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O objectivo supremo da propaganda é conseguir que milhões de pessoas forjem entusiasticamente as grilhetas da sua própria servidão.
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Diogo |
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11.13.09 - 6:20 pm | #
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a virtude e a lei... o direito e a moral... os valores e as regras... os costumes.
Este post fez-me lembrar, há uns bons anos atrás, quando ia a uma entrevista para obtenção de trabalho, uma psicologa perguntou-me (como sempre) quais eram as minhas virtudes e os meus defeitos.
Respondi-lhe que os meus defeitos e virtudes eram em igual proporção cada um deles e individualmente considerados.
Talvez não estivesse à espera daquela resposta, mas a tipa esclareceu-me melhor e calmamente perguntou-me se me considerava uma pessoa honesta e leal.
'Depende' eu disse-lhe... para ser leal posso ter que ser desonesto;
'era capaz de roubar?' ela insistia
'era' eu disse-lhe
'como quer então conseguir este trabalho?' ela continuou
'sendo leal a quem me paga e persistente no trabalho' eu disse-lhe
'sim mas se é capaz de roubar...' ela indagava
'sim sou bem capaz, não lhe disse em que circunstancias o faria porque também não me perguntou... mas fa-lo-ia certamente por compaixão a alguém, por lealdade a alguém, por amizade a alguém e se tivesse fé em Alguém também o faria' eu disse-lhe
'não é religioso?' ela continuava
'não, porque sou leal e honesto comigo próprio' eu finalizei
Concluindo, para mim a virtude é uma escala de valores que se contrapõem uns aos outros dependendo do momentum... da moral e dos costumes e eventualmente da ética de cada um.
RB
Ricciardi |
11.13.09 - 8:11 pm | #
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Muito muito bem Sr. Dragão.
AH |
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11.14.09 - 10:30 am | #
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Há por aí outro fenómeno a explorar: a coincidência entre a ética e a lei.
Para esta cambada que agora manda, uma sobrepõe-se à outra de modo que uma equivale à outra. Ou seja, a ética republicana é a lei.
O que fica de fora, então? Tudo o que extravasa o regulamentozinho.
Vale tudo menos tirar os olhos à lei, porque esta tem de ver a quem se aplica. Só assim se garante que a Justiça possa ser ceguinha.
José |
11.14.09 - 12:34 pm | #
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José,
essa é precisamente a questão, ou melhor dizendo, o abismo. Entre uma lei que decorre duma ética e uma lei que, espécie de demiurgia moral instantânea, instaura uma ética.
Dito de outra modo: é a diferença entre um mundo onde a política deriva de uma ética e um mundo onde a política faz a ética.
Dragão |
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11.14.09 - 2:05 pm | #
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Eu também gostaria que o Dragão fosse mais lido por outras pessoas...
Uma maneira possível seria que o Dragão tivesse uma conta no Facebook. Liga muito bem com o blog... e da maneira que quiser, é muito flexível, e. verdadeiramente, o facebook pode proporcionar-nos uma forma de conseguirmos avançar com boas causas...
O Dragão poderia ter uma conta pessoal, ou até uma página..., ou as duas coisas. O facebook facilita muito a leitura, os comentários, o diáogo e a comunicação.
beijo
Cygnus |
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11.14.09 - 11:41 pm | #
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Caríssimo Dragão
O seu blogue agora está não só lindo por dentro e no conteúdo, como também por fora.
Isso é bom 
Cygnus |
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11.14.09 - 11:45 pm | #
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É lindo por dentro, está lindo por fora, assim é que é.
Não se pode dizer isto em inglês, nem num montão de outras línguas...
hahaha
Cygnus |
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11.14.09 - 11:48 pm | #
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Vou voltar ca para ler melhor. O texto é interessante. Eu também subscrevo a esta maneira (Villeyana ?) de conceber as coisas : não devemos conceber o bem como o cumprimento de uma regra, antes considerar que a regra deriva do bem e que não passa de um instrumento para o alcançar, ou para dele nos aproximarmos.
