Intervenções Gerais

Gravatar O mesmo acontece entre o inglês de Inglaterra e o inglês dos Estados Unidos: existe uma terminologia característica de cada país. Exactamente por isso, este acordo é incompreensível.


Gravatar Helena, está errada. Precisamente o que se usa para somar ou subtrair fracções inicialmente com denominador diferente é o «MÁXIMO denominador comum» (Mdc) e o «mínimo MÚLTIPLO comum» (mmc). Por exemplo, se tivermos 510/300+350/280, primeiro temos de reduzir ambas as fracções à sua forma mais simples, o que se faz com aos Mdc calculados entre o numerador e o denominador de cada fracção: Mdc(510,300)=30, donde 510/300=17/10, e Mdc(350,280)=70, donde 350/280=5/4. Temos então 17/10+5/4. Agora que cada fracção está reduzida à sua forma mais simples, há que calcular o mmc entre os dois denominadores: mmc(10,4)=20, pelo que 17/10+5/4 = 34/20+25/20 = (34+25)/20 = 59/20. Resultado final.

Quanto a isto não ser um post sobre Matemática, é mais do que óbvio... Mas se quer usar, ainda que metaforicamente, um termo matemático, então faça-o com o mínimo de rigor. Lembre-se de Sokal!

«Talvez o Fernando não conheça a expressão "mínimo denominador comum", mas é bastante usada para exprimir a ideia de procura de consenso.» Cara Helena, é claro que conheço. Mas, precisamente, essa expressão está incorrecta e só está amplamente divulgada porque o mundo está amplamente cheio de ignorantes. A ideia de consenso, de facto, é expressa pelo «MÁXIMO denominador comum»: o consenso consegue-se aceitando TUDO aquilo que não aliena ninguém, ou seja, TUDO aquilo que é comum a todos (donde, o MÁXIMO de coisas comuns). Obviamente, este rol de coisas comuns pode ser pouca coisa, mas não deixa de ser o máximo em causa.


Gravatar Fernando,
Isto não era um post sobre matemática (embora o "mínimo denominador comum" exista e não tenha nada de absurdo - é o que se calcula para somar ou subtrair fracções de modo simples).
Talvez o Fernando não conheça a expressão "mínimo denominador comum", mas é bastante usada para exprimir a ideia de procura de consenso.

Expressões de matemática e expressões idiomáticas à parte, o que resta é isto: se, para a mesma coisa, os brasileiros usam uma palavra e os portugueses outra, tentar inventar uma expressão que sirva aos dois países é um disparate que acaba por não servir nenhum.


Gravatar Não existe "mínimo denominador comum". O que existe é "mínimo múltiplo comum" e "máximo denominador comum". No caso em análise, em que se pretende designar um vocabulário que é comum a todas as variantes de uma língua, o termo correcto é "máximo denominador comum".

Obviamente, regra geral os "máximos denominadores comuns" são diminutos (se se elimina tudo o que não é comum a todos, fica-se com pouca coisa...), mas isso não obsta a que continue a ser o "máximo denominador comum", e não essa absurdidade inexistente do "mínimo denominador comum".


Gravatar A mim não me interessa o enfraquecimento da língua, porque nem percebo o que significa. O número de pessoas que a falam? Se for por aí podemos descansar já que existe o Brasil. Na Wikipédia existe muita perda de tempo com a ortografia, o que vendo bem as coisas é sem importância e, mais importante, chato. Vou repetir-me: o que a mim me interessa é que de vez em quando se limpem as arestas à parte da língua que não evolui como o falar. Se tal for feito a falar com os outros falantes da língua, melhor.


Gravatar Bengalão,
recusar a reforma de 1911? Isto é que foi uma ultrapassagem pela direita!

Na wikipedia há um artigo interessante sobre estas mudanças:
http://pt.wikipedia.org/wiki/ Ort...ngua_portuguesa

O corrector do meu outlook tem 3 variantes para o alemão (Alemanha, Áustria, Suíça), quatro para o inglês, e duas para o francês.
Não me consta que essas diferenças contribuam para o enfraquecimento das línguas.

