunos e dos professores com afinidades electivas; Em segundo lugar, um clube não funciona se organização escolar desvalorizar o tempo livre.
2ª Nota:
Quanto à (in)acção sindical.
É um facto que a eternização do poder dificulta a inovação e a regeneração das organizações. Como não é provável que os Jardins dos sindicatos tombem sem apodrecer, não nos admiremos da quantidade de desertores insatisfeitos que decidiram fundar o seu “sindicatozinho”. Viva a diversidade! Claro que o ME saúda a diversidade [dividir para reinar…].
Há momentos em que dou por mim a pensar nas vantagens e desvantagens da não representação dos professores junto do ME. Seria qualquer coisa parecida com contrato individual de trabalho… [quem tiver unhas que toque guitarra…]
3ª Nota:
Quanto à Área de Projecto (AP) e articulação curricular (AC).
Regressamos ao ponto de partida. Qual o perfil do professor cooperativo?


Gravatar Sim... muitos assuntos de extrema importância estão aqui desenvolvidos - realmente temos aqui uma tertúlia e peras . Pego na discussão da Área de Projecto. E pego nela com alguma mágoa, porque, e correndo o risco de generalizar algo que nao talvez não seja generalizável (antes não o seja), acho que não lhe tem sido dada a devida importância nas escolas. É um espaço onde alunos e professores, sem os constrangimentos do cumprimento de um programa curricular, podem estruturar e levar a cabo um projecto "desde a raíz até às pontas". No entanto... e aqui entram as reticências... entrou nos currículos sem haver professores com competências para a desenvolverem da forma como havia sido apresentada. E não digo isto de forma alguma com ironia ou num tom de crítica em relação ao trabalho dos professores. Porque não é fácil trabalhar bem em Área de Projecto. Eu própria assumo as minhas limitações, e sei que poderia ter feito muito mais nos anos em que leccionei esta área curricular. Mas considero que mais uma vez faltou o tal "projecto educativo" que aponte não só objectivos para esta área, mas também estratégias para garantir uma boa condução. (Aliás... os próprios porfessores têm consciência disso... todos os anos, quando na minha escola são recolhidas as fichas de preferências de serviço, a grande maioria faz questão de sublinhar "AP só em último caso"...
"Arrepia-me" o facto de o peso de AP na avaliação dos alunos do Ensino Básico ser exactamente o mesmo de Inglês ou História... dar-lhe-emos, na nossa prática a mesma importância? Não terá muito mais "problemas de consciência" um professr de História que também dá AP se não cumprir o programa de história do que se não desenvolver competências nos seus alunos para saberem estruturar e desenvover um projecto de trabalho?...

(Bem... é com isto tudo já vou a milhas do tema inicial da discussão...ups...!)


Gravatar já li a entrada no dia em que a colocaste, não sabia se havia comentar, porque acho que o assunto acaba por se diluir em muitos assuntos de interesse, por isso falarei só sobre o que tentei reflectir. Hoje a maior parte dos sindicalistas professores, são por causa do seguroi de saúde que parece ser muito bom. Eu, por acaso até sou por uma questão de princípio, mas confesso que só por essa questão (o que sai caro). O problema é que a aragem ainda não passou por eles. Olha o caso do presidente da FENPROF que está lá há tmesmo tempo que o alberto governa a Madeira. assim não dá