Mas o seu texto não pecara por demasiado esquematico ? Por exemplo a oposição entre o "universo grego" e o "universo critão-romano" tem muito que se lhe diga. Não se pode conceber a lei nova dos cristãos como uma forma de relativizar os comandos da Lei antiga ? Não havera ai uma atitude bastante proxima da que você aponta como caracteristica do "universo grego" ?
Sempre achei estas grandes oposisões demasiado simplistas. Ajudam-nos a arrumar os nossos conhecimentos em gavetas bem ordenadas, mas não sei se nos ajudam a compreender as coisas...
Com isto tudo, não estamos apenas a dizer que ha duas formas de seguir uma regra, sendo uma obedecer ao seu comando, outra orientar-se pela sua medida ?
Para além disso tenho algumas reservas acerca do que diz de São Tomas. Por exemplo, não tenho a certeza que a filosofia dele (apenas me pronuncio sobre isso, uma vez que não sou crente) não tenha tido continuação.
Mas, como disse, hei de ca voltar.
joão viegas |
11.18.09 - 5:20 pm | #
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Ola de novo,
Li o texto com mais atenção e confirmei a minha opinião. Esta bem dito (e escrito) sim senhor. Muito melhor do que eu saberia fazê-lo.
Mas continuo a achar um pouco esquematico. As duas maneiras de conceber a regra não correspondem a meu ver a dois universos em luta, ou a duas concepções completamente antinomicas. Os gregos não foram os unicos a procurar o Logos a partir da observação da realidade (em vez de proceder ao contrario). Alias, os proprios gregos não estavam todos de acordo com essa maneira de resolver a questão. O autor do post lembra-nos, noutro post, quão ridiculo é afirmar que os gregos não tinham religião. Pois lembremos também, ja agora, que o processo de Socrates tinha a ver com religião, e ocorreu porque havia, ja, duas maneiras (pelo menos) de conceber as coisas. Esta discussão sempre existiu e não se extinguiu depois dos gregos. Longe disso...
Sempre houve, e julgo que sempre havera, duas maneiras de apreender a regra. E penso também, modestamente, que por muito que queiramos, não é possivel dar uma preferência definitiva a nenhuma delas.
Elas parecem-me bem ilustradas no texto mas, no fundo, poderiamos igualmente ilustra-las com exemplos quotidianos.
Ha pessoas para quem um sinal vermelho é uma ordem para parar. Estas pessoas param sempre, mesmo às três da manhã numa ruazinha completamente deserta em que andam a 10 km por hora. São as mesmas pessoas que usam o pisca quando manobram dentro da sua propria garagem
Ha pessoas para quem um sinal vermelho não é uma ordem, mas antes um aviso : "Esta vermelho, portanto ficas a saber que se continuares e se houver um acidente, vais ser responsavel".
Nos todos podemos ser, e somos na pratica, consoante os casos, uma e outra dessas duas pessoas.
Francamente, não sei se Aristoteles da preferência a uma ou a outra dessas concepções.
O que julgo saber é que Aristoteles, nas suas Eticas, alertou-nos para a existência, nas relações sociais, de uma arte complexa de compor com as duas concepções da regra (e da realidade).
Esta arte chama-se o direito, e é uma parte importante da ética.
Mas, por definição, não a esgota...
joão viegas |
11.19.09 - 7:47 am | #
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caro João Viegas,
Se acha que as duas concepções não correspondem a dois "universos em luta" ou a "duas concepções antinómicas", tem o meu inteiro acordo. O texto, como sugiro que comprove relendo com atenção, não fala em "oposição" ou "antinomia": fala em diferença. Uma diferença que decorre do momento "fundador do cristianismo", mas esse momento fundador (S.Paulo) não o esgota. Ao contrário de Nietzsche, porém, não reduzo o cristianismo a S.Paulo. Mas isso já é pano para outras mangas. O facto é que quem aceitou e propagou o cristianismo não foram os judeus: foram os gregos. Foram eles que o transformaram numa civilização e, nesse sentido essencial, a cultura cristã é herdeira da cultura grega (e quando digo cultura, incluo religião, ética e filosofia). Não me parece, portanto, que seja a sua negação. Mas isto digo-lhe discretamente a si, que me parece pessoa cordial, de modo a não desmobilizar a patrulha beata que tanto me diverte.
