Intervenções Gerais

É coragem? Do que ouço, os músicos clássicos de origem asiática são hoje considerados os melhores. Eu conheci vários japoneses que vieram estudar em Hamburgo e não vou a concerto das escolas em que não haja músicos de origem asiática. O músico moda é o Lan Lan, ou um nome assim. Parece-me que o que presenciaste não é coragem, é a nova realidade do mundo da música clássica.


Acho que não é o Lan Lan, é o Dsl Dsl

Agora a sério: percebo pouquíssimo de virtuosidades - sim, sou claramente um caso de "dá Deus as nozes".
Mas já li algures que o Lang Lang não é um pianista excepcional. Segundo entendi, está mais para bailarino do piano, e o pessoal gosta de ver.
Também já ouvi a teoria de que os músicos asiáticos têm uma técnica perfeita mas lhes falta a alma europeia. Foi dito por um brasileiro, o que faz pensar mais uma vez pensar nessa história dos nacionalismos.

Coragem, dizia eu, por isto: imagina um chinês a dirigir "a Quinta" no mais alto templo alemão da música clássica, imagina um asiático a cantar o Grândola no Coliseu num aniversário do 25 de Abril. Por muito bem que o façam, há aqui uma fronteira subjectiva da "alma nacional".

Mas se fosse um Chico Buarque, ou um Lluis Llach, a cantar no Coliseu, a gente gostava. Talvez porque eles sejam "dos nossos" - temos histórias semelhantes, passámos pelo mesmo, sabemos todos de que estamos a falar quando falamos da emoção do Grândola.
É outra vez a questão do "nós" e "eles".


Eu também não sou conhecedora e também já ouvi esses comentários que descreves, do Lang Lang não ser nada de especial e a técnica versus a alma. O meu ponto é que a música clássica já não é a coutada europeia, nem da "cultura ocidental". Nunca me tinha passado que a Quinta é a Grandola Vila Morena dos alemães. Se bem que um chinês, por muita técnica, acho que não consegue dizer os "rrrr", pelo que ia ser giro ouvi-lo cantar em português.


Gabriela, vou divagar um bocadinho:
um chinês a cantar "glandola vila molena" e eu
"grãodula bila muriena"...


Sim, estamos de acordo: a música clássica já não é um feudo europeu.
Mas será que, ao ser interpretada por pessoas de outras culturas, ganha novas dimensões?
Sem juízos de valor.

Vou divagar outra vez: há outros exemplos deste fenómeno de invasão do "nosso feudo". Sem pensar muito, penso no campeão de sumo do Japão, que vem da Mongólia (se não me engano) e dos problemas graves de identidade da comunidade judia na Alemanha, que está a ser "invadida" por "judeus russos", muito diferentes dos "judeus alemães".
Para não falar da mãe de todos os contrasensos: israelitas neonazis.


Sim, provavelmente.

Há uns anos atrás o campeão de judo era do Haiti. Os japoneses continuam a comer pouco?

Israelitas neo-nazis? Naaaaooooo. Como é que eles se explicam? Não consigo imaginar como é que um israelita pode fundamentar ser neo-nazi.

Eu acho um piadão um português falar da pureza da raça ariana. Se os tipos não fossem perigosos, eu promovia-os a serem uma das melhores piadas do mundo real.


Gravatar Num voo de Lisboa para Amesterdão fiquei ao lado de um polícia holandês que estava a tirar um mestrado em Relações Internacionais e que me recomendou o livro "Cultures and Organizations, Software of the Mind" do Geert Hofstede. Presumo que por não estar habituado a polícias tirando mestrados comprei o livro, e gostei bastante. Deve ser interessante para quem tem um pé em Portugal e outro na Alemanha.


Gravatar jj.amarante,
a fila dos livros que quero ler já leva mais de 3 metros de comprimento.
Posso pedir um favor? Que tal fazer um resumo do livro no seu blogue?
Agradeço, e o meu marido (que se chateia sempre que eu compro mais uns livrinhos) também.

Gabriela,
o fenómeno de israelitas nazis deve ser semelhante ao dos jovens cristãos alemães que se tornam fundamentalistas islâmicos e passam a odiar a nossa sociedade. Não dá para entender.


Gravatar Lembrei-me que num documentário do Dawkins sobre a religião e como tem má influência sobre o pessoal, o Dawkins estava em Israel a falar com um homem que nasceu judeu nos EUA, veio para Israel e lá converteu-se ao islamismo. A conversa entre eles, que não era bem um diálogo, era mais o ex-judeu-atual-islâmico a expôr como a sociedade ocidental era doente e o Dawkins a ripostar muito breve e educadamente, naquele estilo de professor com sotaque inglês, o que não sei como ele conseguia, face ao que o homem lhe dizia. Era o que eu esperaria de alguém que nasceu e cresceu num país islâmico e sofreu uma lavagem cerebral. Lembra-me que um dos pontos dele era o de os homens no ocidente deixarem as mulheres fazerem o que querem e o Dawkins ripostava que ele não tinha nada a ver com o que as mulheres fazem, que elas são livres e o homem dizia que este era um dos pecados do ocidente. Um homem que nasceu nos EUA, Nova Iorque, a demandar que as mulheres sejam crianças controladas por homens, a definir as mulheres no ocidente como prostitutas. A trajetória deste homem parecia-me impossível. Eu acho que ele teve azar com mulheres. Uns blind-dates a mais que correram muito mal.


Gravatar Tens toda a razão, Gabriela, eu também acho que esta sociedade se está a degradar a olhos vistos por causa dos blind dates.
Moralidade! Moralidade! Haja moralidade!


Li num Zeit qualquer sobre adolescentes alemães que já não conseguem impressionar os pais com piercings e cabelos desgrenhados, e por isso se convertem ao islamismo. O fundamentalismo como último reduto da adolescência...
Volta, Maio de 68, estás perdoado...


Essa história do gajo querer pôr as mulheres com dono é curiosa.
Talvez esteja a preparar-se uma contra-revolução. A revolta dos machos.

Isto ainda vai dar um post: os adolescentes turcos que enchem o metro à sexta à noite. Atestadinhos de testosterona.
O que é que os rapazes alemães fazem à deles, que não se nota?


Gravatar A minha irmã fez-me a observação de que provavelmente quando os putos dela chegarem à adolescência, ela iria olhar nostalgicamente os piercings e os cabelos azuis! Portanto, dizes-me que ela tem toda a razão. Tadita.


Gravatar Pois, tadinha...


Mas pode ser que em vez do fundamentalismo muçulmano optem pelo fundamentalismo de casar virgem ou algo do género. Atravessar a adolescência de fato e gravata, risca impecável.
Estás preparada para isso?

(Estou-me a rir porque os meus ainda não começaram a descambar muito. Só morrem de vergonha da mãe deles, é tudo.)




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