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Claro que o aborto é uma forma de planeamento familiar. Ou melhor, é uma forma de limitação de nascimentos. As pessoas abortam porque não querem ter filhos. Abortam pela mesmíssima razão pela qual usam um DIU ou um preservativo ou uma pílula do dia seguinte.
Ao dizer que o aborto é uma forma de planeamento familiar, estou a fazer uma constatação trivial. Não estou a advogar o aborto.
Tenho 43 anos, e já conheci, ao longo da minha vida, três (3) mulheres, cultas e educadas, que me disseram que tinham engravidado apesar de estarem a usar métodos contracetivos. Isto acontece. Acontece às melhores. Basta, por exemplo, uma mulher ter uma diarreia, para a pílula ir parar à sanita e não fazer efeito. A mulher não tem consciência disso, e portanto não toma uma pílula do dia seguinte. Engravida. Só dá por isso duas semanas depois. O que há-de então fazer? Ou tem o filho (foi o caso dessas três mulheres, já agora), ou então,s e não o puder ter, tem que abortar.
É assim: o aborto é um método de último recurso de planeamento familiar. Porque todos os outros métodos falham.
Será difícil compreender isto?
Luís Lavoura
Luís Lavoura |
01.28.07 - 3:30 pm | #
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"a partir do momento da concepção existe um novo ser humano, real ou potencial"
Sem dúvida. Estou de acordo.
Mas isso não é um argumento a favor do Não. Porque no direito, como na vida em geral, é preciso conciliar valores. Neste caso, é preciso conciliar o valor da vida humana com o valor do controle de nascimentos. É preciso um meio termo. É por isso que se permite o aborto até às dez semanas. Para não se escolher nem o 8 (proibir totalmente o aborto, o que equivale a impedir um controle de nascimentos eficaz) nem o 80 (permitir o infanticídio de crianças de 5 anos, o que seria um total desrespeito da vida humana).
Luís Lavoura |
01.28.07 - 3:34 pm | #
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"Claro que o aborto é uma forma de planeamento familiar." Claro que não é!!!! É uma medida extrema de quem não tem alternativa! Por definição, PLANEAMENTO não é curativo mas antes preventivo! Não tente escamotear essa realidade.
Se essas 3 mulheres cultas e educadas tivessem lido a documentação que acompanha a pílula (eu já li), saberiam que perante uma situação de diarreias, terão NECESSARIAMENTE de utilizar outro método contraceptivo nesse ciclo.
"É assim: o aborto é um método de último recurso de planeamento familiar. Porque todos os outros métodos falham." FALSO!! O ABORTO NÃO É PLANEAMENTO FAMILIAR!! Está a confundir a obra prima do mestre com a prima do mestre-de-obras... O objectivo do planeamento familiar é permitir programar a fertilidade do casal ou indivíduo. O aborto, por definição, ocorre quando não foi possível evitar uma gravidez indesejada. NÃO FAZ PARTE DO PLANEAMENTO! Não se trata de uma questão meramente semântica, mas antes de conceito.
Tiago Mergulhão |
01.29.07 - 1:45 pm | #
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Tenho um esclarecimento a fazer, a falha de um método concepcional pode não ser notada senão 4 semanas depois, nessas circunstâncias não há pílula do dia seguinte que resolva e temos um feto a crescer. Gostávamos que a Medicina fôsse uma ciência exacta mas, infelizmente, são relativamente comuns situações desta natureza. Qual é a moral de alguém que pretende criminalizar quem seja forçada a fazer uma IVG depois de engravidar nestas circunstâncias?
Vasco Trigo |
02.01.07 - 3:57 pm | #
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Não posso discordar do comentário do Vasco trigo, mas posso assegurar-lhe que neste momento há contraceptivos hormonais que têm 99% de eficácia. Nos casos em que haja uma das circunstâncias acima descritas, a mulher sabe que deve tomar outras medidas contraceptivas. Precisamente por causa dessas situações imprevisíveis é que eu vou ter de votar sim.
O debate anterior prende-se com questões de semântica e conceito. Não acredito que alguma pessoa no seu perfeito juízo possa advogar o aborto com controlo de natalidade. Agarrando numa das pérolas acima deixadas, não vejo grande diferença entre o aborto às 10 semanas e o aborto aos 3 anos de idade, se fõr tudo controlo populacional. Podíamos, a talho de foice, agarrar nos aleijados e nos deficientes e manda-los todos para o rio dentro de um saco, não era? E a seguir, os que tenham menos de 1,75m de altura. Depois podiam ser as pessoas com q.i. inferior a 180! Quando só já sobrassem uma mulher fértil e um homossexual convicto, é que ia ser bonito. Nunca mais se ouvia falar de aborto! Vamos dizer as coisas frontalmente: o aborto, tal como preconizado no referendo, vai liberalizar totalmente a IVG atá às 10 semanas de gestação. É, para mim, infanticídio. Quem quiser ver a questão de outra forma está à vontade, mas não me tentem convencer de que é tudo progresso nem de que é uma forma de controlo da natalidade.
Tiago Mergulhão |
02.10.07 - 8:53 pm | #
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Commenting by HaloScan
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