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ESTAS PESSOAS Q SOBREVIVEM NA MISERIA, NAO PODEM CONTINUAR ASSIM.
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Gravatar [Bagrong: Olha, eu não acho que a economia engoliu a sociedade (ou que o mercado tenha engolido o sistema). A nossa esconomia capitalista é fruto de toda nossa história. Desdo os tempos do escambo, passando pelo capitalismo feudal, comercial, industrial e chegando ao financeiro, existe uma evolução que nada mais é do que a necessidade das própias pessoas.]

Eu ainda acredito nessa assimilação. O fato é que a vida política e social é voltada para a economia. Qual a finalidade de fazer uma faculdade? Conseguir um bom emprego. Por que se empenhar no trabalho? Para conseguir um aumento ou promoção. Para que fazer cursos de especialização? Para se destacar na empresa/serviço e, assim, tentar progredir. Com esses exemplos, podemos ver que trabalho se tornou sinônimos de ganho de capital, uma vez que dinheiro, na nossa sociedade, é sinônimos de subsistência, já que não plantamos nossa própria comida, fabricamos nossos próprios medicamentos, etc.

Do mesmo modo, todo o resto, a maior parte das formas de lazer, de recreação, p.e., se relacionam de alguma maneira ao mercado, quer seja através de agências de turismo, de ônibus para se chegar ao destino desejado, etc. Claro que podemos ir daqui até Salvador à pé, mas corre-se o risco de, se não tivermos dinheiro para comprar mantimentos pelo caminho, morrermos nele. Quer dizer, corre-se o risco não, vamos morrer no caminho.

Ou seja: a maior parte das coisas em nossa sociedade depende do dinheiro para ocorrer, da relação que temos com o mercado. Isso não necessariamente é algo ruim, aliás, em meu texto não critiquei o mercado em si, mas o que nós deixamos que ele faça em nossa vida: o consumismo, o amor ao capital, essas coisas.


[Bagrong: Temos, sim, que incluir essas pessoas no mercado e não pelo amor do próximo, mas por metas concretas. O desejo de criar mercado consumidor e mão-de-obra especializada inclui muito mais gente na economia do que a filantropia jamais o fará. O fato parece triste, mas não é. Isso é o desejo de crescer juntos, de aumentar o seu potencial para poder aumentar o meu. Esse é o caminho que vejo para solucinonar os males do mundo.]

Incluir africanos pobres e "periferiados", p.e., no mercado para que trabalhem e consigam se sustentar é louvável, mas quem quer isso? Quem olha para alguém nessas condições e diz: "Olha, apesar de você não saber fazer nada do trabalho da nossa empresa, vou te empregar para que você possa se sustentar!" Quê?! Isso é um insulto ao pensamento capitalista!

Criar mercado consumidor inclui gente na economia sim, mas gente desqualificada, que ficará à margem dessa economia. Vou vender Coca-Cola em um país paupérrimo da África a 50 cents americanos, vou abrir uma fábrica lá para fazer a Coca-Cola; em que irei ajudar a sociedade local? Primeiro, que o salário dos empregados será irrisório, afinal, todo mundo vai querer trabalhar para a nova fábrica e, com tanta oferta de pessoas necessitadas de emprego, o salário poderá ser baixo sem problema algum. Segundo, que, uma vez expandido o mercado consumidor, a vida dessas pessoas em pouco ou nada irá melhorar, exceto as daqueles que trabalham na fábrica recebendo uma quantia irrisória por mês. É assim que são feitas as implantações de fábricas em países pobres, já que a mão-de-obra neles é mais barata, mesmo que essas fábricas sejam destinadas a produtos para exportação.

A expansão dos mercados consumidores, logo, acarreta emprego para as pessoas, mas, muitas e muitas vezes, isso não é sinônimo de melhoria de vida.

O caminho para tirar essas pessoas da miséria é uma reforma social, a meu ver, e não econômica. É qualificá-los, mandar todo mundo estudar, e não dar um emprego qualquer a eles. Obviamente que a qualificação profissional exige investimento financeiro, ninguém nega isso, mas o investimento seria na expansão da sociedade, e não do mercado.