Não entendo, por isso, a afirmação constante na wikipedia, de que a situação de duas ortografias diferentes é "considerada largamente prejudicial para a unidade intercontinental do português e para o seu prestígio no mundo".

Outro dia contaram-me uma muito boa: há uma ilhazinha no Brasil onde as pessoas chamam "consertar o peixe" ao acto de o estripar.


Gravatar Eu aceito que se diga que este acordo seja tão gota de água, que não sacia qualquer sede. De resto, eu vejo o acordo ortográfico como limpar a casa. De uma forma simples, é isto. O que o Mexia diz é que além de limpar a casa, estamos também a atirar os móveis fora. Aí já começo a dúvidar.


Gravatar Tu compreendes realmente a razão das mudanças?
Eu não.
Não percebo porque é que hei-de passar a escrever úmido (mas humanidade), interseção e interceção, receção, adotar, ação, afeto, aspeto. Se esta alteração fosse para uso exclusivo dos portugueses, por lógica ao tirar a consoante muda tinham de pôr um acento: interséção, áção, aféto, aspéto - com pronúncia diferente de "espêto" -, etc.
Não percebo a necessidade de mudar anti-religioso para antirreligioso, e anti-semita para antissemita.
Não sei porque é que os brasileiros devem deixar de escrever lingüiça, para passarem a linguiça (que eles, pelo hábito, tenderão a ler com u mudo, como guita).

Porque é que estão a tentar aproximar a ortografia em todos os países de expressão portuguesa, se essa alteração complica a situação da ortografia em cada um dos países?
Se é para parecer uma língua só, tentei provar que não vão longe.
Pelo que a questão passa a ser esta: justifica-se o esforço e o custo?

Não estou a chamar estúpido a ninguém. Quando muito, a mim própria. Quando comecei a escrever "português neutro", passava a vida a verificar se se escreve assim ou assado. Sei bem o tempo que se perde com isso.


Gravatar A Helena refere aquilo a que chama Real Academia Española, que na realidade é a Real Academia Española de la Lengua, que tem membros de todos os países que falam espanhol. Talvez por aí se comece a ver a diferença. Por outro lado, enquanto as Academias Portuguesa e Brasileiras bebem os seu chazinho e fingem que são imortais, os membros da RAEL discutem e fixam a terminologia. Também aí se vê a diferença.
Quanto à distinção vocabular, não é verdade que rapariga signifique, em todo o Brasil, prostituta. Nos Estados mais a Sul, significa o mesmo que em Portugal: o Brasil é um país demasiado grande para ser tratado como uma unidade linguística. E o facto de os portugueses menos próximos da Serra da Estrela não entenderem o que é que quer dizer "atar o passa-fome a um pino" mostra apenas que as variedades não são apenas entre as duas margens do Atlântico. Porque não havemos de ser radicais? Ser contra este acordo, mas também contra todos os outros e escrever, gloriosamente, como antes da reforma unilateral de 1911? Porque é que hão-de ser os legisladores a definir a ortografia?


Gravatar Helena, o acordo ortográfico implica mudanças que até eu, que sou uma azelha nestas coisas que metem explicações com palavras como esdruxulas, facilmente compreendo. Agora estás a chamar as pessoas abaixo de estúpidas. Os que já não ligam nada a como se escreve, sim, morto por 10, morto por 100 e vice-versa.

Eu não conheço ninguém que escreve relatórios como vida e portanto tem computadores para editar textos, sem internet. Porque o acordo ortográfico ser aplicado correctamente assim 100% deve ser para estas coisas oficiais. De resto não me mete impressão que andemos por aí nas nossas vidas privadas e até a pôr cartazes na via pública de anúncio a uma festa ou a procurar pelo gato Micas e faze-lo na última forma de escrever.

Quanto aos livros não sei como está agora. Há 20 anos atrás era todos os anos um novo carrego. A não ser que se chumbasse.