Dragão |
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11.19.09 - 4:08 pm | #
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Que patrulha beata?
Tu ficaste parvo e já inventas cabalas como os ateus militantes chamando patrulha beata a pessoas como eu ou o Despastor?
Eu é que nem me quero chatear mas dizia-te qual é o teu problema.
Se alguém reagiu como se tivesse ouvido uma blasfémia, foste tu- por apenas se tocar nos teus deuses gregos.
Mas não há sequer novidade nenhuma, Para quem se interessa por História da Arte sabe a paixão pelos antigos levou a autênticos fanatismos e apagamento de tudo o resto.
E deu noutra coisa acerca da qual até já fiz post, e gozada pelo Hogarht- a idolatria por réplicas mortas dessa Antiguidade que fica guardada numa campânula,como uma bela adormecida e que, na volta, já há muito que tinha morrido.
Foi isto que fez cristalizar muita coisa. E tu, que tanto gostas do Nietzsche, tinhas obrigação de o perceber, em vez de lhe seguir a periodização maniqueia e errada.
zazie |
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11.19.09 - 11:08 pm | #
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O problema neste texto nada tem a ver com a regra mas com a natureza de um deus criador.
Se esse Deus criador se expande no próprio universo- de forma imanente- a regra não é um ditame moral, uma ordem de quem se idolatra mas sim algo inerente ao mistério.
Se esse Deus se torna transcendente, não deixando lugar para mistério nem Natureza, nem acaso e, ainda por cima se toma por omnipotente e omnipresente, sim- aí regra ou desregra; ordem e Caos podem coincidir numa arbitrariedade que acaba por ser uma réplica da sua negação- de um criação apenas matéria, sem desígnio, sem sentido, sem Deus.
O que não faz parte deste problema é equipará-lo a personagens que são apenas heróis e deuses, produtos de um logos, de uma Criação que nem é obra deles.
Ou seja- o problema do politeísmo é que nem é problema teológico- porque, nesse caso, existe sempre algo anterior que é causa incausada e criador sem ser criado, que também os criou.
Na mitologia grega- como em todos os politeísmos- particularmente naqueles que nem são imanentistas- são figuras autónomas sem serem transcência de outra ordem da do humano- é que não podem nunca, por esta estrita característica serem eles a regra ou serem eles a causa dela.
zazie |
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11.19.09 - 11:20 pm | #
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Era este o problema e a gritaria toda e palhaçada de ameaças e patrulhas beatas resume-se a isto.
Fartei-me de o tentar explicar mas a paixão pelos antigos dá sempre nisto- ficam surdos e ceguinhos por a tomarem por afronta maior que afronta a Deus para o mais profundo católico (que nem é sequer o meu caso- todos os católicos me chamam ateia; só fui chamada de beata por maluquinhos ateus militantes).
zazie |
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11.19.09 - 11:23 pm | #
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E ainda podia recorrer à figura do demo para que na própria noção de jahvé do Antigo Testamento não seja tudo - Bem e Mal- produto da mesma divindade.
Mas nem vale a pena, porque a questão pertinente era essa de uma regra que está para além da ordem ou do Bem e Mal transcendentes.
E, toda a filosofia católica a vai incluir, de diversos modos, assim como a tradição mística e franciscana- onde a Natureza/Criação tem essa função congregadora de um Ordem, de um sentido, que está para além dos cultos, dos dogmas, dos ritos, da palavra sagrada- da congregação de fiéis, etc, etc, etc.
O Deus feito carne é a melhor imagem para esse mistério que não é invisível nem absolutamente extra-mundo, como para a Antiga Lei.
zazie |
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11.19.09 - 11:30 pm | #
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Falei disso várias vezes- uma delas aqui
zazie |
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11.19.09 - 11:34 pm | #
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Caros,
Agradeço muito a resposta do Dragão (e sou sensivel ao "cordial").
