Obrigado pelo seu comentário... volte sempre!

Gravatar Isabel
A tua chamada de atenção merece um outro olhar... é só ganhar balanço depois de despachar alguns imbróglios que me têm afastado da blogosfera


Gravatar Apenas uma adenda ao texto do José António Paiva: a ópera "As Musas Galantes" de Rousseau está completamente ignorada na História da Música.

Mas por que motivo essa obra fez furor na época?
Sucede que a escala dodecafónica (sete notas, cinco tons e dois meios tons) tal como a conhecemos hoje nem sempre existiu. Nem existe em todas as civilizações. A escala chinesa, por exemplo, continua a ser, na música tradicional, pentatónica. No mundo ocidental, devemos a Bach e à magnífica obra "O cravo bem temperado" a fixação do sistema tonal tal como o conhecemos hoje. Rousseau, que pelos vistos estava sempre de mal com toda a gente (será por isso que até o pai o abandonou aos dez anos de idade? ) quis apresentar um novo sistema tonal - coisa que fez nas "Musas Galantes". De tal facto não sobrou registo significativo na História da Música: o sistema de Bach impôs-se e o de Rousseau foi obviamente ignorado, tal como dezenas ou centenas de outros sistemas tonais apresentados pelos mais diversos experimentalistas aventureiros.


Gravatar P.S.:
Já que me fizeste, Miguel, desviar do caminho da cama para voltar a ligar o pc e ir à procura do artigo que me ficara na cabeça quando tinha estado aqui em silêncio, e regressar a estas horas, sugiro que não deixes de o ler (E quem mais estiver interessado, claro)


Gravatar Eu sei que a entrada é sobre Rousseau e que, seja ou não essa a intenção, falar dele entre professores/educadores leva inevitalmente ao seu pensamento sobre a educação. Mas, será mesmo que a influência do pensamento de Rousseau tem alguma importância actualmente no(s) cerne(s) dos problemas da educação/ensino ou na questão Escola Hoje?
Porque trouxeste, Miguel, um artigo de Olga Pombo, andei a procurar na net um seu artigo que tinha lido há tempos. Não sou grande apreciadora de algumas ideias de Olga Pombo, mas este artigo, embora longo (e muito "forte"), vale a pena ser lido. Até começa por falar do pensamento de Rousseau e na influência que teve, mas, a seguir, passa para o problema de fundo quanto às questões educação e ensino actualmente (um "actualmente" que não é recente, claro).
Aqui deixo o link para o artigo (um pdf):
"O insuportável brilho da escola"


Gravatar Miguel estive a estudar umas coisas sobre o Rousseau e descobri que ele foi:
Um cantor da liberdade individual e teórico do Estado todo-poderoso, inimigo pessoal mas aliado objectivo da Luzes, preparou as grandes transformações da revolução que se adivinhava no horizonte. É preciso não esquecer a época do seu nascimento 1712 e o local, Geneve, fica órfão de mãe e é abandonado pelo pai aos dez anos! Conhece um principio de vida difícil, com várias mudanças de situação, fugas, nascido protestante, converte-se ao catolicismo, vive grande parte da sua vida errando de um lado para o outro. Em Paris e como diz Olga Pombo vive com uma serviçal de quem tem terá cinco filhos que são entregues ao hospício de enjeitados. sendo filho de uma família protestante depois de se converter ao catolicismo certamente já nessa altura por interesses pessoais, acaba por se notabilizar graças à ópera "As Musas Galantes" que escreve a pedido do seu amigo pessoal Diderot. É também um enciclopedista na qual escreve alguns artigos sobre música.
No entanto a amizade com Diderot em breve se transforma em ódio quando decide conciliar a sua reivindicada marginalidade com a própria vida, ao lançar as bases da sua filosofia como uma critica à corrupção do homem em sociedade, aprofundando a polémica política no segundo "Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os homens. Da sua obra escrita resulta a condenação da sociedade tanto burguesa como aristocrática obrigando-o a retirar-se para a Suiça, de 1763 a 1765, ou seja o seu país natal, e para Inglaterra em 1766, onde acaba por se defender dos ataques dos que o condenaram em especial de Voltaire. De regresso a Paris em 1770 trabalha afincadamente na sua obra "Confissões" onde expõe a história da sua alma para reparar as calúnias de que fora objecto. Posteriormente redige os "Diálogos e não querendo entrar em polémicas dedica-se aos seus "Devaneios de Um Caminhante Solitário" que apenas foram publicados após a sua morte em 1782, já que Rousseau faleceu em 1778 com a provecta idade de 66 anos. Hoje seria ainda um jovem, na altura em que viveu,(Século XVIII) era uma idade própria para a época. Foi pena não ter vivido a Revolução Francesa cujo inicio se deu como deves estar lembrado em 1789, ou seja 11 (onze) anos depois da sua morte, mas apesar de tudo, tendo em conta as suas ideias de luta contra o absolutismo e que deixou escritas em numerosos tratados, ele é considerado um dos seus percursores em conjunto com Montesquieu, Voltaire e Diderot.
Finalmente não devemos esquecer antes de mais que Rousseau foi um Burguês e um percursor do liberalismo e não fazia parte da aristocracia reinante da época.
E se agora fizéssemos o mesmo?
Um abraço do
José Paiva


Gravatar daqui a pouco está a dizer bem de M. Filomena Mónica, pelo menos do seu pensamento (?) pedagógico;
òhh miguelito, que coisas se passarão por essas tuas bandas mas andares tão de banda?