Gravatar Acrescento apenas (sem ter lido os textos - muito teste na mão) que na escola onde leccionei 21 anos a AE não reve esse efeito nos clubes... o que teve foi a redução de tempos concedidos para tal. Depois, com os tempos supervenientes, regressaram em força, coexistindo com AP e tudo. Na escola onde estou actualmente nem consigo enumerar aqui a quantidade e diversidade imensa de clubes escolares... Agora, para além dos tempos supervenientes, os tempos de estabelecimento acrescentaram ainda mais clubes ao dia a dia (com custos nos tempos de presença na escola- estávamos a 27, agora a 26)pois é preciso ocupação para as ausências de profs e os clubes nem sempre revertem de forma significativa a favor do plano de ocupação massificada. Eu cá em AP "farto-me" de trabalhar em cooperação com os clubes. Metade da minha DT está, por exemplo, inscrita no clube de jornalismo e tudo se vai transportando das aulas para lá de AP para lá e vice-versa, de lá (clube) para "cá" (aulas).
Resumindo: Ou bem que queremos ficar menos tempo na escola, porque precisamos do tempo para tarefas da componente individual... ou bem que, com tanto clube, acabamos por lá ficar mais tempo para garantir a tal ocupação/substituição/acompanhamento. Eu já nem sei o que quero. Acho que quero tudo: mais tempo na componente individual (ou, pelo menos, proporcional às necessidades) e continuação de muitos clubes e de uma escola cultural aberta às experiências que a completam no plano curricular. Estarei confusa? (Reparem... já nem sei sequer se estou confusa... O caso deve ser grave.). Desculpem se tiver dito algum disparate e se me expressei de forma razoavelmente objectiva, com pouca poesia pelo meio. Remeto-me humildemente para a tarefa de corrigir testes, que o tempo individual mal dá para tudo. (Amanhã Oficina de Formação, depois de amanhã Conselho Pedagógico, aulas sempre ... Penso que não me verão por aqui até ao fim de semana que vem...).


Gravatar Humm..."e se esta ministra tivesse o mérito de lançar o caos, fazer mesmo a escola bater no fundo?"... E não é que faz sentido!


Gravatar Miguel, acabo de passar por alguns dos teus textos e o que me ocorreu de imediato dizer foi: já passaram 2 anos e, nessa altura, já tinham passado x anos de "mais do mesmo" ou "tudo na mesma". E ocorreu-me a seguir: e se esta ministra tivesse o mérito de lançar o caos, fazer mesmo a escola bater no fundo? (Ainda que com intenções que se possam considerar ter algumas coisas certas, mas com colossais erros - a meu ver - na sua tentativa de concretização). Ao menos todo o país tinha que acordar, mas se calhar ela (a ministra) não tem tempo para tal acção meritória. (Ai, quem está sarcástica hoje sou eu, vou já recolher-me na caminha )


Gravatar Esse tal Projecto Educativo Português que a 13A solicita está implícito na Lei de Bases do Sistema Educativo, mas nunca se cumpriu. Era um projecto que passava pela concretização de uma escola pluridimensional. Contudo, o projecto foi adulterado pelo próprio governo que fez aprovar a Lei (LBSE) e pelos governos que lhe sucederam.

Quanto à questão das gavetas, ela ultrapassa a especialização disciplinar. Concordo com a tese de que a especialização disciplinar cresce de importância à medida que o aluno se aproxima do final do secundário. O que não implica que o acesso ao conhecimento seja servido em pacotes disciplinares, como acontece actualmente. Admito algumas excepções como por exemplo a Educação Física…

Onde eu divirjo dos meus caros colegas é na importância que se concede à área escola e à área de projecto. A área-escola foi a primeira estocada nos clubes escolares [relembro que me deixei impregnar pelo espírito da escola cultural]. E com a área de projecto é uma metamorfose da área-escola, houve esvaziamento de um espaço que seria ocuapdo pelos clubes escolares. Mas, como não quero massacrar ninguém com a defesa da escola cultural, deixo uma ligação aos textos que foram os meus primeiros olhares e que marcaram uma parte da minha caminhada solitária na blogosfera: http://arcanjo.blogs.sapo.pt/arquivo/2004_01.html


Gravatar adkalendas, gosto da palavra ponte. Sempre gostei. Usava um símbolo pequenino, que era uma ponte, em todos os projectos interdisciplinares. A área-escola, para mim, foi um mundo doce cheio de pontes. Queixava-me apenas da falta de um espaço/tempo para lhe dar mais corpo ainda. A Área de Projecto trouxe-me esse espaço. Só que... para muitos, foi como se tivesse aparecido mais uma gaveta no móvel educativo. Concordo, pois, contigo: às vezes temos as coisas mesmo à mão e não conseguimos concretizar o óbvio. Digamos que a AP seria o espaço privilegiado para tecer as pontes entre as outras gavetas (embora elas próprias possam construí-las dentro de si para fora de si)... é isso que tem acontecido?
Termino com as tuas palavras, que reforçam esta ideia que aqui deixei:
"Falta iniciativa, organização e concretização daquilo que os programas específicos de cada uma das disciplinas já prevê.
É "só" concretizá-los, não precisamos de muito mais do que isso. Fazer isso é que não tem sido fácil..."