Não sei se o "ateus militantes" da Zazie me era dirigido, mas se for o caso digo ja que repudio completamente o "militante" e que a finalidade do meu comentario esta a milhas desse tipo de preocupações.
Interessa-me apenas o texto, que guardei e que voltarei a ler, não so pelo prazer mas porque diz com elegância e justeza coisas muito acertadas e muito interessantes para quem, como eu, se interessa por filosofia do direito. Não sei se o autor leu os trabalhos de Michel Villey, mas o que ele diz é muito proximo do pensamento desse autor, que foi determinante na minha formação intelectual e que julgo ser um dos maiores do século XX.
Eu sei que a Zazie aprecia mais as criticas do que os elogios mas, não obstante, deixem-me dizer-lhe que eu cheguei a este blogue pelo Cocanha, que muito aprecio e que vou lendo, quando não estou a ter ataques de "jacobinismo fankenstoino" (a expressão é deliciosa).
Mas que os tenho às vezes, la isso, é inegavel...
joão viegas |
11.20.09 - 3:59 am | #
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ahahahhah
Não fazia a menor ideia que também fizesse parte deles.
Eu dou-me muito bem com o Sir Francis Burnay e já debatemos várias vezes o catolicismo, do ponto de vista de uma badalhoca e de um endeominhado.
Mas eu também gostei muito destes textos do Dragão. Apenas achei que continham incongruências e, uma delas, v. próprio a detectou- esta mania que vem dos românticos de compararem culturas com substantivos abstractos fora do tempo.
Era sempre assim- os gregos e o cristianismo, ou- a antiguidade e o cristianismo (quando preferiam os romanos) e Wagner, Buckhardrt e Nietzsche seguem a mesmíssima periodização que só pode dar asneira.
Claro que quem me chamou "patrulha beata" foi o Dragão e eu disse uma verdade- aqui na blogosfera só os ateus militantes me chamam isso como se fosse insulto- já que a palavra beata quer dizer feliz.
De resto, já apanhei com posts na primeira página, escritos por "cristões" onde me chamavam ateia.
zazie |
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11.20.09 - 9:19 am | #
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Mas, como v. percebeu- finalmente alguém percebe e tinha de ser alguém sem medo de blasfémias, a minha questão era puramente teórica.
No outro post mais acima desenvolvi-a. E é assunto que me interessa- particularmente a caracterização dessa regra, dessa ordem, que vai mudado mas que mantém sempre uma ligação ao equilíbrio, à congruência das partes com o todo, ao que é viável.
Tanto é assim, que os grotescos e os monstros são condenados esteticamente por se assemelharem a um caos inviável que nem belo pode ser.
Isto desde Vitrúvio que repete o que os gregos diriam e depois ao longo do Renascimento e ainda no século xix.
São sempre "barbarismos" contra-natura. O Francisco de Holanda, nos Diálogos de Roma" tem uma passagem muito curiosa acerca disso.
São temas com que até ando, novamente, às voltas.
zazie |
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11.20.09 - 9:25 am | #
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E, é claro, a ética é sempre associada a esse ordem, seguindo o Aristóteles.
A Hildegarda de Bingen escreve um texto acerca do comportamento e postura de um cristão e repete-o por oposição ao histriónico- desordenado- marca do mal.
A própria palavra endemoninhado ainda se prende com isso e o Santo Agostinho chegou ao ponto de considerar as crianças endemoninhadas, devido ao comportamento anárquico.
O que não creio que seja correcto é dizer-se que no Antigo Testamento Deus é um tirano que dá ordens boas e más e com todos os defeitos misturados com virtudes.
Não é assim- as ordens são apenas o Decálogo e o homem feito à sua imagem- com capacidade de distinguir e procurar o que se lhe assemelha de Bem.
