Gravatar Já agora, PA, uma lista bem mais equilibrada é a do canone ocidental do Harold Bloom.

Rui Silva

PS. Ah! Já me esquecia este Harold Bloom é judeu... não é aceitável à luz dos critérios rigorosissimos definidos pelo PA.


Gravatar Não há alternativa: ou democracia-liberal, o regime natural do protestantismo, ou regime autoritário e centralizado, o regime natural do catolicismo.

Diz quem? Tu?

então no que é que os portugueses, os espanhois, os italianos, os checos, os austriacos, os alemães do sul e do Oeste tem vivido?

A democracia não é perfeita, mas tambem ninguem lhe pede que o seja. Ora, a única pessoa que exige a perfeição da democracia és tu, PA... num desejo de perfeição e harmonia tipicamente cath.

No fundo tu és portugues como todos os outros

Rui Silva

PS. aliás, se a estado corporativo era tão bom porque é que ao fim de 40 anos não despertou grandes angustias nem grandes traumas quando foi finalamente abaixo?


Gravatar Mas... o Cervantes era prot?

Então se o Cervantes não era prot nem a Espanha era prot como é que conseguiu publicar um livro critico do status quo sem ter sofrido represálias da Igreja e da Coroa?

Algo está errado com a tua tese, PA... mais uma vez!

Rui Silva


Gravatar estive a pensar , é curioso como o acumular é tipico de uns que eu cá sei e depois veio um tipo desse grupo , com preocupações sociais ( defeito genético , certamente) , bom conhecedor do espirito do clã , e toca de formular umas teorias de exploradores e explorados , que viciou até hoje a relação entre patrões e empregados (impedindo quaisquer tentativas de cooperação ) uns sempre , todos , maus , uns judeus ( ui ) por assim dizer , e os outros , coitados , uns cristos crucificados. Condicionou uns e outros , foi o que esse palerminha renegado fez . e olhando para os sindicatos , a coisa está para durar.


Gravatar Caro Prof. Arroja e LG,

Já fora de tópico, mas a propósito de um tema recente acrescento o que se segue.

Vou tentar explicar por que motivo as culturas protestantes estão a ficar mentalmente mais doentes. Para esse efeito vou recorrer a um fenómeno religioso. Grande parte daquilo que está em causa neste fenómeno está expresso no binómio paulino do espírito e da letra.
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A tradição judaico-cristã faz-se acompanhar de um conjunto de preceitos que podem orientar a vida do praticante de duas formas inteiramente distintas, até mesmo opostas, não obstante a forte semelhança. As regras orientadoras podem ser entendidas quanto ao espírito ou quanto à letra. A lei judaica é a lei cristã. Quando Cristo, contra os fariseus, decreta uma nova lei, a lei é a mesma, o que Cristo realmente pede é que essa mesma lei seja compreendida e cumprida quanto ao seu espírito e não quanto à sua letra.
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A revelação da lei, seja no judaísmo, seja no cristianismo, está sempre sujeita à decadência. Quando ela é anunciada, é anunciada quanto ao espírito, mas as inclinações rebaixam o espírito à letra. Assim aconteceu com os judeus de Moisés aos fariseus. Assim aconteceu com os cristãos de Cristo aos comerciantes de indulgências. E o mesmo aconteceu com os protestantes desde Lutero até aos nossos dias. O fenómeno é este: o espírito dá lugar à letra.
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À luz deste processo os judeus tornaram-se banqueiros, os católicos vendedores de indulgências e os protestantes capitalistas. Os judeus e os protestantes juntaram-se e fizeram a grande potência que é os EUA. Os católicos perceberam o quanto era ridículo vender bulas e passaram a viver como os lírios do campo. Os lírios do campo vivem do que a natureza lhes dá. Os católicos vivem naturalmente do que lhes aparece: as especiarias, o ouro, o plano Marshall, a medicina protestante e agora os subsídios da CEE.
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O facto de os católicos não se preocuparem tanto com o sucesso dá-lhes tempo para dormir a sesta a meio do dia e a tranquilidade para dormir um sono revigorante à noite. Como não gastaram muito tempo na exegese, os católicos têm a estupidez de que precisam para ser felizes.
Os protestantes leram a Bíblia, aumentaram as faculdades intelectuais, mas como a lei se “fariseou” do espírito para a letra, toda essa capacidade racional foi submetida à eficácia produtiva. O protestante passou a viver em função da sua capacidade de produzir bem e vender melhor. Tal como no estoicismo, a racionalidade protestante abstraiu-se das emoções. A crença de que o protestante se pode tornar virtuoso por si mesmo (self-made man), sem recurso nem ao amigo, nem ao Papa, nem a Deus (pelagianismo), encheu-o de orgulho.
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A origem do humanismo protestante converteu-se numa desumanização. A razão forte e objectiva deu lugar a uma gestão austera e a uma ciência exacta. A autonomia intelectual e material deu lugar a uma mulher e a um jovem facilmente emancipado, com laços familiares e afectivos mais frágeis. A permanente ocupação com a produtividade e o sucesso fez pais ausentes com filhos quase anónimos a dormir debaixo do mesmo teto. Generalizou-se a ideia de que quem não tinha sucesso era um looser e vivia uma vida que não merecia ser vivida.
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O protestante encara a razão como uma força e os sentimentos como uma fragilidade, mas esquece-se de que a razão, naturalmente dialéctica, sem o sentimento é impotente para decidir entre uma tese e a sua antítese. Neste caldo de entronização da racionalidade e afastamento da compaixão, o protestante está a tornar-se mais egoísta, menos empático e com isso mais capaz de destruir a humanidade dos outros, sobretudo dos mais frágeis. Os protestantes aderiram com facilidade ao aborto, porque o filho inesperado é um incómodo à progressão na carreira e uma ameaça ao estatuto social.
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O que é que faz o protestante tomar decisões tão enriquecedoras? Ou o medo de falhar, ou o orgulho de vencer. O que é que faz o católico tomar decisões tão empobrecedoras? A confiança de que se não forem especiarias da Índia, será ouro do Brasil. Se não for ouro do Brasil, será subsídio da UE. Se não for dinheiro da UE, será a ajuda ou a herança de um familiar. Se nada disso estiver à mão, logo se verá e a natureza há-de sempre encarregar-se de dar tudo aquilo de que precisa, tal como aos lírios do campo.