A filantropia que é assistencialismo não ajuda em nada, realmente não, mas a filantropia da inclusão social seguida da econômica contribui, sim, para a melhoria da condição de vida das pessoas. A Nike tá se fodendo pra qualificação de seus empregados nas fábricas. Quem precisa de qualificação para fazer os calçados dela? Assim sendo, quem se preocupa com os empregados? O governo, muitas vezes, não, nem mesmo os bancos ou instituições econômicas. Quem olha por eles são aqueles que vão fazer caridade, que participam de movimentos sociais.

O MSF (Médicos Sem Fronteiras) ajudou muito mais gente que o FMI. A Cruz Vermelha salvou muito mais vidas que o Banco Mundial. E isso contrapondo saúde e economia. Mudando o foco, temos a UNICEF. A filantropia da UNICEF contribuiu para a sobrevivência de mais pessoas que os dois órgãos econômicos já citados juntos, muito provavelmente. Obviamente que esse tipo de filantropia é falho, pois não é duradouro. Uma vez ajudada, a pessoa tende a, por diversos fatores, manter-se no nível social em que se econtrava antes do auxílio chegar. Mas, mesmo assim, essa caridade contribui mais para a sociedade que as ações FMIistas e correlatas.

A filantropia que indiretamente sugiro no texto não é uma simples ajuda de custo ou moral, mas sim a ação sem interesse de pessoas, empresas, órgãos governamentais, etc., para a promoção da sociedade, e não do valor econômico.

Filantropia
[Do gr. philanthropía, pelo fr. philanthropie.]
S. f.
1. Amor à humanidade; humanitarismo.

Não há nada de ilusório ou impossível em amar a humanidade, nem de falho ou condenável. A filantropia, como você disse, é limitada pelo interesse sim, mas até onde nós, seres-humanos, permitimos que seja. Assim sendo, podemos não permitir também. É impossível? Não, só beira a impossibilidade. Acredito que a "filantropia universal" nunca chegará a ocorrer, mas quem disse que precisa de ser algo global? As ditaduras, por exemplo, não são praticadas por toda uma sociedade, mas por um pequeníssimo destacamento dela. Em política, economia e sociedade, um vale por muitos se esse um puder parecer, parecer, para esses muitos, convincente, atraente.

A minha visão de mundo não é otimista quanto à formação de sociedades bondosas e não alienadas. Acredito que isso não vai acontecer em larga escla. O que quero, pois, é uma via para isso, pelas quais quem escolher fazer parte de uma sociedade assim possa seguir e tentar realizá-la, do mesmo modo que quem quer ser capitalista pode sê-lo, quem quer comprar um carro pode comprar, quem quer viajar no feriado pode viajar, etc. Não permitir a tentativa de uma sociedade "filantrópica" é podar uma liberdade constitucional e natural de todo o ser-humano: a de fazer suas próprias escolhas.

A filantropia, em seu real significado, o amor à humanidade, é o caminho que quis indicar neste post. E há muitos jeitos de se ter esse amor. Independe do modelo econômico ou político. Ele é fruto, sobretudo, de nossas atitudes.


Abraço, Bag! ^^


Gravatar Um ótimo texto, Edu! Vamos, então debatê-lo. :dente:

Olha, eu não acho que a economia engoliu a sociedade (ou que o mercado tenha engolido o sistema). A nossa esconomia capitalista é fruto de toda nossa história. Desdo os tempos do escambo, passando pelo capitalismo feudal, comercial, industrial e chegando ao financeiro, existe uma evolução que nada mais é do que a necessidade das própias pessoas.

Esse é um ponto que muitos custam a entender: o sistema não pode ser imposto ou criado. Ninguém simplesmente cria a economia, ou cria a sociedade, a linguagem, os hábitos, etc. Por isso gostei de seu termo "matriz": o mercado é realmente nossa matriz, ele foi criado por nós para nos abrigar e agora que estamos nele, não estamos passivos, mas ativos. Veja que perfeito: nós o criamos, o usamos e ainda vamos modificá-lo!

O problema é que modificações, por definição, mudam as coisas que conhecemos. Com a nova era, surgem novos fatores que não estavam presentes e estes modificam a moral, os valores, a ética. E esse é o problema que eu vejo: Ao mesmo tempo que nossa economia cresce assustadoramente rápido, os outros lados de nossa vida se desenvolvem devagar. Assim, há uma sociedade moderna, rica, abundante, mas vazia de valores, de ética, de moral. Na minha opinião, essa é uma das grandes causas da desigualdade.