Mas o mundo terreno é governado pelo demo.
ahahahha
O Livro de Job que tanto incomoda o Saramago e aqui o nosso Dragão, podia ter sido escrito por Dostoievski- é o demo que anda cá em baixo.
Por isso é que a redenção é possível a todos.
zazie |
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11.20.09 - 9:33 am | #
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O resto, aquilo que parece arbitrário, incluindo o anunciar profético do Messias e depois a sua negação, sem saberem- pode ter semelhança com a moira- destino trágico dos gregos.
Ou não pode?
zazie |
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11.20.09 - 9:35 am | #
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É verdade, uma nota:
Os frankenstoinos e cientóinos são da autoria do Dragão.
Jacobino-frankenstoinos é apenas uma variante por cópia do original.
A "direita ornitorrinca" é que é da minha autoria mas aí quem pirateou foi o JPP.
zazie |
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11.20.09 - 12:04 pm | #
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Nos casos de patologia maior, eu até costumo usar o Gil Vicente e chamo-lhes os mija-nos-finados.
Para a variante da militância fracturante também prefiro "as cagotas".
zazie |
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11.20.09 - 12:07 pm | #
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Ola Zazie,
Então o meu comentario era mera presunção ? Diabo...
Por falar em Diabo, a Zazie ja leu com certeza o livro de Papini... Devia dedicar um post a este autor. Eu não conheço bem. Ainda não percebi como começou por ser uma espécie de representante italiano do pragmatismo (de facto, lembro-me de ler uma nota de rodapé de James acerca dele, na altura em que foi escrita Papini teria pouco mais de vinte anos).
E quanto à sua observação sobre "frankenstoino" ser da autoria do Dragão, não sera uma forma perversa de vencer a discussão, indicando-me que não fiz mais do que ir à fonte, às origens ?
Seja como for, e com a devida vénia ao autor, "Jacobino Frankenstoino" é particularmente feliz.
E, por falar nisso, felicidades...
joão viegas |
11.20.09 - 12:35 pm | #
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ehehe, essa lembrança do Papini, ficava melhor ao Labaredas da casa.
Mas foi uma ideia brilhante, salvo seja, que não quero ser pleonasticamente luciferina.
Por mim, agrada-me mais aquela grande puta da Grouchenka, dos irmãos Karamasov que ainda era mais lúcida quanto estava bêbeda e os perdoava a todos.
E, também por falar nisso, que a estrela da manhã o acompanhe que por aqui já vai sendo noite.

zazie |
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11.20.09 - 1:17 pm | #
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Bem, mas já que se voltou à tal ideia de regra que foi ligada a ética e depois a um Deus, ou a religiões, então o que me apetece colocar em causa é a própria noção de ética que depois se ilustra por: "justiça, a verdade, o amor, o ódio" a par de outras características que se extraem do Antigo Testamento.
Eu penso que tudo isto é abusivo. E ainda sou capaz de ser mais herética- nem o Decálogo pode ser tido como revelação única de um único Deus- o verdadeiro- por oposição a cópias menores, porque até o decálogo é continuação de tradição de leis ditadas por deuses, desde a Suméria.
Por isso, parece-me um falso problema dizer-se que a ética ou é divina ou inventada por cada um, se não coincidir com a tal palavra revelada ou com uma "natureza divina" que se procura desvendar.
Em poucas palavras- o fundamento é sempre divino, se o tomarmos por lei inviolável- mas só me parece poder estar subordinado a algo maior que códigos e regras filosóficas ou de costumes se participar de um Ordem do mundo.
E nessa acredito- quase de forma panteísta- se se quiser. Sem precisar de recorrer a fábulas de deuses que seriam apenas, nos nossos dias, super-heróis da Marvel.
zazie |
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11.20.09 - 4:20 pm | #
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uma Ordem e outras gralhas.
(agora podem vir crentinhos militantes e chamarem-me ateia que faço-lhes o mesmo que aos cientóinos e mitómanos das antiqualhas- sempre ufanos por se julgarem livres dessa canga da religiosidade - um manguito).
zazie |
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11.20.09 - 4:27 pm | #
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