Gravatar Continuando os comentários de IC e Teresa, reforço a minha ideia inicial.
A diversidade e a pluralidade fazem parte da vida e do ensino. O que não me parece é que existência de gavetas (disciplinas) seja negativa.
É precisamente um sinal evidente da diversidade e da pluralidade.
Há diversos tipos de conhecimento e de abordagem do conhecimento e da realidade.
Não podemos simplesmente acabar com isso, ou diminuir essa pluralidade e diversidade se queremos que os alunos tenham essa noção.
A minha questão é mais esta: o que há é que criar pontes.
Por causa desta imagem das pontes é que eu era, fui e continuaria a ser, e me deixassem, um forte adepto da área escola.
A minha experiência neste domínio do estabeleciemto de pontes foi muito enriquecedora. O que se passa é que se não houver um projecto para isso se fazer não se criam pontes.
Falta iniciativa, organização e concretização daquilo que os programas específicos de cada uma das disciplinas já prevê.
É "só" concretizá-los, não precisamos de muito mais do que isso. Fazer isso é que não tem sido fácil...


Gravatar Eu estou como diz a Isabel... primeiro seria bom encontrarmos, entre nós professores, esse entendimento, esse pacto. Esperá-lo de cima (como eu sugeri) e não o conseguir encontrar na força que lhe dá forma no terreno... parece um risco grande. Por outro lado... a vida é exactamente esta enorme diversidade, expressa na excelente teia que o Miguel construíu com fios seus e fios alheios. Os professores não são diferentes e ainda bem. Só que... também era importante, como a 13A disse com ponto de interrogação, encontrar (construir) um Projecto Educativo nosso, que prospectivasse o futuro comum possível e desejado, em traços gerais (já que na especificidade... bem, na especificidade... somos todos muito específicos, especiais - individuais?- no entendimento das coisas... e os alunos não podem receber uma herança que não seja a da diversidade e da pluralidade em coexistência).


Gravatar Só agora fui deixar um comentário no post da Tit abaixo reproduzido (lá no cantinho dela). Contei, com um exemplo, como, além das gavetas sem comunicação nas cabeças dos alunos, se tem vindo a cair na ausência de comunicação para trabalho ou estratégias convergentes - não são só as disciplinas em compartimentos fechados, são os professores de cada uma, nos conselhos de turma, calados nos respectivos compartimentos, depois do tempo passado a preencher cada um o rectângulo que lhe cabe em cada um dos tais planos de recuperação, por exemplo.
Sinto necessidade de começar por uma ponta e pelas coisas mais simples. Por isso, antes de outros "voos" nas ideias ou propostas, eu começaria por esta ponta - o comentário de Adkalendas no post abaixo: "Tudo isto é muito bonito, mas o que é certo é que esta gavetas têm que existir. O que penso é que têm que ser criadas mais oportunidades para um intercâmbio de gavetas, mas nunca acabar com elas."
Certo, ou não, o que diz adkalendas? Isto é, antes de continuarmos, não era bom entendermo-nos sobre isso?

(Miguel, apaga por favor o comentário anterior, saíu-me anónimo por distracção)


Gravatar (Em tom de remate): Alguém me sabe dizer onde posso adquirir o Projecto Educativo português? (Que símbolo se utiliza para expressar um sorriso amarelo?)

Continuemos, Miguel!


Gravatar Olá Miguel,

É só para dizer que a Didáctica da Invenção está de volta!

Um abraço

António Carlos Coelho


Gravatar O Miguel consegue caracterizar muito bem os diferentes olhares.
Excelente análise!




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