Intervenções Gerais

Sim, bem me queria parecer que a escola está outra vez a falhar...


Tal como o jjamarante, também eu "apoio restrições de operações irreversíveis a menores, mesmo que autorizadas pelos pais. E já agora, para maiores, não deveriam ser custeadas pelo SNS"
Contudo, parece-me que estas questões dependem de algo mais profundo: a ignorância e o conceito de liberdade algo que em Portugal não se consegue debater...
Ora como, salvo raras excepções, as pessoas consideram que argumentar é aquela cena de gesticular e insultar o árbitro, gritando "faaalltttaaa!!!"
Assim...
Estamos longe de conseguir promover o debate público sobre o que quer que seja.
Estamos longe de conceber a liberdade individual a par de responsabilidade e do sentido do bem comum.
E agora?
Ah! Claro... A escola que resolva.


Pode ser que eu tenha uma visão deturpada de Portugal por ler muito mais blogues que jornais, mas a sensação que tenho é que a ligeireza vem a par com muita ideologia.
Como é que se explica que uma regra tão simples como "os profissionais do piercing não o podem realizar nas partes do corpo onde é, comprovadamente, demasiado arriscado para a saúde" seja rebatida com o argumento da liberdade?

A questão do SNS exige um alargadíssimo debate: como é que numa sociedade solidária, assente num Estado ainda-bastante-providência, se conjuga a liberdade de cada um agir com negligência em relação ao seu próprio corpo e exigir do Estado, no caso o SNS e eventualmente as Caixas de Pensões, o pagamento dos respectivos custos?

No caso das tatuagens e dos piercings, eu tinha uma solução simpes: os custos derivados de problemas surgidos devido a essa intervenção são integralmente assumidos pela empresa que fez a tatuagem ou o piercing. Se tiverem de pagar as consequências do que fazem, vão pensar mil vezes antes de fazer. Vão avisar o cliente dos riscos envolvidos. E tratarão de arranjar bons profissionais e bons seguros. Ganhamos todos.

Mas que dizer da obrigação da sociedade solidária pagar os custos acrescidos de saúde de pessoas que fumam, que bebem, que se drogam, que não controlam o peso, que não fazem uma alimentação saudável, etc.?
Num instante caímos na tentação totalitária, no controle e na denúncia.
Não é a sociedade em que queremos viver.


Gravatar Eu acho sempre um pouco estranho nos debates em Portugal a ligeireza com que se ignora o que se passa nos outros países. E uso a palavra "ignorar" no sentido de ausência de conhecimento mas também de não dar importância, pois como somos uma nação soberana, o que é que interessa o que os outros decidiram sobre o tema? Embora esse ignorar seja muitas vezes táctico, ignora-se apenas o que se sabe que é frequente no exterior e que vai contra a nossa tese do momento.
Eu apoio restrições de operações irreversíveis a menores, mesmo que autorizadas pelos pais. E já agora, para maiores, não deveriam ser custeadas pelo SNS.




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