Gravatar Helena,
Um limão com casca cor de laranja?
Será uma laranja amarga?
De "fato", não sei. Se precisasse, teria de averiguar. Era só um exemplo - nem precisamos de sair dos citrinos, e já começamos a não saber o que é o quê. Resolvida a questão do limão galego, vem a abobrinha. Resolvida a abobrinha, vem o pilão. Etc.
Por isso disse que é impossível escrever um livro de culinária num português comum aos dois países.


Abrunho,
e quem paga a quem muda os dicionários online? E quanto custa uma pessoa ir verificar frequentemente se húmido leva h, e coisas assim?
E que fazem as pessoas que não têm internet?

Uma situação generalizada de semi-analfabetismo na população ("assim como assim, há cada vez mais gente a dar erros de ortografia") não pode desculpar um Estado de mudar a ortografia mas não prever simultaneamente os meios necessários para que a mudança se faça com o mínimo possível de dificuldades.

Quanto aos livros escolares: eu sabia que há demasiados, e que as escolas passam a vida a mudar os manuais. Mas, à escala nacional, cada um dos manuais só vigora um ano?
Agora vou desconversar: aqui, só tenho de comprar os cadernos de exercícios. Os livros de estudo pertencem à escola, que os empresta aos alunos. Vigoram cerca de cinco anos. O nosso "rombo de Setembro" anda entre os trinta e os cinquenta euros por filho.


Gravatar existia pelos Açores o dito limão galego que penso poder ser o mesmo que no Brasil. É uma variedade onde o fruto é pequeno, quase redondo, com casca fina e cor de laranja, ácido e com um sabor um pouco diferente dos outros.


Gravatar Nao pensei que isto fosse ser feito de um dia para o outro, com o pessoal a correr aos dicionários, para lá de que muitas das pessoas usam dicionarios em linha. Eu só vi uma vez alguém com um dicionário ao lado: há muitos anos atras a minha irma a traduzir algo para frances. Nunca desde que comecei a trabalhar vi um dicionario no lugar de trabalho. Pensando bem, se calhar existia, mas nao sei em que canto. O pessoal vai ä net. Tendo em atencao os erros ortograficos que ja se fazem, os novos que se poderiam fazer sao uma gota de agua. O meu corrector ortográfico nao vinha com portugues quando eu trabalhava em Portugal. Uma empresa sobreviveu sem um corrector ortográfico nos seus computadores, uma empresa cujo produto era escrever relatórios. Quanto as conversas no trabalho sobre o acordo ortografico: o nivel das conversas iam elevar-se em qualidade. A quantidade se muito fica a mesma.

Eu quando andava na escola comprava livros todos os anos. Mudou a situaçao?

Que se ponha em questao o acordo ortográfico porque nao serve para nada, ainda vá, mas nao me parece que vá produzir tsunamis no mercado das conversas e dos livros, com o pessoal a correr a comprar correctores. Se calhar o acordo ortográfico poe as pessoas a pensar como escrevem, porque nao me parece que o façam agora.


Gravatar Rios de dinheiro:
Campanhas de divulgação da nova ortografia, novos dicionários e livros escolares.
Sessões de esclarecimento.
Compra e instalação de software de corrector, perdão, corretor, ortográfico actualizado, perdão, atualizado.
Nas empresas e nos serviços públicos, perda de eficiência (enquanto escreves um texto precisas de ir mais vezes pesquisar qual é a ortografia correcta, discutes com o colega do lado, um terceiro vem também dar palpites).

Se fosse por uma boa causa, ainda vá. Mas esta causa é uma quimera!


Gravatar Porquê rios de dinheiro?


Gravatar É lógico, não é?

Essa é uma questão - o modo como vamos complicar a nossa língua.

A outra questão, e foi o que me levou a escrever este post, porque já de lá venho, é que é impossível escrever num português que tanto portugueses como brasileiros sintam como seu.
O acordo ortográfico é um logro que vai custar rios de dinheiro para nada.

Apetecia-me escrever isto tudo em maiúsculas, negrito, sublinhado.
Foram 8 anos a dar com a cabeça nas paredes.


Gravatar O Mexia faz a defesa das consoantes mudas. Parece que não são totalmente mudas. Não sei. Isto cheira-me a conspiração da direita...

http://estadocivil.blogspot.com/.../ desacordo.html




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