Um abraço,


Gravatar Caro PA,

Veja este mapa dos resultados eleitorais na Polónia em 2007 e veja a especulação histórica que a eles se ajusta.
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http://strangemaps.wordpress.com...-electoral-map/
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ccz


Gravatar LG,

Já não será este fim de semana, porque estou de partida para a Madeira para o baptizado da minha neta. Sim, para o baptizado, não vá ela nunca chegar a Salvação.

Mas você pode fazer os textos, que eu tenho prazer em publicar.

E se você conseguir pensar melhor no Salazar democrático ...

Não há alternativa: ou democracia-liberal, o regime natural do protestantismo, ou regime autoritário e centralizado, o regime natural do catolicismo.

PA


Gravatar Boa, Wika. Grande "comentário".

E Quevedo, e Quevedo.

Já nem vale a pena dizer-se nada. Para quem é bacalhau basta.

Basta o bacalhau e os famosos sonetos é épica do da Costa que metem num chinelo o Camões.


Gravatar Pedro, eis que vamos nos alongando em vários posts e nada do 'sola fide' e do 'soli deo gloria'. Esqueceste?


Gravatar ´ramón llull , Juán ruiz , El cantar del mio Cid , fernando rojas , calderón de la barca , quevedo , lope de vega ,góngora , jovellanos , moratin , feijoo , ramón de la cruz , josé zorrilla ,becquer e rosalia de castro , galdós , pardo bazán , blasco ibañez , leopoldo alas , echegaray ( nobel ) , jacinto benavente ( nobel ) aleixandre ( nobel ) camilo josé cela ( nobel) ,juán ramón jimenez ( nobel) , etc , etc....rafael alberti , max aub ,dámaso alonso , Enrique jardiel Poncela e miguel mihura ( adoro os dois ) , etc , etc , etc....


E Lorca e Unamuno , torrente ballester , valle inclán , pio baroja , e antónio machado ( caminante no hay camino , se hace camino al andar ) e alvaro cunqueiro , já agora. E etc , again.


Gravatar Que animado que isto anda por aqui.

Com que então o D. Costa é especialista na obra do Uriel da Costa.

E diga-me, prefere-lhe os vilancetes ou a épica?


Gravatar "Quanto ao conteúdo do post não deu por nada, D. Costa?”

Até ao momento só dei pela pobreza dos comentários.

D. Costa


Gravatar Nunca vi nenhuma referência especial à primeira pelos estudiosos sérios de Hobbes, não deve ser grande coisa.

A segunda é uma boa tradução portuguesa que também tenho. Se não estou em erro essa tradução é baseada, em grande parte, na edição inglesa de C.B. Mcpherson (uma edição crítica. Pode e deve ser usada (por qualquer estudioso).

D. Costa


Gravatar Quanto ao conteúdo do post não deu por nada, D. Costa?

Conhece a obra filosófica de Sófocles?


Gravatar E a grande obra do Uriel da Costa, que suplanta o Camões, D. Costa?

Quer desenvolver o tratado das Tradições Farisaicas?


Gravatar E estas:

The metaphysical system of Hobbes in twelve chapters from "Elements of philosophy concerning body" together with briefer extracts from "Human nature and leviathan" / Thomas Hobbes ; selected by Mary Whiton Calkins

Leipzig : Felix Meiner, 1913

Leviatã ou Matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil / Thomas Hobbes ; trad. João Paulo Monteiro, Maria Beatriz Nizza da Silva ; pref. e rev. geral de João Paulo Monteiro

AUTOR(ES): Hobbes, Thomas, 1588-1679; Monteiro, João Paulo, trad.; Silva, Maria Beatriz Nizza da, 1938-, trad.