Gravatar amimalhadas", exemplificando com o ideal de retorno à vida rústica da aldeia que as cortesãs pregavam, apascentando cabras em jardins cuidadosamente floridos.



Brian Magee, conhecido divulgador da Filosofia, escreve na "História da Filosofia" (Civilização) que"Rousseau nasceu em Genebra, na altura um estado independente, e nunca foi um adimrador da cultura francesa, nem tão-pouco de cultura nenhuma." As suas ideias "pedagógicas" encontram-se ligadas aos seus ideais políticos: "uma criança que cresce numa sociedade civuilizada é ensinada a refrear os seus instintos naturais, a reprimir os seus verdadeiros sentimentos, a impor as categorias artificiais do pensamento conceptual sobre os seus sentimentos e a fingor que pensa e sente coisas que não sente nem pensa. Por conseguinte, a civilização é corruptora e castradora dos valores verdadeiros". Assim, o que devemos fazer é "mudar a civilização de forma a possibilitar aos nossos instintos naturais uma expressão completa e livre. Rousseau defendia mudanças fundamentais na educação para libertar o indivíduo das grilhetas da civilização. O seu ponto central é que a educação não deve ter como objectivo reprimir e disciplinar as tendências naturais da criança, mas, pelo contrário, incentivar a sua expressão e desenvolvimento. O principal veículo de instrução não deve ser a instrução verbal, muito menos a livresca, mas a prática e o exemplo. O ambiente natural para que isso possa acontecer é no seio da família e não da escola; e os seus incentivos naturais são o amor e a simpatia, e não as regras ou os castigos." É evidente que o Emile, onde se encontram estes princíios pedagógicos, se constituiu desde então como a Bíblia do pedagogismo delirante. Ainda segundo Magee, Rousseau constitui a génese dos movimentos totalitaristas - tanto o fascismo como o comunismo´. Foi também crucial no desenvolvimento do pensamento anarquista do século XIX. E Magee termina considerando que "os perigos [desta maneira de pensar]são vários, mas temos de arranjar maneira de viver com eles."

Peço desculpa pelo longo post, mas gostaria de explicar os motivos pelos quais Rousseau não me seduz.


Gravatar Miguel,

Como sabe, não partilho esse seu entusiasmo pelas ideias de Rousseau. Pelo contrário, penso que a influência desse "pensador" francês é ainda hoje perniciosa para a sociedade ocidental. A bibliografia sobre Rousseau é vasta e variada, havendo quem nele apenas veja coisas ou más ou boas.

Existem algumas leituras que lhe posso recomendar: autores isentos livres de preconceitos.

Anthony Kenny, na sua História concisa da Filosofia Ocidental (Temas e Debates, em português), refere que "Rousseau escreveu um livros, "Confissões", repelto de pecados e pouca filosofia. Teve uma relação durante toda a vida com uma criada [e não apenas com ela] da qual teve cinco filhos que abandonou, um após o outro, num hospício para enjeitados. (...) Defendeu, para horror dos enciclopedistas que as artes e as ciências têm um efeito funesto sobre a humanidade. A este ensaio seguiu-se um outro - o Discurso sobre a desigualdade - que defendia que o homem é naturalmente bom e que as instituições o corrompem." Zangou-se com Voltaire e escreveu Emile, obtendo como resultado das suas "doutrinas inflamatórias" a necessidade de fugir para a Suíça, mas também de lá foi obrigado a fugir. Obteve refúgio em Inglaterra, a expensas de David Hume, "mas rapidamente a sua paranóica ingratidão se tornou excessiva mesmo para a paciência de David Hume, de modo que regressou a França, apesar do risco de prisão". O Contrato Social, a sua obra mais importante, afirma que "O homem nasce livre e por todo o lado está acorrentado": Rousseau pensava que "a sociedade nasce quando a vida no estado original de natureza se torna intolerável". Pela vontade geral, celebra-se um contrato social pelo qual o indivíduo aliena a favor da comunidade todos os seus direitos e desiste de todas as pretensões a eles. Mas o que é a vontade geral? Nas palavras de Rousseau, "a vontade geral não é a vontade de toda a gente". Kenny explica: a vontade geral ocorre sob duias condições: 1. que cada eleitor esteja completamente informado; 2. que nenhuns eleitores estejam em comunicação entre si", de forma a evitar a formação de partidos. Apesar da sua preocupação com a vontade do povo, Rousseau não parece importar-se muito com... o povo. Rousseau não era apoiante da prática democrática: diz o próprio que "se existisse uma nação de deuses, seria uma democracia; mas um regime tão perfeito não é próprio para homens." "Dispor as coisas de modo a que os sábios governem as massas é o melhor e mais natural arranjo que pode fazer-se". "Claro que os ricos terão a seu cargo a maior parte da governação: têm mais tempo para isso. Mas, de tempos a tempos, deve eleger-se um homem pobre para dar ânimo à populaça." E Kenny, na sua qualidade de filósofo, explica: "trata-se de uma ideia incoerente em termos teóricos e vácua em termos práticos. (...) Inútil". A noção de vontade geral está na génese da ascensão do déspota Napoleão. Kenny descreve o movimento romântico como "um passatempo de ociosas am




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