Na verdade, eu vejo a relação economia-sociedade como uma balança, que está mais pendida para o lado daquela. Agora, ao invés de lhe tirarmos o peso para balancear, devemos colocar mais peso do outro lado, inflar a sociedade para esta acompanhar a economia.

Quanto às fotos, essas pessoas são frutos da desigualdade e, para não o serem mais, têm que passar pela inclusão na sociedade. Vejo aí aquilo que disse o Adam Smith: "não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu próprio 'auto-interesse'".

O nosso erro é esperar pela bondade das pessoas, esperar que elas abram mão do que têm e do que são a fim de mudar a vida dos outros. Isso nunca vai acontecer. Não adianta esperar um mundo cheio de filantropos - a filantropia vai até o limite do interesse.

Temos, sim, que incluir essas pessoas no mercado e não pelo amor do próximo, mas por metas concretas. O desejo de criar mercado consumidor e mão-de-obra especializada inclui muito mais gente na economia do que a filantropia jamais o fará. O fato parece triste, mas não é. Isso é o desejo de crescer juntos, de aumentar o seu potencial para poder aumentar o meu. Esse é o caminho que vejo para solucinonar os males do mundo.

Eu não acho (isso você bem sabe =P ) que devamos desplugar coisa alguma. Como eu disse lá em cima, o sistema não pode ser criado, ele nasce de uma evolução, de uma sucessão de fatos históricos e, sempre, evolui pela mão do homem. Temos de evoluir nosso sistema para melhor, não destruí-lo.

Enfim, já falei demais pra um comentário!
Abraço forte, Edu!


Gravatar Você está confundindo nível de dificuldade com impraticibilidade. Nada que esteja dentro de nossas capacidades humanas é impossível, pode ser, no máximo, muito difícil de ser executado, e só. Quem diria, por exemplo, no século IX, que de um átomo poderíamos tirar energia para iluminar ou destruir uma cidade? Aliás, quem diria, no século IX, que os átomos eram reais?


Gravatar A prática é atualmente impossível, assim como querer barrar as ondas com as próprias mãos, só quando uma grande catástrofe ou crise ocorrer, as mudanças significativas acontecerão.


Gravatar Criar um novo sistema econômico não é sobre-humano, é teoria e prática. É como fazer um bolo ou qualquer outra coisa em uma cozinha, só se precisa da receita (aqui, a parte teórica do sistema) e dos ingredientes (a parte física de um modelo econômico, o dinheiro). É uma alegoria batida, essa do bolo, mas funciona =P


Gravatar Que seja, superar os limites do corpo, superar os limites da razão, ambos necessitam de habilidades super-humanas.
Boa sorte àqueles que quiserem tentar.


Gravatar Se é possível de ser tentando, é possível de ser feito, independentemente do tempo ou dos meios que sua execução peça.


Gravatar Creio que fomos criados com limites, se por acaso nos fazemos acreditar que somos capazes, podemos viver felizes enquanto não tentarmos ultrapassá-lo. É essa tênue linha que separa a loucura da sanidade, a crença de que acreditar que possa fazer, não é fazer.


Gravatar Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe por provar o contrário

Albert Einstein


É a sua dúvida que torna as coisas impossíveis. O homem que acredita cegamente que pode voar e se atira de um prédio voa, não porquê ganha asas ou a habilidade de levitar, mas por quê liberta sua mente das limitações de seu corpo.

Voar transcende voar, como a Matriz 5.0 transcende ela mesma. É a crença na idéia que a torna possível, não sua chance de funcionar. A fé é capaz de criar algo novo a partir daquilo que já existe, mesmo que só nós, que temos fé nesse algo, o vejamos. A razão tem como matéria-prima aquilo que é concreto, logo, com ela não conseguimos compreender o que está além daquilo de nós mesmos, e um mundo como o que propus está muito longe de nós, porque somos, inegavelmente, seres que ainda dividem as coisas em "possíveis" e "impossíveis".


Gravatar As pessoas de hoje não possuem o idealismo de outrora, sua teoria é muito bonita, mas impraticável. É melhor se sentir culpado do que se sentir com fome, com frio, sem internet, televisão...




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