PUBLICAÇÃO: [Lisboa] : Impr. Nac.-Casa da Moeda, imp. 1995


Gravatar Tanto quanto me recordo ele citava a edição do Leviathan editada por Molesworth.

Para uma edição crítica, que qualquer estudioso deve e pode usar, leia a de C.B.
Mcpherson (por exemplo).


D. Costa


Gravatar Qual era edição errada do Leviathan e qual a correcta que qualquer estudioso tem obrigação de saber, D. Costa?


Gravatar “Como seria a composição dessa colecção se tivesse sido feita por espanhois?” – EMS

Ou se fosse feita por portugueses?

A questão seria não só a composição mas também a qualidade da colecção.
Recordo-me de um manual de ciência política publicado em Portugal há uns anos pelo professor catedrático Diogo Freitas do Amaral.
Um dos capítulos era sobre Thomas Hobbes. O texto era de uma pobreza extrema, mas mais grave ainda, esse professor catedrático citava referências bibliográficas da obra de Thomas Hobbes historicamente erradas. Ele citava, e dava como referência, uma edição do “Leviathan” que qualquer estudioso, com o mínimo de informação, tinha obrigação de saber ser uma edição errada.
Se um professor catedrático português faz destas coisas, imagino o resto...

D. Costa


Gravatar Aguarda-se recensão de "Exame das tradições farisaicas conferidas com a lei escripta, contra a immortalidade da alma" feita pelo intelectual D. Costa.


Foi uma injustiça, o Camões ter tirado o primeiro lugar ao Uriel da Costa.

Na verdade, foi prova de anti-semitismo congénito.


Gravatar "Não aprecio esse espírito crítico, que não oferece nada como alternativa.

PA"

Nesse caso o PA vai ter que criar uma religião nova porque as criticas que tem feito ao catolicismo também não têm oferecido alternativas.

EMS


Gravatar Sófocles foi dramaturgo, não foi filósofo.

Fiódor Dostoiévski- sem y no fim.


Gravatar Ads universidades de qualidade são proestantes e resultaram, as mais das vezes, da concorrência inelectual entre denominações portestantes rivais, como foi o caso de Harvard e Cambridge.

As universidades de países católicos rezam sempre uma única oração - a oração do regime político dominante.

PA


Gravatar Quanto ao conteúdo do post, nada a dizer.
Mas continuo a pensar que grande parte do problema está no sistema de ensino em Portugal. Não temos, nem nunca tivemos, uma universidade de qualidade.

Talvez esse facto seja um efeito e não uma causa, dirá o Professor Arroja.
(E infelizmente é capaz de ter razão...).

D. Costa


Gravatar Não aprecio esse espírito crítico, que não oferece nada como alternativa.

PA


Gravatar "Porque é que você não tenta fazê-la?

PA"

Porque não sou editor nem tenho pretensões a isso.
Mas por acaso até aprecio o espírito crítico. E o senhor?
EMS


Gravatar Porque é que você não tenta fazê-la?

PA


Gravatar Já agora. Como seria a composição dessa colecção se tivesse sido feita por espanhois?

EMS


Gravatar Ó Joaquim, numa compilação onde praticamente metade dos autores são britanicos ou americanos. Onde tem alguns autores Gregos para dar alguma respeitabilidade. Mas faz creer aos incautos que a produção cultural Francesa terminou no sec XVIII. Que a cultura Alemã tem algumas coisitas de jeito (não tantas como a saxonica), que a Italiana tem pouco de aproveitavel, e a Russa mal dá para encher uma mão. Diga-me lá que posição esperava para a cultura iberica numa colecção dessas.


EMS


Gravatar Robert Hutchins foi durante muitos anos o “dean” da University of Chicago.
Se não estou em erro ele conseguiu ser director dessa universidade com apenas trinta e poucos anos.
Li algumas biografias de R. Hutchins. Era uma personagem inacreditável. A universidade de Chicago, nos anos 40 e 50, não seria o que foi sem a presença e a direcção dele.
Alguém que tenha verdadeira paixão pelo ensino não pode deixar de ler a história desse homem magnífico. É apaixonante ler a sua biografia.

D. Costa


Gravatar Os “Lusíadas” não tem o alcance nem o universalismo de uma obra como o
“D. Quixote”. Mas ao ler este post lembrei-me de imediato de um outro escritor espanhol: Benito Perez Galdós. Infelizmente é um escritor muito subestimado e esquecido.
É um dos meus favoritos e que aconselho fortemente ao Professor Arroja (caso nunca tenha lido nada dele). Em Galdós há muita matéria interessante sobre o catolicismo.

No caso português há um autor que admiro em particular: Uriel da Costa. Uma personagem bem mais interessante que Luís de Camões

D. Costa


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